Igor Siqueira
07/08/2016
11:28
Rio de Janeiro

Para quem está acostumado ao silêncio, competições com arquibancadas desertas e a quase nunca ter a torcida a favor, o nervosismo da estreia olímpica pesou. Com isso, o Brasil foi eliminado logo na primeira "batalha" da competição por equipes do tiro com arco feminino.

Marina Canetta, Ane Marcelle Santos e Sarah Nikitin representaram o país contra as italianas na manhã deste domingo, no Sambódromo, em uma experiência incrível. O placar foi de 6 a 0, mas elas conseguiram cravar algumas notas 10 nos tiros (seis em 18). Apoio da torcida não faltou, mas o contexto inédito de competição pesou.

- Se a gente tivesse atirado o que estávamos atirando no treino. Mas foi o nervoso, né. Eu me senti muito nervosa. As meninas estavam mais tranquilas. Acho que dá para levar para frente. Foi a primeira vez com uma estrutura assim, é muito grande, nunca tem torcida, não tem nada... Foi um aprendizado - afirmou Marina, que abriu a competição com uma nota 5, e admitiu que o "braço tremeu":

- Era uma torcida ao nosso favor, é uma delícia, mas na hora que tem que parar, o braço tremeu um pouco... Geralmente competimos em campos menores. Nunca tinha ido a uma final grande. Em campeonatos lá fora, as finais são no último dia e classificatório é todo mundo atirando ao mesmo tempo. Essa é a diferença.


Ane Marcelle tentou olhar o lado positivo da atuação individual dela.

- Eu dei o meu melhor. No último round, consegui a média de 10 que eu queria fazer. No individual, espero chegar pelo menos nas quartas - afirmou.

Já Sarah projeta mais avanços no tiro com arco após a experiência na Rio-2016.

- Ficamos um pouquinho nervosas no começo, mas é normal. Foi a primeira vez que atiramos em um evento tão grande, mas foi muito bom sentir a energia de todo mundo. Evoluímos muito na preparação para a Olimpíada, alcançamos resultados inéditos, e acho que tem tudo para continuar assim. Temos que pensar passo a passo - disse ela.

ITALIANAS REVELAM ALÍVIO


Como o Brasil começou a disputa com uma nota 5, as italianas não esconderam um certo alívio com o nervosismo da equipe da casa.

- Ufff - foi a resposta de Guendalina Sartori quando perguntada sobre o que pensou na hora em que o Brasil começou mal a disputa.

Claudia Mandia ponderou que não dava para perder a concentração.

- Não dá para abaixar a guarda, porque da mesma forma que fizeram cinco, poderiam ter marcado 10 - disse ela, que ao lado de Lucilla Boari obteve a classificação para enfrentar as chinesas nas quartas.