Pia Sundhage falou sobre sua expectativa no comando da Seleção Feminina

Pia convocou a Seleção feminina (Foto: Bruno Egger / MoWA Press)

Luiza Sá
20/08/2019
16:09
Rio de Janeiro (RJ)

A primeira convocação da Seleção Brasileira feminina de Pia Sundhage não tem muitas surpresas. Nesta terça-feira, a treinadora anunciou as 23 jogadoras para a disputa do Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino de Seleções, que acontecerá no Pacaembu. A lista contou com 18 remanescentes da Copa do Mundo da França. O Brasil estreia dia 29, contra a Argentina, às 21h30.

- Estudei o Brasil durante a Copa do Mundo. Acho que o jogo contra a França foi muito bom, com bons desempenhos. Ouvi algumas pessoas e algumas jogadoras. Temos viajado e conversado. Acredito que será, no futuro, uma mistura, mas nesse momento quero dar às jogadoras um novo início. Algumas jogaram bem na Copa. Tem as mais jovens, as mais velhas. Acredito que precisa de um grande coração. Elas precisam trabalhar duro por esse país para vencer a próxima partida. Não importa se é antigo ou jovem, só precisa ser uma boa jogadora - disse a treinadora.

- Entendo a opinião de que é uma equipe antiga, mas quero dar a segunda chance. Peço que vocês deem tempo. Preciso disso para me acostumar com o nível, entender as jogadoras. Temos jogadoras em vários lugares do mundo. Vou para os Estados Unidos assistir jogos, depois para a Europa. Vou dar uma olhada nas jogadoras mais jovens também, mas seria um erro pegar apenas jogadoras mais jovens. A mudança seria brusca demais. Vamos começar algumas menores. É a mensagem que eu passo com a Yaya, ela ficou super empolgada. As mais jovens vão pensar que se ela consegue, eu também. E as mais velhas vendo que tem jovens chegando. É uma competição, é importante, real e verdadeiro. Tem que trabalhar duro. Peço paciência, a mudança virá - explicou.

A competição acontece na primeira Data FIFA após a Copa, entre os dias 26 de agosto a 3 de setembro. Os outros convidados são as seleções da Argentina, Chile e Costa Rica. O torneio terá quatro jogos que serão disputados em rodadas duplas. Antes da estreia da Seleção Brasileira no dia 29, Costa Rica e Chile se enfrentam às 19h. Os dois vencedores passam automaticamente para a final. Em consequência, as duas equipes que perderem irão disputar o terceiro lugar.

Veja outras respostas:

Relacionamento com as jogadoras


É importante criar uma relação com o time e com cada uma das jogadoras. Quando eu jogava, não tínhamos nem celular. Hoje, dá para conversar pela internet. Falei com o preparador físico sobre resistência e conseguir jogar durante os 90 minutos. Na Olimpíada, só temos dois dias entre as partidas. Então tem que estar saudável e em boas condições físicas. Temos um programa dentro e fora de campo. Todas vão dizer que vão seguir, mas nossa função é seguir isso e garantir que todas estão dando o melhor. Preciso ser corajosa para apontar o que não está bom e também aquilo positivo.

Vivi isso com a Suécia em 2015. Levamos cinco jogadoras que não estavam 100% e é importante ter jogadoras saudáveis e em forma. Para garantir isso e que escolhamos as jogadoras certas, e também para que fiquemos com o máximo das habilidades. Temos que trabalhar muito, não podemos achar que nada é garantido. Essa jogadora específica, temos que dar apoio o máximo possível. Não apenas na convocação, mas antes. Se conseguirmos fazer um trabalho bom, estaremos bem.

Brasil

Eu amo o Brasil, é um país quente, as pessoas são amigáveis. Consigo sentir que todos querem nosso sucesso. Quem mora nesse país ama futebol. Tenho viajado bastante, me sinto confortável. Logo o Rio será o meu lar, me dê apenas alguns momentos e começarei a chamar de casa.

Quanto tempo para atingir um bom nível

Algumas coisas são importantes dentro e fora do campo. Todas tem que saber que eu represento o Brasil, todos estão olhando, tem que ter orgulho do que faz. Isso vem com o idioma, a expressão corporal. Tem que dar o melhor dentro e fora de campo. Se eu começo por mim mesma, se torna contagioso. Se eu coloco meus óculos de positividade e conseguir passar essa abordagem, teremos melhores chances de ganhar. Você também terá orgulho da jornada percorrida. Falando sobre o quanto vai levar para o Brasil chegar em um bom nível, espero que em dois meses estejamos bem. Tenho um técnico para a sub-20 e sub-17, o Japão está ganhando no futebol jovem, acho que podemos fazer o mesmo. A CBF anunciou os técnicos e que daria suporte. Aqui tem ótimas jogadoras, é o proximo passo. São jogadoras técnicas, tem como mudar a tática. Espero que juntos possamos fazer algo sensacional. Fico feliz que vocês estejam fazendo perguntas, espero que nos acompanhem. Mas nunca estamos sozinhos, tenho técnicos, especialistas, se trabalharmos juntos, dará tudo certo.

Jogos do Brasileiro que viu

Vi alguns jogos e diria que os pontos fortes são as jogadoras usando dentro e fora do campo, esquerda, direita, às vezes são imprevisíveis. Os pontos fracos são a transição do ataque para a defesa. As vezes está esperando alguém que faça a defesa. Sempre trabalhamos a defesa quando estamos sem a posse. É importante trabalhar como equipe. Quando está sem a bola, tem que fazer o possível para ajudar o time inteiro a recuperar.

Mudanças no time

É muito cedo. Tenho visto alguns jogos, vi o que foi feito antes, mas se olharmos a Copa do Mundo, todos falam sobre o avanço no campo, todos indo para frente, transições rápidas. Vi algumas jogadas muito boas. Vamos encontrar o ritmo do jogo e preencher o meio. Durante o ataque precisamos encontrar o jogador habilidoso no meio do campo. Se não funcionar, temos que achar uma forma de vencer sem assumir muitos riscos. Vou encontrar uma forma de mudar o ataque, fazer as mudanças ofensivas.

Boa reação com a escolha de treinadora

É incrível ter o apoio. No aeroporto alguém veio tirar selfie. Eu adoro, não estão tirando foto só de mim, mas do futebol feminino. Fico feliz com isso. Quando me reconhece,, estão reconhecendo o futebol feminino. Digo para a minha equipe que temos que trabalhar muito. Nada vem fácil. O jogo feminino está ficando cada vez melhor. Os Eua ganharam duas Copas seguidas, para interromper isso tem que trabalhar todos os dias. Não apenas um mês antes. Precisamos ser sinceros com o trabalho e incentivar as meninas, mesmo as que estão fora, a fazerem bons jogos para ter sucesso.

"Equal pay"


Igualdade é importante. Uma das razões que me fazem estar sentada aqui é porque as pessoas que tomaram essa decisão pensaram nisso. Sou boa em focar no que posso mudar. Aceitei a posição. A próxima etapa será criar uma equipe vencedora. É o melhor que eu posso fazer. Existem outras pessoas melhores para responder isso, não sou política, sou jogadora. Apoio isso 100%, mas quando discuto algumas coisas prefiro falar sobre o dentro de campo. Se fizermos um bom trabalho, será mais fácil falar sobre os ganhos femininos. É importante ser igualitário. Quando comecei a jogar, eu tinha seis anos e não me deixavam jogar. Agora estou aqui sentada do que espero que seja um dos melhores times do mundo.

O que terá de diferente

Algo que espero que vejam é uma atitude diferente para defender. Se estamos sem a posse, todos tem que entender que precisamos retomar a bola. Temos que ficar mais em torno de quem está com a bola. Ao invés de fazer jogadas mais longas, temos que fazer mais curtas. Pouco a pouco vão ver as mudanças.

Marta

Marta é uma jogadora importante. Muito importante na verdade. Mas para deixar estrelas brilharem no time eu falei com ela. Ela fala sueco, conhece o estilo sueco, a cultura sueca. Eu converso muito com ela por esse motivo. E se a gente falar da Copa, sobre algumas jogadas dela, ela consegue tirar a melhor performance das outras jogadoras. Jogando em Orlando eu irei assistir a uma partida e conversar com o treinador para que estejamos na mesma página. Espero que ela consiga seu melhor desempenho nas Olimpíadas. Foi eleita a melhor tantas vezes. Ela tem o coração certo para fazer o melhor dela, é muito importante para o time.