Corte de Camila Brait abala desde jogadoras até marido de convocada
Léia diz que não conseguiu sequer vibrar ao saber que iria à Olimpíada do Rio

Os cortes de Camila Brait, Tandara e Roberta dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, anunciados pelo técnico José Roberto Guimarães na última segunda-feira, abalaram o grupo, sobretudo pela ausência da primeira, que há pouco tempo era considerada a líbero titular da equipe. A vaga ficou com Léia.
Poucas palavras e um abraço apertado na companheira foram os poucos atos da vencedora da disputa no momento de comoção. Feliz por disputar a primeira Olimpíada, mas triste pela situação, a atleta de 31 anos disse que até o seu marido, Marcelo, demonstrou uma mistura de sentimentos com a notícia.
– Meu esposo vibrou, mas ao mesmo tempo falou, "amor, e a Brait?" Ficamos nesta situação, pois gostamos muito dela. Trabalhamos juntas, sofremos juntas, cansamos juntas. Até agora ele está assim. Pergunta se eu conversei com ela, e eu digo que é o momento dela, que não vou ficar ligando. É difícil.
Ao lembrar da trajetória na equipe verde e amarela, Léia abre o sorriso. Ela foi convocada pela primeira vez em 2014. Desde então, participou de duas conquistas de Grand Prix (2014 e 2016), e um bronze no Mundial de 2014. Antes segunda líbero, a paulista e Ibitinga se tornou uma sombra para Camila. No Grand Prix, vencido pela Seleção, ganhou definitivamente a vaga.
– Na hora, foi emoção. Não só positiva, mas negativa, pois para eu ficar tem de sair uma menina de quem gosto muito. Trabalhávamos juntas o tempo todo. Eu não consegui nem vibrar! Fiquei um pouco triste, mas agora é continuar o trabalho – afirmou a jogadora.
Segundo o relato das jogadoras, Zé Roberto não deu explicações sobre os cortes. Disse que era hora de trabalhar. Mas a expressão de tristeza de cada membro da comissão técnica era nítida ao anunciar uma decisão tão delicada.
– Só nos abraçamos, sem muitas palavras. Na hora de um corte, não é legal ficar falando muito. Ela me desejou boa sorte e falou para que eu continuasse a fazer o meu trabalho, que eu estava muito bem. Ela é um amor de pessoa.
Cortada às vésperas da Olimpíada de Londres (ING), em 2012, a levantadora Fabíola lembrou o sentimento seu e da família na ocasião. Camila já afirmou nas redes sociais que não defenderá mais a Seleção, aos 27 anos. Mas a veterana acredita que a declaração possa ter sido dada de cabeça quente.
– No momento do corte, é emoção à flor da pele. Eu abri mão de muita coisa, assim como a Camila, para defender a camisa do Brasil. Mas ela é nova, tem uma caminhada longa pela frente. É uma peça importantíssima na Seleção. Temos um amor especial por ela – afirmou Fabíola.
– Só o tempo vai dizer se ela volta ou não. Eu lidei de uma forma, mas cada um é cada um. Não sei como reagirá. Nós torcemos para que dê a volta por cima.

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