Presidente do Deliberativo do São Paulo diz agir sem lado político e fala sobre polêmicas recentes
Votação do impeachment de Casares acontecerá na próxima semana

- Matéria
- Mais Notícias
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira, dia 9 de janeiro, para esclarecer questões sobre a votação do impeachment de Julio Casares e as investigações policiais que estão rondando a política do Tricolor nas últimas semanas.
➡️Tudo sobre o Tricolor agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! São Paulo
Olten alegou que em meio a todo este processo, "não estaria pensando em lado pessoal e sim focado no clube". O dirigente foi questionado sobre mudanças na votação. Nesta quinta-feira, divulgou um parecer alterando a data para sexta-feira que vem, dia 16 de janeiro, além de ter mantido as votações presenciais e aceitado a alteração que pede 75% do quórum para que Casares seja destítuido.
- Estou servindo aos interesses do São Paulo. Nenhuma das decisões tomadas fere o Estatuto do clube. A data da votação foi alterada porque mudou o embasamento da própria votação. Pelo Estatuto, os editais precisam ser publicados com oito dias de antecedência e, ao se alterar o regulamento, torna-se obrigatória a definição de uma nova data - disse.
- Sobre a mudança de quórum, trata-se de uma questão relevante. Existem, de forma surpreendente, dois artigos no Estatuto que tratam do mesmo tema, o 58 e o 112. O artigo 58 estabelece quórum de 75% dos conselheiros para a aprovação, incluindo o afastamento do presidente. Já o artigo 112 prevê a necessidade de dois terços. Há, portanto, uma contradição. Em situações assim, prevalece a norma mais favorável, conforme o princípio jurídico do in dubio pro reo. Sempre que houver duas normas sobre o mesmo assunto, aplica-se aquela que beneficia mais. Foi com base nisso que a alteração foi feita, sem qualquer relação com interesses pessoais ligados à minha função - completou.
Olten Ayres fala sobre posicionamento no consultivo
Nove membros do Conselho Consultivo do São Paulo se reuniram na tarde desta terça-feira (7) para debater e aconselhar o presidente Júlio Casares sobre o processo de impeachment em curso contra o dirigente. Olten Ayres participou do encontro e opinou ser contra o impeachment e contra uma possível renúncia por parte do Casares.
Após esta reunião, alguns grupos políticos do Tricolor começaram a se movimentar. O Lance! apurou que alguns deles estão deixando a Coalizão, que corresponde a união política que apoia o atual mandatário.
Inclusive, o "Legião Tricolor", que é coordenado pelo ex-diretor de futebol Carlos Belmonte. Dois grupos seguem em apoio a Casares ainda: MSP (Movimento São Paulo FC), que tem Dedé como líder, diretor do social, e Força Tricolor, que conta com Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo. Ayres foi questionado sobre seu posicionamento no Consultivo e sobre sua relação com a chapa de Julio Casares.
- Trata-se de uma análise exclusivamente jurídica. Se você teve acesso à ata do Conselho Consultivo, isso está claramente registrado: fizemos uma avaliação estritamente jurídica, sem entrar nos temas que você está trazendo. Sobre a questão de eu integrar ou não uma coalizão, não me coloco dessa forma. Como presidente do Conselho Deliberativo, preciso exercer minha função sem alinhamento político, atuando pelo lado do São Paulo, sem identificar se estou do lado A ou B. É isso que tem orientado a condução desse tema - disse.
- Você pode imaginar que sofri pressões de todas as ordens. Em momentos assim, seria até fácil recuar. Houve pressões para que retirássemos ou déssemos apoio a este ou àquele, mas não apoiamos ninguém. Nosso papel é organizar, administrar e cumprir o que determina o Estatuto. Essa é a nossa posição e a forma como temos administrado o São Paulo, às vezes de maneira mais incisiva, outras menos, inclusive em relação ao próprio presidente da Diretoria - completou.

Voto presencial
Mesmo que a manutenção relacionado ao número de quórum tenha sido alterada, o parecer de Olten Ayres manteve a votação da próxima semana de forma presencial. A oposição do São Paulo chegou a se manifestar quanto à possibilidade de votar de forma online, o que não foi acatado. O presidente do Conselho explicou o assunto.
- O voto presencial é a forma pela qual exercemos o nosso direito de votar e não há possibilidade de que isso seja contestado em qualquer esfera. Não se trata de uma decisão pessoal ou baseada em entendimento individual, mas de algo previsto nas normas do São Paulo. A chance de judicialização com êxito é zero, não há a menor possibilidade disso acontecer - disse.
- Quanto às responsabilidades pelos atos praticados, eu assumo todas. Tudo foi pensado, analisado e embasado, com pareceres jurídicos que respaldam as decisões. Por isso, estamos tranquilos em relação ao processo - completou.
O Lance! teve acesso ao edital e a todos os documentos envolvendo essas novas movimentações. De acordo com o informado, a reunião extraordinária para tratar do impeachment será realizada de forma presencial no auditório Monsenhor Doutor Francisco Bastos, no estádio do Morumbis. No argumento, foi utilizado a justificativa de "ter o objetivo de garantir a segurança, o sigilo do voto secreto e a legitimidade do processo".
- Matéria
- Mais Notícias

















