Brasil é anunciado como nova sede da Copa América (Foto: AFP)

Brasil é anunciado como nova sede da Copa América (Foto: AFP)

Fabio Chiorino e Rodrigo Borges
31/05/2021
21:20
São Paulo (SP)

É um absurdo, mas não surpreende diante dos envolvidos. Após as recusas de Colômbia e Argentina, o Brasil aceitou receber a Copa América, mesmo com quase duas mil mortes diárias por Covid no país, números novamente em alta e pouco mais de 10% da população imunizada com as duas doses da vacina.

Na manhã de ontem, a Conmebol anunciou de forma festiva a transferência do torneio mais antigo de seleções para o Brasil, fazendo agradecimentos à CBF e ao presidente Jair Bolsonaro.

Há ainda inúmeras questões abertas: como a entidade vai vacinar as seleções em solo brasileiro, onde a lei não permite a vacinação privada? O Campeonato Brasileiro continuará normalmente, mesmo com alguns estados recebendo o torneio? Haverá flexibilização para forçar o retorno do público aos estádios, o que já havia sido vetado na Argentina e na Colômbia?

O anúncio soa como zombaria, uma vez que o que está em jogo é apenas evitar prejuízo financeiro para a Conmebol. Não há nada que justifique a realização do torneio no continente onde apenas Chile e Uruguai têm maior controle sobre a pandemia.

Não é só um estorvo no já inchado calendário brasileiro, é também uma questão humanitária. Mas que no Brasil encontra o respaldo negacionista necessário para, mais uma vez, inverter as prioridades e colocar os negócios à frente das vidas.

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