Jogador relata cobrança ilegal de intermediário para atuar no Vasco; clube se manifesta
Jean David chegou ao Vasco em 2024 e deixou o clube nesta janela de transferências

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O ex-jogador do Vasco Jean David, atualmente no Deportes Limache, do Chile, acusou intermediários ligados ao clube carioca de tentativa de suborno para que tivesse mais minutos em campo. As declarações foram dadas em entrevista ao jornal chileno La Tercera.
- É uma longa história. Quando eu jogava no Toluca, tive opções para ir para outro clube no México. Mas a diretoria não queria que eu reforçasse outro time no mesmo país, e meu salário era muito alto para uma renovação. Então surgiu a proposta do Vasco. Mas o único obstáculo era que outra pessoa, que não fosse meu agente, precisava me levar até lá. Pediram para eu não me envolver nas negociações por causa da comissão e tudo mais. Eu disse que tudo bem, sem problemas, que conversaria com meu agente, que disse não ter problema nenhum, mas que queria revisar os contratos para garantir que não havia nada suspeito.
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Segundo o atleta, a situação começou ainda na negociação para sua chegada ao Vasco, após deixar o Toluca, do México. Jean David afirmou que, dois meses depois de chegar ao Rio de Janeiro, foi procurado por um intermediário que exigiu o pagamento de uma comissão não prevista em contrato.
- Fui até lá, disse quanto eu queria ganhar. Até então, tudo estava em ordem. Dois meses depois de chegar ao Rio de Janeiro, essa pessoa que me levou até lá entrou em contato comigo e disse: "Ei, sabe de uma coisa? Agora você tem que pagar uma comissão." Eu disse: "Comissão por quê? Que história é essa? Como funciona?".
- Era muito dinheiro. E eu perguntei a ele: "Mas por quê? Onde no contrato está escrito isso?" E ele disse: "É assim que eu trabalho; tem gente que ajudou a fazer isso acontecer, eu tenho que prestar contas a eles." E eu disse: "Você nunca me disse isso".
- Conversei com meu agente, que viajou ao Brasil para resolver a situação. Aí ele disse: "Não é assim que funciona, como você pôde pensar isso? Eu reservei minha comissão para que você pudesse fazer seus negócios em paz, você tem que receber do Vasco." Ele respondeu que não, que era um caso à parte, que era assim que ele trabalhava, disse: "Eu tenho que prestar contas ao pessoal do Vasco e do Toluca".
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De acordo com o jogador, o valor pedido era alto e teria como justificativa supostos repasses a pessoas ligadas ao Vasco e ao Toluca. Sem aceitar a cobrança, ele relata ter sido ameaçado, inclusive com a possibilidade de não atuar pelo clube. O atleta disse ainda que outros jogadores do Vasco relataram situações semelhantes, nas quais teriam sido pressionados a pagar comissões para jogar.
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Jean David afirmou que decidiu pagar uma porcentagem para encerrar o assunto, mas que, mesmo assim, sofreu ameaças. Para ele, esse tipo de prática pode ajudar a explicar as dificuldades esportivas enfrentadas pelo clube nos últimos anos.
- Aconteceram algumas coisas e percebi que pessoas dos dois clubes estavam envolvidas. Outros jogadores do Vasco me disseram a mesma coisa: eles foram ameaçados de que, se não pagassem a comissão, não jogariam. Talvez seja por isso que o Vasco luta contra o rebaixamento há tanto tempo.
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Procurado, o Vasco se manifestou oficialmente e afirmou ter recebido as acusações "com espanto", ressaltando que não há, até o momento, qualquer denúncia formal feita pelo atleta ou por outros profissionais. O clube destacou que não compactua com práticas ilegais, informou que abriu uma apuração interna imediata e reforçou a existência de canais formais de compliance.
Veja a nota completa do Vasco
"O Vasco recebeu com espanto, através de matéria veiculada pela imprensa chilena, as acusações do atleta Jean Meneses envolvendo supostas cobranças indevidas, ameaças e condutas irregulares relacionadas à sua contratação, não havendo até o momento qualquer manifestação ou denúncia formal do próprio atleta ou de qualquer outro profissional do clube nesse sentido.
O Vasco não compactua com práticas que contrariem a ética e a legalidade e reforça que dispõe de canais formais, seguros e sigilosos de Compliance e integridade, justamente para o registro e a apuração de situações dessa natureza.
Tão logo tomou conhecimento das declarações, o clube determinou a imediata abertura de apuração interna para investigar os fatos com rigor e transparência.
O Vasco esclarece ainda que o não aproveitamento do atleta ocorreu exclusivamente por critérios técnicos da comissão técnica, sem qualquer relação com questões extracampo.
O clube reafirma seu compromisso com a ética, o respeito aos profissionais e a lisura de seus processos."
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