Treino Botafogo - Técnico, Jair Ventura

Em 26 jogos como técnico do Botafogo, Jair Ventura venceu 14 deles (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

Felippe Rocha e Vinícius Britto
13/12/2016
05:00
Rio de Janeiro (RJ)

Jair Ventura evitava falar de Libertadores nas coletivas. Quando perguntado, o técnico desconversava e falava em alcançar a pontuação mínima para garantir a permanência na Série A. O LANCE! inicia agora um especial de uma entrevista exclusiva feita com o técnico do Botafogo. Nele, o comandante revelou que o 'sonho' foi trabalhado internamente, cobrou ligação do pai parabenizando-o pela vaga e destaca os 'vários' sistemas de jogo do Botafogo neste ano.

Qual você vê como seu principal mérito nessa classificação?

Eu não falava em Libertadores porque não posso vender sonhos. Mas, sim, concretizá-los. Se falasse e não concretizasse, venderia uma esperança para os torcedores. Não era sonho, internamente nós trabalhávamos por isso. É um esporte coletivo, e o principal fator são os jogadores. Não adianta eu passar a ideia e eles não comprarem. Fiquei 11 anos me preparando, mas de que iria adiantar se o presidente não me efetivasse? O quanto que o Carlos Eduardo Pereira não deve ter sofrido pressão, efetivando um treinador de 37 anos com o time na zona de rebaixamento? E agora eu fico feliz de poder retribuir a eles (torcedores) e aos meus jogadores.


Algo específico na parte tática?

Aí eu vou estar dando minhas armas, principalmente na parte tática. São muitos detalhes. De vez em quando dá para perceber, não é muito visível. O Botafogo não tem uma única maneira de jogar. Temos várias. Isso é legal. Apesar de botarmos em prática, os grandes responsáveis são os atletas. É gratificante saber que eles estão fazendo. Sempre falo que vou cobrar deles o que eu falei, porque é o que vai acontecer. E acontece. Nós jogamos grandes jogos e perdemos, e não jogamos tão bem em algumas partidas e vencemos. Futebol é assim. Tem situações que não tem o que fazer. Pega os gols do Marinho, ele pega na direita, leva com a esquerda e finaliza. Como marca? E o Cícero, do Fluminense, na bola área? É mais mérito do que demérito.


Teve algum treinador importante na sua formação?

Todos são importantes para minha formação. Sou um eterno aprendiz e vamos colocando um pouco de cada. Sou um privilegiado de trabalhar há tanto tempo em um time grande. Logicamente, tenho minha maneira também.

E a chance de disputar uma Libertadores no estádio Nilton Santos?

É a nossa casa, o estádio Nilton Santos. Tive o prazer de fazer jogos lá como interino. A Arena também foi importante. Que luxo para o Botafogo ter uma casa para jogar, tantos clubes não tem... não só na Libertadores. Ela (torcida) tem que ser o décimo segundo jogador, na hora que falta a perna, ela vem e empurra. Fico feliz de dar esse presente. E que esse ano de 2017 seja melhor.

Outro dia, você falou que entre Guardiola e Mourinho você é Simeone...

Sempre admirei o trabalho dele, por não ter grandes craques e bater de frente com grandes esquipes. E você só consegue isso de maneira organizada. E eu admiro isso. Como você vai marcar o Messi, se tem o Neymar, o Suárez. Mas fica evidente o trabalho do Simeone, as linhas muito próximas, time equilibrado e taticamente bem. Não sou o novo Simeone, antes que rotulem (risos).

Como você prefere o futebol? Tem preferência por algum esquema?

Eu tenho meu sistema de preferência, que eu não vou te revelar, mas não posso implementá-lo se não tiver jogadores com característica para tal. Tem o momento de cada um, como quando eu joguei com dois laterais-esquerdos ontem, o Diogo no meio. O Eduardo (Baptista, pela Ponte Preta), aqui no Rio, tirou zagueiro e botou volante, é legal isso. Aqui, já jogamos com vários sistemas e é legal isso. O Rodrigo Lindoso estava de primeiro volante e já foi o camisa 10 do Madureira. Falamos muito em cima do resultado. Mas é assim, eu escolhi isso para minha vida.

Já falou com seu pai desde a classificação para a Libertadores?

Que vergonha, não falei com ele ainda!. Mas ele (Jairzinho) não me ligou também, vou dar uma dura dele. Temos ficado longe, o futebol deixa a gente distante da família. Sem dúvida está muito feliz. Ele está em São Paulo hoje (ontem), um amigo meu me falou e eu não sabia, mas futebol é assim. Ele não me ligou ontem, mas o convívio fica um pouco distante. E as férias, para curtir a família? Você vai estudar. Fico sabendo do meu pai pelos outros. Mas os olhos dele brilham, um exemplo de homem, de caráter, e que está na história do clube. É minha referência. Não mede palavras, é meu ídolo e fico feliz de estar entrando também, de alguma maneira pequeninha.

Nesse período como técnico, teve alguma conversa marcante com ele?

As conversas são bem pontuais, ele já foi treinador também, me deseja boa sorte. São coisas bem rápidas, mas vemos a alegria. Sabemos que a torcida dele é a mais verdadeira. Não temos que nos preocupar com o que falavam de nós, mas, sim, fazer as coisas pelos que acreditam em nós. Você não pode ter qualquer sentimento ruim dentro de você. Tenho certeza de que ele está feliz.