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Do asfalto à neve: a história de Cristian Ribera até o pódio inédito nas Paralimpíadas de Inverno

Multiatleta e palmeirense, jovem de Rondônia superou 21 cirurgias na infância

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Beatriz Pinheiro
São Paulo (SP)
Dia 10/03/2026
10:00
Cristian Ribera durante treinamento para os Jogos Paralímpicos de Inverno
imagem cameraCristian Ribera durante treinamento para os Jogos Paralímpicos de Inverno (Foto: Alessandra Cabral/CPB)

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A trajetória de Cristian Ribera foi fora da curva desde o nascimento. Após um diagnóstico de artrogripose congênita e 21 cirurgias na infância, ele encontrou no esporte sua grande paixão. Nesta terça-feira (10), escreveu seu nome na história ao se tornar o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha nos Jogos Paralímpicos de Inverno.

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A condição de Cristian era um caso raro, e afetou o desenvolvimento dos membros inferiores. Para buscar o tratamento adequado, sua mãe, Solange, largou tudo em Rondônia e se mudou para São Paulo quando ele era um bebê de apenas três meses.

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Praticar esportes foi uma recomendação médica, e Solange, que já sonhava desde cedo em ter um filho atleta, não mediu esforços para incentivá-lo. Cristian fez capoeira, natação, atletismo, skate, sempre com um sorriso no rosto. Quando a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) chegou a Jundiaí à procura de atletas paralímpicos para o esqui cross-country, foi amor à primeira vista.

— Quando chegaram aqui, ele sentou no equipamento e saiu andando, saiu pelo percurso andando com o rollerski, e ia. O pessoal ficou encantado, falavam: "já descobrimos o cara que a gente precisa pra representar o Brasil" - relembrou Solange, em entrevista ao Lance!.

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Ali, começava uma história que colocaria Cristian em destaque no cenário mundial dos esportes de inverno. Com apenas 15 anos, foi para os Jogos Paralímpicos de PyeongChang e terminou em sexto lugar na prova dos 15km, o melhor resultado do Brasil até então. Ele também disputou a edição seguinte, em Pequim 2022, mas sofreu com Covid e uma infecção urinária, e encerrou sua participação fora do pódio.

Tudo em família

Os melhores resultados de Cristian no esqui cross-country vieram quando iniciou a parceria com o irmão mais velho, que passou a ser seu treinador logo após os Jogos de Pequim. Fábio, que estava prestes a concluir a faculdade de Educação Física, relutou em aceitar o convite do irmão, mas topou o desafio.

Juntos, os dois conquistaram, em 2025, o tão cobiçado Globo de Cristal, troféu entregue ao atleta campeão geral da Copa do Mundo das principais modalidades do esqui. Guardado com todo o cuidado em casa, o troféu é chamado de "bebê" pelos Ribera. Após uma temporada de tanto sucesso, Cristian foi eleito atleta do ano nos esportes de inverno pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

A família toda acabou se envolvendo com o esqui. Logo que Cristian conheceu a modalidade, a irmã caçula, Duda, também quis testar o esporte e construiu seu próprio caminho no inverno. Ela já representou o Brasil em duas edições olímpicas: Pequim 2022 e Milão-Cortina 2026.

Na falta de neve, os irmãos treinam nas ruas de Jundiaí utilizando o rollerski, modalidade em que o equipamento é adaptado com rodinhas para a prática no asfalto. Grande incentivadora dos filhos, Solange sobe na bike para acompanhar o trio e garantir a segurança durante os treinamentos na via pública.

Pela primeira vez, Solange e o marido, Adão, conseguiram viajar para acompanhar os filhos nas Olimpíadas de Inverno. Depois de acompanhar as provas de Duda, foi a vez de assistir a Cristian e Fábio em ação na cidade de Tesero, na Itália.

Cristian e Fábio Ribera, durante treinamentos para os Jogos Paralímpicos de Inverno
Cristian e Fábio Ribera, durante treinamentos para os Jogos Paralímpicos de Inverno (Foto: Alessandra Cabral/CPB)

O "Porco Loco" e a paixão pelo Palmeiras

A paixão de Cristian por esportes passa também pelo futebol. Como tantas coisas na vida, divide com os irmãos o time do coração, o Palmeiras. Durante a adolescência, ele publicava na internet vídeos de suas manobras no skate sob a alcunha de "Porco Loco". Cristian leva essa identidade até na pele: no braço direito, tem tatuada a imagem de um porco forte, deslizando na neve.

Torcedor fanático, ele costuma frequentar o estádio para acompanhar as partidas do time. Por capricho do destino, Cristian e os irmãos têm, nesta semana, mais de um motivo para comemorar. No último domingo (8), apenas dois dias antes da conquista da medalha inédita nos Jogos Paralímpicos de Inverno, o Palmeiras se sagrou campeão paulista.

Cristian Ribera, ao lado dos irmãos Fábio e Duda, torcedores do Palmeiras
Cristian Ribera, ao lado dos irmãos Fábio e Duda, torcedores do Palmeiras (Foto: Arquivo pessoal)

Sonho de verão

Além do esqui cross-country, Cristian Ribera também compete no atletismo paralímpico, nas provas de velocidade para a classe T54 (cadeirantes). Nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023, ele foi medalhista de prata nos 100m, 400m e 1500m, e de bronze nos 800m.

Apaixonado pelo atletismo desde a infância, Cristian sonha com o pódio nos Jogos Paralímpicos de Verão. Aos 23 anos e com uma carreira inteira pela frente, ele saiu do improvável para a referência e provou que não cansa de fazer história.

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