Conheça o Dálmata, promessa que leva o Brasil ao topo do UFC
Melquizael Costa enfrenta o inglês Arnold Allen, neste sábado (16), no UFC Vegas

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O apelido de "Dálmata" nem sempre foi visto como algo positivo para Melquizael Costa, principalmente durante a infância. Protagonista do UFC Vegas 117, que acontece neste sábado (16), o brasileiro convive com vitiligo e buscou nas artes marciais um refúgio dos preconceitos sofridos. Agora, destaca-se como uma das grandes promessas do peso-galo (até 65,7 Kg) no Ultimate.
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Do bullying ao octógono mais famoso do mundo
O início da vida de Melquizael foi marcado por bullying devido à sua condição física, que faz com que o corpo perca pigmentação por causa de uma ação do sistema imunológico sobre as células que produzem melanina. Em entrevista ao UFC, o brasileiro chegou a abordar esse momento difícil que passou quando ainda era criança e o que fez para superá-lo.
— As pessoas confundiam vitiligo com lepra. Mas não eram as crianças que discriminavam; eram os pais que não deixavam os filhos interagirem comigo ou os afastavam de mim. Foi difícil. A luta foi o que me fez começar a ignorar isso — relembrou.
A vontade de "vingança" contra os preconceituosos se transformou em uma busca por melhorias dentro das artes marciais. Com o passar dos anos, porém, Melk percebeu que a condição não afetava mais suas relações fora da academia, e o que ficou foi, então, o amor pela luta. As vitórias se transformaram em sucesso, que se tornou uma nova oportunidade para o lutador.
Hoje, no maior palco do MMA mundial, Costa usa a projeção conquistada no UFC para inspirar crianças e jovens que convivem com vitiligo. Transformando o apelido "Dálmata" em símbolo de orgulho e superação, o lutador mostra que a condição jamais foi um obstáculo para alcançar destaque dentro e fora do octógono.
Divisão da sorte
Em sua trajetória no MMA, Melk passou por duas categorias tanto antes quanto depois de sua estreia no UFC: o peso-leve (até 70,3 kg) e o peso-pena (até 66 kg). No total, o cartel do brasileiro possui 33 lutas, com 26 vitórias e sete derrotas – sendo sete vitórias e duas derrotas na organização de Dana White.
A estreia do Dálmata no Ultimate ocorreu em janeiro de 2023 e, desde então, as coisas nem sempre foram marcadas por sucessos. A primeira luta, por sinal, acabou de forma rápida, com uma derrota decretada no segundo round por finalização. Na luta seguinte, o brasileiro finalmente descobriu como vencer na organização. Uma curiosidade? O revés aconteceu nos leves, enquanto o triunfo, nos penas.
Esse padrão se repetiu nos dois combates seguintes. De volta aos leves, a campanha do lutador somou mais uma derrota. Mas, quando a disputa passou novamente para os penas, mais um sucesso para o histórico de Melquizael no UFC. Desde então, não houve nova mudança de categoria, e o brasileiro não soube mais o que é perder: seis vitórias consecutivas.
Um finalizador nato
A faixa-preta de jiu-jítsu conquistada, no início deste mês, "apenas" carimba uma trajetória já marcada por grandes sucessos dentro do octógono. O alto nível de grappling apresentado por Costa se reflete em um estilo agressivo e extremamente eficiente, capaz de transformar pequenas brechas dos adversários em finais rápidos para os combates.
Os números ajudam a explicar esse cenário. Das 26 vitórias profissionais do brasileiro, 17 aconteceram pela via rápida – nove por nocaute e oito por finalização. A tendência de começar acelerado também chama atenção: 11 desses triunfos foram conquistados ainda no primeiro round.
No jogo de solo, a eficiência também chama atenção pela diversidade de ataques utilizados. Em vez de depender exclusivamente de um único golpe, Costa já demonstrou capacidade para liquidar adversários de diferentes maneiras, evidenciando repertório técnico amplo e criatividade nas transições. Entre as oito finalizações da carreira, o atleta já venceu com três mata-leões, duas chaves de calcanhar, além de golpes como anaconda, face crank e guilhotina, sem ficar preso a apenas um tipo de ataque.
➡️ Allen x Costa: confira card completo do UFC Vegas 117
Futuro promissor no UFC
Neste sábado (16), Melquizael tem mais um desafio pela frente em busca de mostrar que está pronto para disputar o cinturão dos penas. Ele atravessa o melhor momento desde que chegou à organização, embalado em uma sequência invicta recentemente de seis vitórias. No último confronto, ganhou ainda mais destaque depois do nocaute sobre Dan Ige, resultado que o colocou pela primeira vez como atração principal de um evento do UFC.
Do outro lado, Arnold Allen chega ao confronto buscando recuperação após ser derrotado pelo brasileiro Jean Silva no início do ano. Integrante da elite da categoria peso-pena há várias temporadas, o inglês construiu uma trajetória sólida no UFC, acumulando 20 vitórias na carreira e superando adversários de destaque ao longo do caminho.

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