O que foram a Primeira Academia e a Segunda Academia do Palmeiras
Os dois esquadrões que transformaram o Palmeiras em sinônimo de futebol técnico

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A história do Palmeiras possui vários períodos vitoriosos, mas poucos alcançaram o status quase mítico da Primeira Academia e da Segunda Academia. Mais do que times campeões do futebol nacional, essas equipes ficaram marcadas por um estilo de jogo refinado, inteligente e dominante, que fez a imprensa da época cunhar um apelido raro no futebol: "Academia", no sentido literal de quem ensina, de quem dá aula. O Lance! conta o que foram a Primeira Academia e a Segunda Academia do Palmeiras.
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Entre o fim dos anos 1950 e meados da década de 1970, o Palmeiras construiu dois ciclos distintos, separados no tempo, mas unidos por uma identidade clara: futebol técnico, meio-campo pensante e capacidade de competir no mais alto nível nacional, inclusive contra o poderoso Santos de Pelé. No centro dessas duas eras esteve um mesmo personagem, o maestro Ademir da Guia, elo entre gerações e símbolo máximo da elegância palmeirense. O Lance! explica mais sobre o que foram a Primeira Academia e a Segunda Academia do Palmeiras.
O que foram a Primeira Academia e a Segunda Academia do Palmeiras
A Primeira Academia do Palmeiras (1959–1969)
A Primeira Academia costuma ser situada entre 1959 e 1969, com seu auge na primeira metade dos anos 1960. Foi nesse período que o Palmeiras consolidou uma imagem de time sofisticado, capaz de aliar qualidade técnica, organização tática e resultados expressivos.
O contexto histórico ajuda a dimensionar essa façanha. O futebol brasileiro vivia a era do Santos de Pelé, talvez o maior time de clubes já visto no país. Enquanto a maioria dos adversários sucumbia, o Palmeiras não apenas competia, como frequentemente vencia esse Santos, tornando-se o principal rival esportivo daquele esquadrão lendário.
Estilo de jogo e identidade
A Primeira Academia se destacou pelo jogo apoiado, pela posse de bola consciente e pela enorme qualidade técnica do meio-campo. Não era um time de força bruta, mas de inteligência coletiva. A bola circulava com naturalidade, os jogadores se posicionavam com precisão e as decisões em campo pareciam sempre pensadas antes de executadas.
Foi exatamente esse padrão que levou cronistas e comentaristas a dizerem que o Palmeiras "dava aula" de futebol. O apelido "Academia de Futebol" surgiu quase espontaneamente, como reconhecimento da sofisticação daquele time.
Craques marcantes da Primeira Academia
Entre os nomes mais associados a essa fase estão Valdir de Morais, Djalma Santos, Djalma Dias, Waldemar Carabina, Julinho Botelho, Dudu, Servílio, Vavá e, sobretudo, Ademir da Guia, o cérebro e o símbolo maior do time. O elenco reunia experiência, talento e compreensão tática rara para a época.
Títulos da Primeira Academia do Palmeiras
Os resultados refletiram o futebol apresentado. O Palmeiras conquistou a Taça Brasil de 1960, além da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1967, repetindo o título do Robertão em 1969. Na contagem atual, essas conquistas são reconhecidas como Campeonatos Brasileiros.
No cenário estadual e internacional, vieram ainda os Campeonatos Paulistas de 1959, 1963 e 1966, o Torneio Rio–São Paulo de 1965 e torneios internacionais de prestígio, como os de Florença, Guadalajara e Ramón de Carranza, reforçando o prestígio internacional do clube.
A Segunda Academia do Palmeiras (1972–1976)
Após o fim do primeiro ciclo, o Palmeiras passou por um período de transição. No início dos anos 1970, no entanto, o clube voltou a montar um elenco excepcional, dando origem à chamada Segunda Academia, geralmente situada entre 1972 e 1976.
Esse novo time manteve o espírito técnico da Primeira Academia, mas incorporou características de um futebol mais moderno, com maior equilíbrio defensivo e intensidade física, refletindo as mudanças táticas do futebol mundial naquele período.
Continuidade e renovação
O grande elo entre as duas Academias foi novamente Ademir da Guia, agora mais experiente, atuando como líder técnico e emocional de uma geração renovada. Ao seu redor surgiram jogadores que trouxeram força, velocidade e solidez sem abrir mão da qualidade com a bola.
Estilo de jogo da Segunda Academia do Palmeiras
A Segunda Academia era um time extremamente competitivo. Continuava técnica, mas com uma defesa muito forte, transições mais rápidas e maior capacidade de controlar o ritmo das partidas. Era um Palmeiras que sabia atacar, mas também sabia sofrer quando necessário, algo fundamental no futebol dos anos 1970.
Essa combinação fez com que o clube voltasse ao topo do futebol brasileiro em um cenário já mais nacionalizado e competitivo.
Craques marcantes da Segunda Academia
Entre os destaques dessa fase estavam Leão, Luís Pereira, Alfredo, Dudu, Leivinha, Edu, César e, novamente, Ademir da Guia. O elenco reunia talento técnico e força coletiva, formando um dos times mais completos do país naquele momento.
Títulos da Segunda Academia
Os principais resultados vieram no plano nacional. O Palmeiras conquistou os Campeonatos Brasileiros de 1972 e 1973, já em um formato mais próximo do modelo que se consolidaria posteriormente. Em âmbito estadual, o grande destaque foi o Campeonato Paulista de 1972, vencido de forma invicta, com defesa pouco vazada e ataque eficiente.
Semelhanças e diferenças entre as duas Academias
As duas Academias compartilham elementos fundamentais. Ambas giravam em torno da genialidade de Ademir da Guia, apresentavam futebol técnico admirado até por rivais e tiveram enorme influência no cenário nacional e na Seleção Brasileira de suas épocas.
As diferenças aparecem no contexto e na execução. A Primeira Academia ficou marcada pelo confronto direto com o Santos de Pelé e por um jogo mais associado ao aspecto artístico. A Segunda Academia, por sua vez, destacou-se pelo equilíbrio, pela solidez defensiva e por uma competitividade ainda maior em campeonatos longos e mais exigentes.
Juntas, Primeira e Segunda Academia não apenas renderam títulos ao Palmeiras, mas construíram uma identidade histórica rara no futebol brasileiro: a de um clube vencedor que também é lembrado pela forma como jogava.
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