Dr. Rafael Fonseca explicou que não há comprovação científica e é preciso orientação médica (Foto reprodução)

Dr. Rafael Fonseca explicou que não há comprovação científica e é preciso orientação médica (Foto reprodução)

TATAME
01/08/2020
12:26
São Paulo (SP)

Uma recente pesquisa encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) mostrou que o novo coronavírus (Covid-19) fez a população brasileira consumir mais suplementos alimentares. Foram realizadas 275 entrevistas no mês de maio nas cidades de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém, Fortaleza e Brasília. O estudo mostra que em todos os lares houve o consumo de algum tipo de suplemento ou polivitamínico.

A pesquisa também revela que 48% dos entrevistados passou a consumir mais suplementos ou vitaminas. Outros 47% continuaram nas mesmas taxas tomadas antes da pandemia e apenas 5% dos entrevistados disseram ter diminuído o consumo de suplementos e vitaminas durante a quarentena.

Melhorar a imunidade foi a justificativa de 63% dos entrevistados da pesquisa, sendo que 9% destacaram o termo Covid-19, os três tipos mais procurados foram multivitamínicos (28%), vitamina C (26%) e vitamina D (6%). Por fim, 70% dos entrevistados que aumentaram o consumo dos suplementos disseram que vão manter o uso ao fim da pandemia:

- Não há comprovação científica de benefícios do uso de vitaminas C ou D, nem de suplementos alimentares, como zinco, na prevenção e tratamento do Covid-19 e em no aumento da imunidade, exceto em pacientes que apresentam hipovitaminose ou carência mineral - diz o nutrólogo Dr. Rafael Fonseca.

Vale destacar que nessa pesquisa, segundo o levantamento da Abiad, apenas 20% dos entrevistados disseram ter consultado um profissional da saúde antes de aumentar o consumo de polivitamínicos e suplementos. De acordo com a Tatiana Pires, presidente da Abiad, os entrevistados já tinham acompanhamento médico anterior, não havendo a necessidade de passar novamente em consulta.

- Infelizmente, o brasileiro tem o péssimo hábito de se automedicar. Quando se trata de vitaminas e suplementos, diferentemente de remédios, os pacientes preferem ver dicas na internet de blogueiras e indicações de amigas ao invés de procurar orientação especializada e individualizada - explica o especialista Dr. Rafael Fonseca, que também é ortopedista e médico do esporte.

Ter uma dieta saudável, com alimentos naturais, bem coloridos, já supre a necessidade de ingestão de vitaminas e minerais importantes para fortalecer o sistema imunológico — como as vitaminas C, D, do complexo B; e os minerais como zinco e selênio — e evitando a necessidade de suplementação. De acordo com o especialista, apenas quem possui uma alimentação restrita ou deficiência comprovada de algum nutriente deve fazer a suplementação, mas sempre sob orientação e acompanhamento médico.