RADAR/LANCE!
16/08/2016
14:46
Rio de Janeiro (RJ)

Se Renaud Lavillenie encontrou no público que o vaiou no Estádio Olímpico Nilton Santos a causa para ter perdido o ouro do salto com vara para o brasileiro Thiago Braz, o técnico do francês, Philippe d'Encausse achou outra explicação. Em entrevista dada, nesta terça, ao jornal francês "Le Monde", o treinador disse acreditar que Thiago contou com um empurrãozinho transcendental para superar a marca dos 6,03m e garantir a segunda medalha de ouro para o Brasil no quadro de medalhas.

- Com dez saltos nas pernas, o Thiago começa a planejar um salto de 6,03m. Este é um país estranho - brincou o treinador, admirado com a façanha.

No texto, o jornal francês chega a supor que o brasileiro pode ter sido ajudado por "forças místicas como as do candomblé".  Em entrevista concedida na tarde desta terça-feira, Thiago Braz comentou as declarações polêmicas de Philippe d'Encausse.

- Ele não sabe quem eu sou, com quem eu ando. Uma das coisas que eu acho que ele não conseguiu reconhecer é que em todos meus saltos, tudo que eu tenho treinado, eu tive incluído um pai chamado Deus (...) O que posso dizer é que se eu estava acompanhado de um Pai naquele momento ele talvez estava sem - disse o medalhista brasileiro.

- Numa competição em Berlim onde ganhei do Renaud uma vez, era um ambiente totalmente tomado por Deus também. Ele pode colocar isso como sorte. Mas para mim tem um gosto de cuidado de Deus. E foi isso que aconteceu na Olimpíada - completou.

Vale destacar que quem também empurrou Braz foi a torcida presente no Engenhão, o que incomodou muito o pupilo de d'Encossau, Renaud Lavillenie.

O saltador francês não conseguiu superar a marca de 6,08m em seu último salto, ficando com a medalha de prata. Ao final da prova, se queixou muito das vaias que recebeu da torcida no Engenhão:

- É a primeira vez que vejo esse tipo de público. Eu já competi em muitos, muitos campeonatos, em muitos países e é a primeira vez que todo mundo está não só contra mim, mas contra todos os saltadores, exceto o brasileiro. Isso (as vaias) são por futebol, não pro atletismo. Não há respeito. Não há fair play. É uma vergonha! Se não temos respeito nas Olimpíadas, onde vamos ter? - reclamou Lavillenie após a prova.