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Mente livre e troca constante: a receita de Calderano e Paco rumo ao topo

Treinador aposta na inovação do brasileiro em busca do pódio olímpico no tênis de mesa

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Beatriz Pinheiro
São Paulo (SP)
Dia 30/03/2026
06:00
Hugo Calderano foi acompanhado pelo técnico Paco Arado nos torneios de 2026
imagem cameraHugo Calderano foi acompanhado pelo técnico Paco Arado nos torneios de 2026 (Foto: World Table Tennis)

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Os resultados recentes de Hugo Calderano na elite do tênis de mesa refletem a parceria com o treinador Paco Arado — uma relação que, embora oficializada nesta temporada, é construída há anos. Em um cenário definido por detalhes, os dois apostam em troca constante, liberdade no jogo e criatividade como pilares para se manter entre os melhores do mundo e perseguir o inédito pódio olímpico.

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Aos 53 anos, Francisco Arado já desbravou muitos caminhos no tênis de mesa. Nascido em Guines, Cuba, ele foi medalhista de prata nas duplas mistas nos Jogos Pan-Americanos 1995 e de bronze no individual, em 1999. Ainda na década de 1990, Paco, como é conhecido, veio disputar torneios no Brasil, se estabeleceu no país e casou com a brasileira Monica Doti, atleta olímpica da modalidade.

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Como treinador, Paco atuou nas categorias de base e foi assistente do francês Jean-René Mounier na seleção brasileira em 2010. Posteriormente, assumiu o comando técnico nos ciclos olímpicos de Tóquio e Paris. Ao longo desse período, acompanhou de perto a evolução de Hugo Calderano, que desde cedo se mostrou um atleta inteligente e detalhista.

Por isso, Paco não se vê como alguém que proponha mudanças drásticas na estratégia de Hugo, mas sim como um apoiador. A dinâmica dos dois funciona muito mais à base da troca do que como uma orientação vertical de treinador para atleta. Às vezes, é Calderano que chega com uma nova proposta de jogo; em outras ocasiões, o movimento vem do treinador.

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— Hugo entende como ninguém o jogo do tênis de mesa. Não vai vir agora o Paco e falar: "você tem que fazer isso". Não é assim que funciona. É mais criar condições para que ele possa fazer o melhor, criar o melhor, se sentir o mais livre possível. Se ele está livre, com a mente tranquila, ele é bem difícil de bater - contou o treinador, em entrevista exclusiva ao Lance!.

Os dois começaram a planejar a parceria ainda no final de 2024, após os Jogos de Paris, mas oficializaram mesmo para a temporada 2026, quando Paco passa a acompanhar Hugo na maior parte dos torneios do circuito internacional. Após o WTT Champions de Chongqing, o treinador seguiu da China para a Alemanha, onde Calderano reside e atua pelo clube FC Saarbrücken.

Em fevereiro deste ano, Hugo alcançou a vice-liderança do ranking, sua melhor posição da carreira, após conquistar o título da Copa América de tênis de mesa. Atualmente, o brasileiro figura como o terceiro melhor do mundo, atrás apenas do chinês Wang Chuqin e do sueco Truls Moregard. A disputa no topo da elite é disputada no detalhe, mas o primeiro lugar está mais próximo do brasileiro do que nunca.

— Chegar no topo é uma realidade. O Hugo sempre vai querer buscar o melhor porque ele é um competidor, ele sabe competir. Mas, ao mesmo tempo, o caminho é bem importante. Então ele tem que desfrutar, tem que ter alegria para fazer as coisas. E como consequência podemos conseguir coisas especiais - pontuou.

O próximo compromisso de Calderano é a Copa do Mundo, em Macau, onde o brasileiro chega para defender o título. O torneio, organizado pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), é uma das competições de maior importância no cenário, atrás apenas do Mundial da modalidade, e rende 1500 pontos no ranking ao vencedor.

Paco Arado e Hugo Calderano nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2015
Paco Arado e Hugo Calderano nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2015 (Foto: CBTM)

Retomada após Paris

Em Paris 2024, Hugo Calderano superou a própria marca e conquistou o melhor resultado de um brasileiro no tênis de mesa olímpico, com um quarto lugar. Porém, a campanha terminou com um sabor amargo: invicto até as semifinais, Calderano foi superado por Truls Moregard e, na sequência, pelo francês Felix Lebrun na disputa do bronze.

A frustração de chegar tão perto do objetivo de uma vida inteira ficou marcada nas lágrimas de Hugo, que fez um desabafo em conversa com a imprensa, após o último jogo. Apesar disso, o brasileiro seguiu para sua melhor temporada da carreira em 2025: além do título da Copa do Mundo, foi vice-campeão mundial, e se manteve no top-5 do mundo.

— Hugo é um vencedor. É um competidor que sabe que tem a possibilidade de ser campeão em qualquer torneio que ele joga, então, com certeza, ele vai sentir a dor da derrota, mas ele tem uma força mental muito especial. Sentir a derrota, mas se levantar e voltar a estar entre os melhores do mundo, é a vida dele - finalizou.

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