Sem acrobacia e com personalidade: Como o goleiro Alisson está se firmando na Seleção Brasileira
Se atuar contra o Uruguai, dono da camisa 1 do Brasil chegará ao quarto jogo como titular

A ascensão foi meteórica. De terceira opção - uma possível aposta para o futuro - a uma nova realidade de titularidade, entrando em jogos importantes e se firmando como titular do gol do Brasil. A trajetória de Alisson como goleiro da Seleção Brasileira ainda é curta - ele tem três jogos - mas, pelo andar dos acontecimentos, tem tudo para ser longa.
O gaúcho de 23 anos e 1,93m não tem nem duas temporadas completas como titular do Internacional, mas já "aposentou" Dida, colocou o irmão mais velho Muriel no banco e tem convencido o técnico Dunga e o preparador de goleiros Taffarel de que é o cara certo para cuidar da meta da Seleção Brasileira no caminho até a Copa da Rússia.
- Fico feliz por ter feito bons jogos, ter respaldo interno e externo - disse o camisa 1 da Seleção, que atuou contra Venezuela, Argentina e Peru.
Mais um fruto da escola de goleiros do Rio Grande do Sul, Alisson, inclusive, tem inspiração nos atributos do mentor Taffarel. O que foi citado pelo próprio goleiro da Seleção é a rejeição a uma postura espalhafatosa no gol.
- O Taffarel era um goleiro que passava muita segurança, tanto para os companheiros quanto para a torcida. Porque ele era um goleiro simples. Tenho essa característica de simplificar a defesa. Se posso escolher entre dar salto, dar um voo ou fazer uma defesa em pé, eu fico em pé. Eu valorizo bastante pegar a bola firme - analisou o colorado.
Na base da simplicidade com eficácia foi que Alisson ganhou a chance na Seleção. Aproveitou que Marcelo Grohe se machucou e que Jefferson deixou de ser o predileto de Dunga pelo desempenho na Copa América, na estreia nas Eliminatórias contra o Chile e por declarações na imprensa. Pegou dois jogos, em tese, simples (Venezuela e Peru, ambos em casa), mas entre eles teve o desafio mais complicado das Eliminatórias: Argentina, em Buenos Aires. Correspondeu e tem tudo para ser o escolhido novamente para enfrentar o Uruguai.
Mas como fazer com que os companheiros o vejam como porto seguro da equipe?
- Não há outra maneira a não ser jogar bem e se dedicar. O respeito no futebol é pelo que você faz dentro de campo - afirma Alisson, que virou capitão do Internacional na atual temporada e não se esconde da função de liderança, apesar de ainda ter 23 anos:
- A primeira forma de liderar é ser uma liderança técnica. É o principal fator para ser líder. Eu sempre fui de personalidade forte, sempre cobrei muito os meus defensores, cobro muito da equipe. No Inter foi assim, fui me tornando um líder e, hoje, sou capitão. É uma responsabilidade que assumi. Não me incomodo com a idade que eu tenho.
Hoje, Alisson tem dois concorrentes na Seleção. O próprio Marcelo Grohe, rival do Grêmio, e Diego Alves, recuperado de lesão. Mas o fato de ter concorrentes mais cascudos não intimida.
- Ter concorrentes de grande nível dá a responsabilidade de mostrar o melhor a cada jogo, a cada treino. Isso é positivo para todos os goleiros, permite um crescimento maior. É um prazer estar com o Marcelo, amigo de longa data. O Diego eu não conhecia pessoalmente, mas está fazendo um grande trabalho.

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