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A história do nome Palmeiras: por que o clube precisou mudar de nome em 1942?

Como a 2ª Guerra Mundial e o nacionalismo forçaram o fim do Palestra Itália.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 13/02/2026
07:32
A mudança de nome marcou um dos episódios mais dramáticos da história da Sociedade Esportiva Palmeiras. (Gilson Lobo/AGIF)
imagem cameraA mudança de nome marcou um dos episódios mais dramáticos da história da Sociedade Esportiva Palmeiras. (Gilson Lobo/AGIF)

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O Palmeiras foi fundado em 26 de agosto de 1914 por imigrantes italianos como Palestra Itália.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o clube foi pressionado a mudar de nome.
Em 17 de março de 1942, o nome foi alterado para Sociedade Esportiva Palestra de São Paulo.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

O clube que hoje atende pelo nome de Palmeiras nasceu em 26 de agosto de 1914, fundado por imigrantes italianos em São Paulo. Luigi Cervo, Luigi Marzo, Vincenzo Ragognetti e Ezequiel Simone deram origem ao Palestra Itália, uma associação esportiva que representava explicitamente a colônia italiana no Brasil. O Lance! conta a história do nome Palmeiras.

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Durante quase três décadas, o Palestra Itália foi mais do que um clube de futebol. Tornou-se um espaço de afirmação cultural, social e esportiva de uma comunidade numerosa e influente na capital paulista. As cores verde, branco e vermelho, a língua italiana em documentos oficiais e o próprio nome reforçavam essa ligação identitária.

Até o início dos anos 1940, o Palestra era um clube consolidado, competitivo e respeitado, com títulos estaduais e grande presença popular.

A história do nome Palmeiras

O contexto político: guerra e nacionalismo compulsório

A estabilidade institucional do Palestra Itália foi quebrada abruptamente pelo cenário político internacional. Com o avanço da Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou a adotar uma postura cada vez mais alinhada aos Aliados.

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Em 28 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do Eixo. Em 31 de agosto do mesmo ano, declarou oficialmente guerra à Alemanha e à Itália. Sob o regime do Getúlio Vargas, o Estado Novo intensificou uma política de nacionalismo compulsório, voltada especialmente contra instituições associadas a países inimigos.

Clubes, escolas, jornais e associações com nomes estrangeiros passaram a ser pressionados — ou obrigados — a se "nacionalizar". O Palestra Itália tornou-se alvo direto dessa política.

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A primeira tentativa: Palestra de São Paulo

Diante das pressões crescentes, a diretoria do clube buscou uma solução intermediária. Em 17 de março de 1942, o Palestra Itália alterou oficialmente seu nome para Sociedade Esportiva Palestra de São Paulo.

A estratégia tinha dois objetivos claros:

  1. Retirar a referência explícita à Itália
  2. Preservar a letra P, símbolo já consolidado na identidade do clube

O argumento formal era de que "palestra" era uma palavra de origem grega, significando "ginásio" ou "lugar de exercícios", e portanto não estaria necessariamente vinculada ao país inimigo.

Apesar da mudança, a solução foi considerada insuficiente pelas autoridades. O clube continuou sob vigilância e pressão direta.

A ruptura definitiva e a escolha do nome Palmeiras

Na madrugada de 14 de setembro de 1942, a diretoria do clube foi convocada para uma reunião extraordinária, sob exigência explícita de autoridades militares, para promover uma mudança total e definitiva de nome.

Diversas alternativas foram discutidas ao longo da noite, entre elas:

  • Piratininga
  • Paulista

Ao final de horas de debate, prevaleceu a escolha por Sociedade Esportiva Palmeiras. O nome atendia a dois critérios fundamentais:

  • Mantinha a letra P, elemento central da identidade do clube
  • Prestava homenagem à extinta Associação Atlética das Palmeiras, clube que havia apoiado o Palestra em disputas jurídicas no passado

Naquele momento, o Palestra Itália deixava oficialmente de existir.

A ironia histórica: morrer líder, nascer campeão

O episódio ganhou contornos ainda mais simbólicos por sua coincidência esportiva. No dia 14 de setembro de 1942, o Palestra Itália morreu líder do Campeonato Paulista.

Uma semana depois, em 20 de setembro, já como Palmeiras, o clube entrou em campo para o jogo decisivo do título estadual. Antes da partida, os jogadores carregaram a bandeira do Brasil, em um gesto claro de afirmação nacional.

O Palmeiras venceu e conquistou o Campeonato Paulista de 1942 em sua primeira partida oficial com o novo nome. Esse episódio entrou para a história como a "Arrancada Heroica", símbolo de resistência institucional e esportiva.

Cores, escudo e o que permaneceu para o Palmeiras

Apesar da mudança forçada de nome, o clube conseguiu preservar parte essencial de sua identidade:

  • As cores verde e branco foram mantidas
  • O vermelho, associado diretamente à Itália, foi eliminado
  • O escudo foi simplificado, substituindo as iniciais "PI" por apenas a letra P

O Palmeiras tornou-se um caso raro no futebol brasileiro: um clube que mudou de nome por imposição política, mas manteve seu esquema cromático original, algo incomum em processos de ruptura institucional.

Um nome novo, uma identidade preservada

A história da mudança de nome do Palmeiras revela um processo traumático, rápido e imposto, mas também uma impressionante capacidade de adaptação. O clube sobreviveu à pressão estatal, preservou símbolos centrais e transformou uma crise política em afirmação esportiva.

O Palmeiras nasceu, oficialmente, de um ato de coerção. Mas sua consolidação veio da resposta em campo — campeã, imediata e definitiva.

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