Em 1993 o Brasil apareceu pela primeira vez entre os 10 primeiros, com Romário, no Barcelona, ficando na segunda posição

Romário disputou duas Copas do Mundo e esteve próximo de outras duas (ANTONIO SCORZA / AFP)

LANCE!
22/04/2020
15:17
Rio de Janeiro (RJ)

Dia 19 de setembro de 1993. Onde você estava? Romário estava no Maracanã, de volta à Seleção Brasileira, para ser protagonista de uma das vitórias mais dominantes da história do time nacional. Aquele 2 a 0, com dois gols do atacante que marcou mais de mil ao longo da carreira, é a maior atuação dele. Segundo ele mesmo.

- Com certeza. Dentro de campo foi a minha maior exibição como jogador de futebol. Realmente foi um jogo inesquecível, até pela importância. O Brasil não vinha num momento muito bom, a torcida já tinha pedido várias vezes a minha volta. E acabou acontecendo. Tive oportunidade de classificar o Brasil para mais uma Copa do Mundo. Um jogo, em relação à performance, maior meu em todos os tempos - definiu o Baixinho em entrevista à Rádio Tupi.

A Seleção estava a perigo de não se classificar para o Mundial dos Estados Unidos, em 1994, no qual se tornaria tetracampeã. Foi então que Romário, já destaque do Barcelona (ESP) na época do duelo com o Uruguai, foi reconvocado após quase um ano ausente. 

Nos treinamentos para um amistoso com a Alemanha, em Porto Alegre (RS), no dia 15 de dezembro de 1993, o Baixinho percebeu que seria reserva. E o comportamento dele com o técnico Carlos Alberto Parreira lhe rendeu ser ignorado de sete amistosos, da Copa América e de sete jogos das Eliminatórias naquele período.

- Quando eu cheguei em Porto Alegre para aquele amistoso que teria contra a Alemanha, eu cheguei com 100% de certeza de que eu seria titular. Eles resolveram colocar o Careca e o Bebeto. A imprensa viu que eu fiz cara feia depois do treino, vieram em mim e me perguntaram se eu estava satisfeito. Eu falei que "era claro que eu não estava satisfeito porque eu vim (da Espanha para o Brasil) com o pensamento e desejo de ser titular, tinha comigo que eu era o melhor. Mas que eu estava ali, convocado e sempre que precisassem eu estaria à disposição." - revelou, antes de comentar a conversa com Parreira e outros membros da comissão técnica:

- Eles foram lá no meu quarto, conversaram, perguntaram se eu estava insatisfeito. Eu falei: "Claro que eu estou insatisfeito. Vim aqui para jogar. Se outros não estão (insatisfeitos), problema deles. Eu estou. Mas infelizmente são vocês que mandam, eu vou ter que acatar isso aí. Mas insatisfeito eu estou, e para c...." - repetiu.

Por todo este contexto de desavença, isolamento e retorno triunfal é que aquela partida foi tão importante para Romário. Ele lembra que entendia ser a chance de ele ser herói ou entrar para a história como o símbolo do eventual fracasso se a Seleção não fosse à Copa dos EUA.

- Quando fui convocado e cheguei aqui no Rio de Janeiro, eu tinha bastante consciência de que, apesar de ter sido convocado, muitos destes que acabaram me chamando não estavam torcendo pela minha vitória. Apesar de que a minha vitória seria a vitória do Brasil. Eu mentalizei que teria que fazer o melhor, dar o meu máximo e acabou dando muito certo - finalizou.