Dunga: 'Nenhum jogador na história foi tão massacrado como eu em 1990'
Capitão do Tetra é tema de série documental que estreia nesta quinta-feira

A eliminação da Seleção Brasileira para a Argentina nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1990, na Itália, marcou uma geração, mas foi especialmente cruel com um jogador: Dunga. À época, a mídia brasileira e mesmo internacional personificou no volante o fracasso daquele time, considerado retranqueiro. Criou-se até uma expressão em tom pejorativo: Era Dunga. Quatro anos depois, porém, o mesmo volante teve sua redenção como capitão do Tetra. Agora, essa relação conturbada, a carreira e a trajetória fora de campo são passadas a limpo na série documental "Brasil vs Dunga – Futebol em Pé de Guerra".
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— Os que me conheciam como jogador vão me conhecer mais pelo lado do ser humano, da pessoa, do dia a dia. E os mais novos vão poder conhecer o Dunga como jogador. Eles ouviram falar do Dunga, das críticas, das falas, agora eles vão poder ver imagens. E eu acho que as imagens fortalecem muito mais do que palavras — disse Dunga, que concedeu entrevista exclusiva ao Lance! nesta quarta-feira (18).
— Atrás de um profissional, de um jogador de futebol, de um médico, dentista, jornalista, tem o ser humano. E às vezes ele é colocado de lado. A crítica e o elogio são feitos só pelo profissional, mas as pessoas não pensam que atrás disso tem um pai de família, tem um ser humano, tem os filhos, tem os irmãos, tem os amigos. Vai ser bom para as pessoas também reconhecerem esse outro lado —, considerou o capitão do tetra.
Além de defender a Seleção Brasileira por 11 anos e 81 partida como jogador, Dunga também foi treinador da Seleção Brasileira em duas oportunidades (2007-2010 e 2014-2016). Mas não tem a menor dúvida de que as críticas foram muito mais pesadas no período em que atuou como volante.
Dunga: 'Teve momentos que eu alimentei essa guerra'
— As críticas como jogador foram muito pesadas. Em toda a história do futebol brasileiro — nem brasileiro, mundial — só teve dois jogadores que foram massacrados: em 1950 (com o goleiro Barbosa) e eu, em 1990. As críticas eram muito veementes. Eu acredito que nenhuma vez na história teve um jogador que foi tão massacrado pela mídia como eu em 1990.
Mas, na entrevista ao Lance!, Dunga afirmou que a relação conturbada com a imprensa foi marcada por erros dos dois lados.
— Teve alguns momentos em que eu fui injustiçado, teve outros momentos que pela minha reação, meu temperamento, eu alimentei essa guerra aí. Mas por isso mesmo que nesse documentário as pessoas vão poder entender os motivos por que isso aconteceu.
Dividida em três episódios, a série é uma coprodução entre o SporTV e a Pindorama Filmes, com direção de Fernando Acquarone e produção de Estêvão Ciavatta. Os dois primeiros episódios serão exibidos na quinta-feira (19) à noite, a partir das 20h, e o último poderá ser visto no dia seguinte, às 21h. O documentário também ficará disponível no Globoplay.
🔔Nesta quinta-feira (19), o Lance! publica entrevista exclusiva com Dunga.

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