Judô e vela: o pioneirismo 'estrangeiro' que fez o Brasil gigante
Antes de Lucas Braathen na neve, estrangeiros já haviam aberto o caminho para o Brasil no pódio

O pioneirismo de Lucas Pinheiro Braathen, ao conquistar a primeira medalha olímpica de inverno do Brasil neste sábado (14), entrou para a história. Mas ele não foi o único atleta nascido fora do país a abrir caminhos inéditos para o esporte brasileiro.
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Naturalizado brasileiro e nascido na Noruega — filho de mãe brasileira e pai norueguês — Lucas colocou o Brasil no mapa da neve, tornando-se não apenas o primeiro medalhista olímpico de inverno do país, mas também o primeiro da América Latina a alcançar o feito. E essa história de pioneirismo com raízes estrangeiras já havia acontecido antes em modalidades tradicionais como judô e vela.

A vela começou com sotaque alemão e sueco
A primeira medalha olímpica da vela brasileira veio com Burkhard Cordes, nascido em Darmstadt, na Alemanha. Filho de Otto Cordes, campeão olímpico no polo aquático, ele se mudou para o Brasil ainda bebê e se naturalizou brasileiro. Ao lado de Reinaldo Conrad, conquistou o bronze na classe Flying Dutchman nos Jogos Olímpicos de 1968, garantindo a primeira medalha olímpica da modalidade para o país.
Anos depois, outro estrangeiro ajudaria a levar a vela brasileira ao topo do mundo. O sueco Lars Björkström, naturalizado em 1979, conquistou o ouro na classe Tornado nos Jogos Olímpicos de 1980, ao lado do paulistano Alex Welter. Foi o primeiro título olímpico da vela para o Brasil.
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O judô também nasceu internacional
No judô, modalidade que mais rendeu medalhas olímpicas ao Brasil, o primeiro pódio também teve origem estrangeira. Chiaki Ishii, nascido em Ashikaga, no Japão, tentou se classificar para os Jogos de Tóquio 1964, mas não conseguiu. Pouco depois, mudou-se para o Brasil, abriu uma academia em São Paulo e se naturalizou em 1969.
Representando o país nos Jogos Olímpicos de 1972, conquistou o bronze na categoria meio-pesado, inaugurando a trajetória olímpica do judô brasileiro — que se tornaria uma das maiores potências da modalidade.
Outro nome emblemático é Flávio Canto, bronze nos Jogos Olímpicos de 2004. Filho de brasileiros, ele nasceu em Oxford, na Inglaterra, enquanto o pai realizava doutorado. Criado no Brasil desde os dois anos, construiu aqui toda a sua carreira.

Raízes diversas, identidade brasileira
Assim como no frio das montanhas, o esporte olímpico brasileiro foi moldado por diferentes origens. Seja na neve, no mar ou no tatame, atletas nascidos fora do país ajudaram a escrever capítulos fundamentais da história esportiva nacional.
Mais do que coincidência, trata-se de uma marca: o Brasil cresce quando soma culturas, histórias e trajetórias. E, muitas vezes, seus maiores pioneiros começaram falando outro idioma.
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