Guilherme Cardoso
31/07/2016
07:05
Enviado Especial ao Rio de Janeiro (RJ)

Chegou neste sábado no Rio de Janeiro mais uma delegação para os Jogos Olímpicos. O grupo não é tão famoso quanto o jamaicano Usain Bolt, o Dream Team do basquete americano, ou qualquer astro olímpico, muito menos tem seu lugar garantido nas competições. Mas, talvez, conte com as pessoas que mais se esforçaram para estar na Rio-2016. Afinal, pedalar por volta de 3.600km da Argentina até a capital carioca não é para qualquer um. Mas foi o que fizeram os ciclistas argentinos Luis Paolini, de 29 anos, Lucas Ledezma, de 28, e Franco Rodriguez, de 31.

Em um percurso realizado em 40 dias de viagem, iniciada no dia 21 de junho, eles deixaram a cidade de Córdoba e pedalaram até o Rio de Janeiro. O amor à Olimpíada e a oportunidade de fazer parte da festa na capital carioca não foram as únicas motivações. O objetivo também é promover a prática esportiva, principalmente das crianças. Isso nem poderia ser diferente, afinal, estamos falando de três professores de Educação Física.

– Vamos ficar até o fim dos Jogos. Queremos curtir, além do ciclismo, o handebol, futebol, hóquei... E onde tiver algum argentino também – afirmou Paolini, um dia antes da chegada no Rio de Janeiro, enquanto os argentinos ainda estavam na Rodovia Rio-Santos, na região de Mangaratiba (RJ).


Antes, os professores de Educação Física já tinham passado por diversas cidades de seu país, Foz do Iguaçu, litoral do Paraná, de São Paulo e também do Rio de Janeiro.

Reparar neles no acostamento estrada não foi algo muito complicado. Não apenas por serem três ciclistas pedalando bem ao lado de tantos carros em alta velocidade, mas pela quantidade de bagagem e também uma bandeira da Argentina pendurada no equipamento.

– Trouxemos barraca, saco de dormir, panela, bujão de gás para cozinhar, arroz, macarrão, legumes, latas de atum – explicou Paolini.

Sem terem hotéis ou pousadas reservadas, os ciclistas contaram com a ajuda de algumas pessoas durante o percurso. Mas algumas vezes, tiveram de improvisar um local para dormir, como quando repousaram dentro da barraca em uma praia.

No Rio de Janeiro, eles também esperavam contar com a sorte. Paolini levaria os amigos para um hostel, onde precisariam encontrar vagas, isso se a hospedagem não for cara. E esse não seria o único problema. Os amigos ainda têm de correr atrás de ingressos para os Jogos Olímpicos.

– Tem as festas também, vamos curtir essa energia. Vimos até a tocha olímpica quando estávamos em Ubatuba (SP) – disse Paolini.

Ciclistas viajaram na Copa do Mundo de 2014

Essa não é a primeira vez que os ciclistas argentinos viajam para o Brasil para acompanhar um grande evento esportivo. Em 2014, dois deles vieram assistir à Copa do Mundo.

Na época, Luis Paolini ainda trabalhava em um hostel no Rio de Janeiro. Então, Lucas Ledezma foi até a capital carioca para encontrá-lo, e ambos viajarem pelo país para ver partidas da Argentina. Só que o caminho dentro do Brasil, daquela vez, acabou percorrido em um carro.

– A Copa foi demais. O melhor evento que já assisti – afirmou Paolini.

Se não bastasse, Ledezma também foi para a estrada no ano seguinte, na Copa América do Chile. Essa segunda viagem, assim como a atual, foi realizada de bicicleta. O caminho: Córdoba até Viña del Mar (CHI).