Rodrigo Vessoni
10/07/2016
11:25
São Paulo

O Corinthians venceu a Chapecoense, chegou aos 28 pontos e igualou o Palmeiras na liderança do Brasileirão 2016. Mas essa coluna não dependeria do resultado em Santa Catarina nem mudaria a minha impressão sobre esse número de pontos surpreendente. Essa coluna também não vai prever o futuro campeão nacional. Longe disso. Ela apenas tentará explicar por meio de uma tese pontuação e posição surpreendentes até essa 14ª rodada após perder sete titulares, treinador e gerente de futebol.

Isto colocado, o Corinthians hoje em dia tem algo importante, algo que é subjetivo e intangível, mas que faz parte do futebol: um ambiente vencedor. Vencer já não é mais um peso. Era mais ou menos o que tinha o São Paulo quando foi Tri (2006/07/08) sem fazer grande esforço. Independentemente de como a equipe estava, o adversário já temia e aceitava a derrota antes do jogo.

Veja os números do Timão em casa:

O Corinthians tem 21 jogos na Arena em 2016, com 18 vitórias e 3 empates. Uma invencibilidade que não evitou cair no mata-mata, mas que dá ao time incríveis 91% dos pontos no ano;

O Corinthians não é derrotado na Arena há 30 jogos (última vez foi para o Santos, pela Copa do Brasil-15).

O Corinthians não perde na Arena pelo Brasileirão há 24 jogos (última vez foi para o Palmeiras, no BR-15).

O adversário vai para a Arena hoje achando que enfrentará o Barcelona no Camp Nou. Não deveria ir assim, o time não é nenhuma maravilha, mas a imagem que se tem para o adversário é essa: venha a Itaquera e perderá. Ponto.

Não sei bem o que é, mas é algo que cria um clima de que ser vitorioso não é novidade . No ambiente do Corinthians estar na parte de cima da tabela é natural. O time que perde acha normal.

O São Paulo foi assim há um tempo. O Inter virou líder do BR-16 e se assustou. O Corinthians não empolgou ninguém em termos de jogo bonito e encostou no líder e badalado Palmeiras. Detalhe: a diferença de pontos até a 13 rodada era apenas o jogo do Allianz Parque, como visitante, por um normal 1 a 0 – se tivesse sido na Arena, talvez estaria três pontos à frente do rival.

Parece um papo de louco, mas acho que explica um pouco essa quase liderança meio sem explicação natural. Não é DNA vencedor no sentido de que se nasce com isso, é algo que você conquista com tantos anos brigando lá em cima e levantando troféus em sequência (foram 9 nos últimos 8 anos).

Vai ser campeão por isso? Não. Provavelmente não, deve cair um pouco no futuro. Mas explica esse início incrível da equipe após tamanho desmanche. Hoje tem 28 pontos. Sabe quantos pontos tinha nesta mesma rodada do ano passado quando bateu todos os recordes de pontos da era dos pontos corridos? 29.
Sim, apenas um a menos que o timaço de 2015. Incrível.