Análise: Neymar tem atuação apagada e aumenta dúvida por convocação de Ancelotti
Treinador da Seleção divulga lista nesta segunda-feira (16)

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O desempenho de Neymar no clássico entre Santos e Corinthians, neste domingo, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro, deixou a sensação de que uma eventual convocação para a Seleção Brasileira passaria muito mais pelo histórico do craque do que pelo que ele mostrou em campo. Se depender apenas da atuação diante do rival paulista, o chamado do técnico Carlo Ancelotti nesta segunda-feira (16) dificilmente seria sustentado pelo rendimento recente.
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Desde que passou por uma artroscopia no joelho esquerdo, no fim do ano passado, Neymar ainda busca recuperar ritmo e confiança. Em 2026, o camisa 10 disputou apenas quatro partidas, somando 315 minutos em campo. Na Vila, o cenário observado pelos representantes da comissão técnica da Seleção reforçou a impressão de que o atacante ainda está em processo de retomada física e técnica.
Em um camarote do estádio estavam o preparador de goleiros da Seleção, Cláudio Taffarel, além dos auxiliares Mino Fulco e Francisco Mauri. A missão do trio foi observar de perto a forma física do jogador, sua mobilidade e se o camisa 10 está plenamente recuperado da lesão. Além da observação in loco, a comissão também tem mantido conversas com o staff do atleta e com o departamento médico do Santos.
Antes mesmo de a bola rolar, o jogador protagonizou um momento familiar: pediu a bênção para a mãe, Nadine Gonçalves, e para a avó, Dona Berenice, que acompanhavam o clássico de um camarote da Vila Belmiro. O pai, Neymar da Silva Santos, também estava no estádio, em outro setor.
Dentro de campo, Neymar até tentou participar do jogo, buscou a bola e se movimentou, mas teve atuação discreta. Em vários momentos demonstrou falta de ritmo, com dificuldades em domínios que normalmente executa com naturalidade. A própria expressão corporal do jogador indicava incômodo com as limitações.
Três lances no primeiro tempo evidenciaram esse cenário. No principal deles, aos 47 minutos, recebeu lançamento dentro da área, mas se embolou com a bola e acabou errando o cruzamento. Antes disso, aos 17, viu Memphis Depay puxar um contra-ataque e abrir o placar com um belo chute colocado para o Corinthians.
Quatro minutos depois, porém, a simples presença de Neymar ajudou a mudar o roteiro da partida. Ao pressionar a saída de bola, acabou atrapalhando o zagueiro Gabriel Paulista, que se atrapalhou e deixou a bola limpa para Gabriel Barbosa. O atacante avançou e marcou o gol de empate santista.
Aos 39, o camisa 10 ainda levou um susto após uma entrada dura de Raniele. Neymar chegou a demonstrar incômodo no tornozelo, mas rapidamente se recuperou e seguiu na partida.
O segundo tempo manteve o mesmo panorama. Neymar seguiu buscando o jogo, mas errando passes pouco comuns para seu padrão e desperdiçando oportunidades. Atuando mais pelo lado esquerdo do ataque santista, tentou organizar algumas jogadas, mas sem grande impacto no ritmo da equipe.
Chamou a atenção um longo papo com Memphis Depay antes da cobrança de uma falta, enquanto um jogador do Santos recebia atendimento médico. Já na reta final da partida, o camisa 10 ainda teve uma boa oportunidade de cabeça ao se antecipar à marcação.
Nos acréscimos, apareceu a chance que poderia mudar a narrativa da tarde. Em um contra-ataque, Neymar foi derrubado na entrada da área. Na cobrança da falta, tentou surpreender o goleiro com um chute rasteiro, mas errou feio a pontaria.
Se dentro de campo ainda busca a melhor versão, fora dele o próprio jogador deixou no ar uma possibilidade que poucos imaginavam ouvir: a de ficar fora da próxima Copa do Mundo. Ao final da partida, Neymar adotou um tom cauteloso ao falar sobre a Seleção.
— Estou trabalhando para isso. Obviamente meu desejo é voltar à Seleção e jogar uma Copa do Mundo. Mas cabe à comissão escolher. Se eu estiver lá ou não, sempre torcerei pela Seleção — afirmou.
A frase resume bem o momento do camisa 10. A história construída por Neymar com a camisa amarela ainda pesa — e muito — na balança. É o maior artilheiro da história da equipe, com 79 gols. Mas, neste momento, a decisão está nas mãos de Ancelotti. E, principalmente, no tempo que o próprio Neymar terá para provar que ainda pode ser decisivo no maior palco e na maior competição do futebol.
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