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'Medalhões' da natação voltam a competir e miram Los Angeles 2028

Inclusão das provas de estilo em "tiro" curto nas Olimpíadas traz de volta nadadores veteranos

Supervisionado porThiago Fernandes,
Dia 26/05/2026
08:00
Etiene Medeiros, Nicholas Santos e João Gomes Júnior: os "medalhões" da natação
imagem cameraEtiene Medeiros, Nicholas Santos e João Gomes Júnior: os "medalhões" da natação (Fotos: Satiro Sodré/SSPRESS/CBDA)

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Etiene Medeiros (35 anos), Nicholas Santos (46) e João Gomes Júnior (40) são provas vivas de que a idade pode ser interpretada apenas como um número. Os "medalhões" da natação brasileira retornaram às piscinas em grande estilo em 2026, alcançando grandes resultados nas provas de estilo em curta distância no Troféu Maria Lenk. A adesão do programa olímpico aos 50m costas, borboleta e peito, respectivas especialidades de cada um, alterou o rumo dos planos de carreira dos veteranos, que se viram desafiados a buscar um espaço em Los Angeles 2028.

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Etiene: retorno pós-cirurgia e conciliação com a maternidade

Tricampeã mundial dos 50m costas, Etiene Medeiros foi a única dos três atletas que não chegou a se aposentar oficialmente das águas. A pernambucana pausou sua trajetória em 2022, quando realizou uma cirurgia para reparar o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo. Desde então, vinha se dedicando ao projeto social que leva seu nome, o Instituto Etiene Medeiros, que oferece aulas de natação e atividades multidisciplinares para crianças em situação de vulnerabilidade, em Recife. Além disso, atuou técnica da modalidade na Austrália.

Em 2024, veio o pequeno Kaleu, o primeiro filho de Etiene, que agora acompanha a mãe na missão pela terceira participação em Olimpíadas na carreira. Antes, ela disputou os Jogos do Rio 2016 e de Tóquio 2020.

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Kaleu acompanha a rotina da mãe, Etiene Medeiros, nas piscinas
Kaleu acompanha a rotina da mãe, Etiene Medeiros, nas piscinas (Foto: Reprodução/Instagram)

Apesar da clareza do objetivo maior, Etiene prefere não criar pressão para si mesma no momento. A atleta entende a responsabilidade de voltar a viver o esporte de alta performance, agora como mãe, mas prefere desfrutar da caminhada até Los Angeles 2028 sem a cobrança excessiva por resultados.

— Não existe e nem vai existir. Não quero que isso (pressão) exista. Porque hoje, sendo mãe e atleta, foi uma opção minha. Eu escolhi não ter pressão até 2028 e vou seguir assim. É um privilégio para mim estar de volta, e eu não posso usar essa fase que eu estou agora e colocar pressão. Eu acho que é colocar coragem para seguir. Tem que ter muita coragem para vir aqui e fazer o que a gente está
tentando fazer.

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No Troféu Maria Lenk, Etiene foi campeã dos 50m costas com tempo de 28s43 na final. Já nos 50m livre, ficou em quinto lugar ao concluir a prova em 25s66. A nadadora é recordista sul-americana e brasileira das duas disciplinas, com marcas de 27s14 e 24s45, respectivamente.

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Nicholas: da aposentadoria à afeição pelo ineditismo

Nicholas Santos quer estar na terceira Olimpíada da carreira aos 48 anos
Nicholas Santos quer estar na terceira Olimpíada da carreira aos 48 anos (Foto: Romulo Cruz)

Nicholas Santos deixou a aposentadoria para ir em busca da terceira Olimpíada da carreira. Assim como Etiene Medeiros, o tetracampeão mundial dos 50m borboleta estava parado desde 2022, mas por opção própria. Durante o hiato de quatro anos, se profissionalizou como empreendedor e palestrante.

O paulista de Ribeirão Preto terá 48 anos em 2028 e, caso se classifique para os Jogos de Los Angeles, terá a chance de se tornar o medalhista mais velho da história da natação. O título pertence a Dara Torres, dos Estados Unidos, vencedora de três pratas em Pequim 2008 aos 41. Entre os participantes, o posto de nadador mais velho nas Olimpíadas é de Evan Thomas Jones, da Grã-Bretanha, que disputou os 4 mil metros em Paris 1900, em pleno Rio Sena, aos 50.

Com participações em Pequim 2008 e Londres 2012 na bagagem, Nicholas também compreende que faz parte do processo de construção de um legado maior para a nova geração da natação brasileira. No Troféu Maria Lenk, o veterano dividiu piscina com atletas muito mais jovensGuilherme Caribé, vencedor da prova de sua especialidade, tem exatamente a metade de sua idade: 23 anos.

— O meu legado passa por tudo que eu construí dentro da natação, pelos títulos mundiais, por
ter sido um dos melhores do mundo na minha prova, mas principalmente por mostrar que a natação brasileira pode chegar lá. E acho que o mais importante hoje é o contato com essa nova geração. Poder contribuir com esses atletas também é muito importante. A gente cresce junto, independentemente da idade, buscando grandes conquistas. Eu estou com 46 anos, mas a sensação de estar competindo com atletas com metade da minha idade é muito boa. Eu acho que existe uma troca. Cada um ajuda da forma que pode, com experiência ou com energia. No fim, todo mundo cresce junto dentro do esporte.

Nicholas Santos fechou os 50m borboleta em segundo lugar, com 23s19, 23º melhor tempo do mundo no ano. Caribé, que ganhou a prova e ficou abaixo do índice exigido para o Pan-Americano Pacífico, fez a prova em 23s01.

— Eu tive só oito semanas de treino, que é um período muito curto, mas a cada competição eu tenho melhorado. Fiz 23s48 no Paulista, 23s40 na eliminatória e agora 23s19 na final. Agora o objetivo é chegar na casa dos 22 — destacou Nicholas, se referindo à sua melhor marca, 22s60, recorde brasileiro e sul-americano.

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João Gomes: a prorrogação de um sonho

João Gomes Júnior é mais um "quarentão" da natação brasileira em busca do sonho olímpico
João Gomes Júnior é mais um "quarentão" da natação brasileira em busca do sonho olímpico (Foto: Christophe Simon)

João Gomes Júnior é mais um "quarentão" que encarou o Troféu Maria Lenk para dar início ao sonho olímpico. Depois de um ano dedicado à carreira política como secretário municipal de esportes em Limeira, em São Paulo, o atleta recomeçou a trajetória profissional na natação e, logo de cara, conquistou vaga para o Pan-Americano Pacífico com o título dos 50m peito.

João concluiu a final em 27s15, mas fez 26s92 na eliminatória, 8º melhor tempo do mundo em 2026 e o necessário para conseguir índice e ser selecionado para o campeonato internacional. Com o intuito de continuar o processo de adaptação à rotina de competições, ele também disputou a prova de 100m do mesmo estilo e terminou em 9º lugar, tendo 1min02s como seu melhor tempo.

O capixaba, que participou das Olimpíadas do Rio 2016, conta que a inserção dos 50m borboleta no programa olímpico mexeu com sua cabeça, que já se preparava para uma aposentadoria. Ele ainda detalhou o processo de recondicionamento físico e a estratégia de recuperação do ritmo neste início de temporada.

— Para mim, é uma satisfação enorme poder estar retornando às piscinas. Eu estava em processo de destreino para começar a pensar em uma aposentadoria e, com a entrada da prova de 50m (peito) nos Jogos Olímpicos, começou a mexer um pouco com a cabeça. Aquela sensação de: "Poxa, eu acho que ainda dá para tentar um pouquinho". Estou com sete para oito semanas efetivas de treino. Eu vim treinando bastante em déficit para perder peso, então já consegui eliminar quase ali em torno de 10 kg. Eu não fiz uma temporada 100% focada na performance, né? Eu fiz uma temporada para voltar a nadar. A estratégia é: quanto mais competir, melhor — reforçou.

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