Cuca

A aprovação de Cuca é um dos pontos importantes para o São Paulo acertar com Pato (Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Fellipe Lucena e William Correia
19/03/2019
08:00
São Paulo (SP)

No sábado, Alexandre Pato usou suas redes sociais para anunciar que rescindiu com o Tianjian Quanjian, da China. Horas depois, o São Paulo perdeu para o Palmeiras. Uma sequência que aumentou a pressão para que o atacante, agora livre no mercado, volte ao clube, e a diretoria se movimenta para alcançar um dos principais pontos da negociação: convencer Cuca.

O técnico, figura central do planejamento para o segundo semestre, prioriza jogadores com outras características, como um meio-campista como Tchê Tchê e um atacante de velocidade e drible como Keno. Pato não está na lista de indicações do treinador, que tem início de trabalho no Tricolor marcado para o mês que vem. Mas os dirigentes têm motivos para lhe mostrar a importância de repatriar o jogador, que defendeu o São Paulo entre 2014 e 2015.

O LANCE! aponta abaixo os argumentos da diretoria para convencer Cuca:

Pato não atrapalha no orçamento
Ponto principal para convencer Cuca. O técnico tem a missão de reformular o elenco e não abre mão de ter seus pedidos atendidos. Ciente da condição financeira do clube, estabeleceu prioridades. A diretoria precisa provar a ele que pagar o salário de Pato não inviabiliza suas prioridades nem compromete a manutenção de peças que o treinador quer no elenco. Uma das alternativa é o atacante reduzir bem seu salário em relação ao que recebia na China.

Pedido da torcida
Os dirigentes expõem para Cuca algo bem claro: o impacto positivo que a contratação de Pato traria. Muitos torcedores pedem a volta do jogador e o seu retorno, certamente, acalmaria os ânimos em um ambiente de extrema pressão no momento. A ideia é o técnico entender que teria vida com menos complicações ao ter a torcida ao seu lado em vez de vê-lo como o vilão que impediu o retorno de alguém que os são-paulinos desejam.

Retorno técnico
Por mais que a reprovação de Cuca indique o contrário, esse é o ponto mais simples. O técnico não considera Pato um mau jogador. O seu questionamento à contratação tem como principal fator a questão financeira: o São Paulo conseguiria se dar ao luxo de bancar seus altos salários altos e, ao mesmo tempo, atender às solicitações de seu novo técnico?

Mostra disposição ao abrir mão de dinheiro na China
Dentro das costumeiras críticas à postura profissional de Pato, a diretoria tem um argumento nesse quesito além de citar o seu comportamento na primeira passagem pelo clube, entre 2014 e 2015. O atacante abriu mão de altos valores ao rescindir com o Tianjian Quanjian, com intenção de voltar ao futebol brasileiro para ser campeão. É uma prova de disposição importante.

Identificação com São Paulo
Na reconstrução do elenco, a identificação com o clube é apontada como um fator importante, e apenas Hernanes tem isso entre os jogadores que estarão à disposição de Cuca. Alexandre Pato não foi campeão no São Paulo, mas criou uma relação que se manteve mesmo fora do clube. O Tricolor acostumou-se a usar suas redes sociais para parabenizá-lo, por exemplo, e frequentemente foi respondido e citado por ele. Não à toa, a torcida o pede há mais de três anos.

Evitar repetir Ganso
​Há uma ala da diretoria que ainda se incomoda com o fato de Paulo Henrique Ganso ter ido para o Fluminense sem que o São Paulo tentasse contratá-lo. O meia estava disposto a voltar, facilitando o negócio, mas o clube enxergou que ele não se encaixaria nos planos da temporada e ficou a sensação de que se perdeu um bom reforço. Não seria nada interessante ver a situação se repetir.