Pelé, 80 anos em 80 dias: Antigos rivais destacam admiração pelo Rei
De adversário na final da Copa do Mundo de 1970 a oponentes nos gramados do país afora, não faltam elogios e momentos simbólicos sobre o aniversariante do mês

A dimensão de Pelé para o futebol mundial é tanta que transpõe rivalidades. Adversários históricos não esconderam sua admiração pelo "Rei do Futebol", que completou 80 anos na última sexta-feira. Antigos rivais também detalharam ao LANCE! emoções de todos os tipos em duelos com o camisa 10.
Em homenagem ao aniversário do Rei do Futebol, o LANCE! preparou a série "Pelé, 80 anos em 80 dias", com tributos desde a sexta-feira.
Titular da Itália na final da Copa do Mundo de 1970, o meia De Sisti destacou.
- Perguntar se eu gosto de Pelé é o mesmo que perguntar a uma criança se gosta de um bolo. A história do futebol é testemunha da sua grandeza - disse.
Em seguida, relembrou a impressão que teve dos jogos com o Atleta do Século.
- Enfrentei o Pelé pela Roma, pela Fiorentina e também defendendo a seleção da Itália, na final da Copa do Mundo de 1970. Ele parecia o mais forte de todos. A impressão é de que era um jogador de outro mundo - e emendou:
- O Mundial no México foi isso. O Brasil juntou a um grupo campeão um atleta fantástico. O resultado foi explosivo, fantástico. Este e Pelé - completou.
Colega do "Rei" na Copa do Mundo de 1970, Brito também é categórico sobre o seu antigo adversário que vestia a camisa do Santos. O zagueiro, que o enfrentou em passagens por clubes como Vasco e Cruzeiro, detalhou.
- A gente tinha de prestar bastante atenção a ele. Pelé era fora de série, sabíamos que se ele encontrasse um espaço, ia honrar a qualidade dele e abrir caminho para o gol. Nossa seriedade era muito grande, ainda maior. No período no qual eu jogava com o Fontana, conhecíamos muito o estilo de jogo dele, aí lutávamos para fazer nossa parte - e, em seguida, falou sobre a geração do Mundial de 1970:
- Pelé, assim como todos nós que estivemos na Copa do Mundo, fizemos parte de uma geração até hoje consagrada, considerada a melhor pelo povo. Isso é muito gratificante - completou.
Campeão da Copa do Mundo de 1962, assim como Pelé, Amarildo também recordou momentos nos quais se deparou com o "Rei" do outro lado.
- Fatalmente jogávamos contra. O Santos era uma seleção e o Botafogo também. E todos estavam bem concentrados, preparados para dar o maior valor aos seus respectivos clubes. Pelé era o nome mais importante deste verdadeiro esquadrão santista. Jogar contra ele era sempre difícil - declarou.
O "Possesso" ainda encarou o Peixe vestindo outra camisa: a do Milan, na final do Mundial Interclubes de 1963.
- Foi uma honra poder defender um clube estrangeiro, ainda mais da força do Milan, jogando com Mazzola (que, no clube "rossonero", adotou o nome de Altafini), (Cesare) Maldini... Mas este conjunto do Santos era muito forte, e isto passava pelo Pelé - declarou.
Amarildo também recordou o momento no qual teve a missão de substituir o "Rei" durante o Mundial de 1962.
- Aquilo é para não esquecer. Foi um prêmio para mim. O Pelé é para sempre aquele gênio, fico feliz de ter conseguido força para entrar e atuar com minha força na Seleção Brasileira. Além do Pelé, o Garrincha me ajudou muito, o Nilton Santos foi um pai para mim naquela Copa. Ter esta responsabilidade foi um privilégio e, melhor ainda, conseguir jogar bem, em uma equipe bem organizada, bem composta e muito forte como a Seleção bicampeã - declarou.
A reverência a Pelé ficou nítida também em Roberto Dinamite. Durante live no dia 12 de junho no "De Casa Com o LANCE!", o maior ídolo do Vasco detalhou sua reação diante de um episódio ocorrido em um duelo entre o Cruz-Maltino e o Santos, em 1973.
- Após um cruzamento do Paulo César "Puruca", peguei de voleio e fiz um belo gol. Aí, fui para a torcida do Vasco, comemorei e quando estou indo para o centro do campo, passei por ele, que me falou: "pô, parabéns, garoto, belo gol!". Eu falei: "pô, que é que é isso, Pelé!". Olhei assim, espantado... "Pelé falou isso para mim!". É uma coisa que me emociona até hoje porque me marcou muito. Era diferente do que é hoje a ligação com o ídolo. Eu vinha do juvenil em 1972, tinha subido para os profissionais em 1973 e fomos campeões em 1974, no primeiro ano no qual fui artilheiro - recordou.
O futebol mundial soube se unir na torcida por Pelé.

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