Mente livre e troca constante: a receita de Calderano e Paco rumo ao topo
Treinador aposta na inovação do brasileiro em busca do pódio olímpico no tênis de mesa

Os resultados recentes de Hugo Calderano na elite do tênis de mesa refletem a parceria com o treinador Paco Arado — uma relação que, embora oficializada nesta temporada, é construída há anos. Em um cenário definido por detalhes, os dois apostam em troca constante, liberdade no jogo e criatividade como pilares para se manter entre os melhores do mundo e perseguir o inédito pódio olímpico.
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Aos 53 anos, Francisco Arado já desbravou muitos caminhos no tênis de mesa. Nascido em Guines, Cuba, ele foi medalhista de prata nas duplas mistas nos Jogos Pan-Americanos 1995 e de bronze no individual, em 1999. Ainda na década de 1990, Paco, como é conhecido, veio disputar torneios no Brasil, se estabeleceu no país e casou com a brasileira Monica Doti, atleta olímpica da modalidade.
Como treinador, Paco atuou nas categorias de base e foi assistente do francês Jean-René Mounier na seleção brasileira em 2010. Posteriormente, assumiu o comando técnico nos ciclos olímpicos de Tóquio e Paris. Ao longo desse período, acompanhou de perto a evolução de Hugo Calderano, que desde cedo se mostrou um atleta inteligente e detalhista.
Por isso, Paco não se vê como alguém que proponha mudanças drásticas na estratégia de Hugo, mas sim como um apoiador. A dinâmica dos dois funciona muito mais à base da troca do que como uma orientação vertical de treinador para atleta. Às vezes, é Calderano que chega com uma nova proposta de jogo; em outras ocasiões, o movimento vem do treinador.
— Hugo entende como ninguém o jogo do tênis de mesa. Não vai vir agora o Paco e falar: "você tem que fazer isso". Não é assim que funciona. É mais criar condições para que ele possa fazer o melhor, criar o melhor, se sentir o mais livre possível. Se ele está livre, com a mente tranquila, ele é bem difícil de bater - contou o treinador, em entrevista exclusiva ao Lance!.
Os dois começaram a planejar a parceria ainda no final de 2024, após os Jogos de Paris, mas oficializaram mesmo para a temporada 2026, quando Paco passa a acompanhar Hugo na maior parte dos torneios do circuito internacional. Após o WTT Champions de Chongqing, o treinador seguiu da China para a Alemanha, onde Calderano reside e atua pelo clube FC Saarbrücken.
Em fevereiro deste ano, Hugo alcançou a vice-liderança do ranking, sua melhor posição da carreira, após conquistar o título da Copa América de tênis de mesa. Atualmente, o brasileiro figura como o terceiro melhor do mundo, atrás apenas do chinês Wang Chuqin e do sueco Truls Moregard. A disputa no topo da elite é disputada no detalhe, mas o primeiro lugar está mais próximo do brasileiro do que nunca.
— Chegar no topo é uma realidade. O Hugo sempre vai querer buscar o melhor porque ele é um competidor, ele sabe competir. Mas, ao mesmo tempo, o caminho é bem importante. Então ele tem que desfrutar, tem que ter alegria para fazer as coisas. E como consequência podemos conseguir coisas especiais - pontuou.
O próximo compromisso de Calderano é a Copa do Mundo, em Macau, onde o brasileiro chega para defender o título. O torneio, organizado pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), é uma das competições de maior importância no cenário, atrás apenas do Mundial da modalidade, e rende 1500 pontos no ranking ao vencedor.

Retomada após Paris
Em Paris 2024, Hugo Calderano superou a própria marca e conquistou o melhor resultado de um brasileiro no tênis de mesa olímpico, com um quarto lugar. Porém, a campanha terminou com um sabor amargo: invicto até as semifinais, Calderano foi superado por Truls Moregard e, na sequência, pelo francês Felix Lebrun na disputa do bronze.
A frustração de chegar tão perto do objetivo de uma vida inteira ficou marcada nas lágrimas de Hugo, que fez um desabafo em conversa com a imprensa, após o último jogo. Apesar disso, o brasileiro seguiu para sua melhor temporada da carreira em 2025: além do título da Copa do Mundo, foi vice-campeão mundial, e se manteve no top-5 do mundo.
— Hugo é um vencedor. É um competidor que sabe que tem a possibilidade de ser campeão em qualquer torneio que ele joga, então, com certeza, ele vai sentir a dor da derrota, mas ele tem uma força mental muito especial. Sentir a derrota, mas se levantar e voltar a estar entre os melhores do mundo, é a vida dele - finalizou.
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