De cobranças no CT a xodó da torcida: relembre a trajetória de Rayan no Vasco
Jogador está de saída para o Bournemouth, da Inglaterra

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Criado na Barreira do Vasco, comunidade no entorno de São Januário, Rayan carrega o clube no DNA. Neto de Ademir e Taninha, moradores da região, ele é filho de Valkmar, ex-zagueiro revelado pelo Vasco e campeão da Libertadores de 1998 e dos Brasileiros de 1997 e 2000. Durante a passagem pelo clube, Valkmar conheceu Vanessa, mãe do atacante e então funcionária vascaína. Agora, aos 19 anos, Rayan se prepara para dar o maior passo da carreira rumo a Europa: a transferência para o Bournemouth, da Inglaterra. Vasco e clube inglês ajustam os últimos detalhes de uma venda que gira em torno de 35 milhões de euros.
Raízes no Gigante e projeção na base
Rayan chegou ao Vasco ainda no sub-7/sub-8, aos seis anos, e rapidamente passou a ser tratado como uma promessa geracional. A produção impressionou desde cedo: foram cerca de 280 gols até os 11 anos e, mais tarde, 31 gols em 44 jogos pelo sub-17 entre 2021 e 2023. Em dezembro de 2023, assinou o primeiro contrato profissional. Antes disso, já havia estreado no sub-20 com apenas 15 anos, acumulando 11 gols em 24 partidas na categoria. Ao todo, ultrapassou a marca de 300 gols nas divisões de base.
Recorde na estreia, cobrança e amadurecimento
A estreia no profissional aconteceu em 2023, contra o Audax, pelo Carioca. Com 16 anos, cinco meses e 17 dias, Rayan se tornou o jogador mais jovem a atuar pelo Vasco. O início, porém, foi de adaptação difícil. Dividido entre sub-17, sub-20 e time principal, sentiu o impacto da transição. O primeiro gol saiu no Beira-Rio, na derrota por 2 a 1 para o Internacional. Em 2024, ainda sem se firmar, viveu um dos momentos mais duros da carreira ao ser cobrado por torcedores em manifestação no CT Moacyr Barbosa.
— Você é o mais frouxo desse elenco. Tem 17 anos, joga desde a base e entra com preguiça — ouviu o jovem.
Na mesma temporada, chegou a ser alvo da Eagle Football, holding dona da SAF do Botafogo, em uma negociação que envolveria ida ao Lyon e outras contrapartidas. O negócio não avançou e Rayan permaneceu em São Januário. Em campo, os números ainda eram modestos: dois gols e uma assistência em 33 jogos.
A virada com Diniz e a temporada da consagração
A transformação veio em 2025, especialmente após a chegada de Fernando Diniz, em maio. Logo nos primeiros dias no clube, o treinador fez questão de blindar a joia vascaína e pediu publicamente para que a diretoria segurasse o atacante, apostando no seu potencial de valorização técnica e financeira.
— O Rayan é imperdível. Vender o Rayan agora é vender por um valor muito menor do que ele vai valer. Você não contrata outro Rayan. Ele estava muito abaixo do que pode render. Esse Rayan, pra mim, é só o início do que eu sinto. Tive uma conexão muito rápida. É um jogador que vai deixar muita saudade quando ele sair, mas não pode ser agora. Temos que arrumar outras alternativas. Ele é insubstituível. Não tem outro Rayan. Aquele outro Rayan jogava muito abaixo do que poderia. Ele faz parte do projeto do Vasco — afirmou Diniz.
O ponto de virada da temporada de Rayan parece ter ocorrido no final de agosto de 2025, durante o duelo entre Vasco e Corinthians. Após o time sofrer um gol, Diniz chamou atenção do atacante de forma enérgica à beira do campo, chegando a puxá-lo pelo braço para corrigir seu posicionamento defensivo. A cena repercutiu amplamente nas redes sociais e gerou debates sobre o estilo intenso do treinador.
Dentro de campo, a resposta foi imediata. Rayan explodiu na temporada: foram 20 gols e uma assistência em 2025, sendo 17 participações diretas em gols sob o comando de Diniz. A valorização foi rápida. Em agosto, o Vasco acenou negativamente para sondagens entre 15 e 20 milhões de euros, já projetando o atacante na faixa de 25 a 30 milhões.
Após marcar no empate com o Flamengo, em setembro, Diniz voltou a exaltar o jovem atacante:
— Não sei quanto ele vale agora, mas deve valer mais que o triplo do que estava. O Rayan é um jogador raríssimo, com poder de desequilíbrio gigantesco.
Nas arquibancadas, o atacante virou xodó da torcida. Em São Januário, o coro "Oi, boa noite. Será que vai ter gol do Rayan hoje?" passou a embalar as partidas do Vasco, simbolizando a virada de chave da joia do clube cruzmaltino.
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Clássicos, provocações e personalidade
Rayan também chamou atenção nos clássicos. Em 2024, uma discussão com André, então volante do Fluminense, viralizou após o rival questionar o nome "Valkmar" estampado na camisa do atacante em homenagem ao pai. Já em 2025, no primeiro turno do Brasileirão, o jovem provocou o rival tricolor ao fazer o gesto de "C", em referência à Série C disputada pelo Fluminense em 1999.
— É provocação do jogo. Clássico é assim. Não vou mudar minha personalidade — afirmou.
Na ocasião, o Fluminens venceu de virada e devolveu a provocação em suas redes sociais.
No returno, marcou na vitória por 2 a 0 e repetiu o gesto, reforçando a rivalidade e a identificação com a torcida vascaína.

Adeus a São Januário e novo desafio na Inglaterra
Mesmo com o esforço da diretoria para mantê-lo — e um pedido direto de Diniz para segurar o jogador —, o Vasco entendeu que o ciclo chegava ao fim. O Bournemouth foi visto pelo estafe como o destino ideal para garantir minutagem imediata e facilitar a adaptação ao futebol europeu. Rayan deixa São Januário com 99 jogos, 25 gols e duas assistências no profissional, além da marca histórica construída desde a base. Da Barreira do Vasco à Premier League, o atacante se despede como símbolo de uma geração e esperança de novos capítulos brilhantes no exterior.
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