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A história da "Coreia" no Maracanã, o setor mais democrático da história do futebol carioca

Entenda o que foi a "Coreia" do Maracanã, a antiga Geral em pé.

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Lance!
São Paulo (SP)
Dia 17/02/2026
07:18
A Geral do Maracanã, apelidada de “Coreia”, ficava ao nível do campo e reunia o torcedor mais próximo do jogo. (Reprodução)
imagem cameraA Geral do Maracanã, apelidada de “Coreia”, ficava ao nível do campo e reunia o torcedor mais próximo do jogo. (Reprodução)

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A "Coreia" do Maracanã era o setor popular, em pé, que simbolizava o caráter acessível do estádio.
O apelido surgiu nos anos 1950, associando a atmosfera intensa do setor a uma zona de conflito.
Representava a mistura de torcedores de diversas origens e a ideia de pertencimento e participação ativa no jogo.
Resumo supervisionado pelo jornalista!

A "Coreia" do Maracanã é uma das imagens mais fortes da história do futebol brasileiro. O apelido popular designava a antiga Geral — setor em pé, ao nível do gramado, com ingressos baratos e atmosfera intensa — que durante décadas simbolizou o caráter popular do maior estádio do país. Mais do que um espaço físico, a Coreia virou sinônimo de um jeito de torcer e de uma ideia de futebol acessível. O Lance! lembra a história da "Coreia" no Maracanã.

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Desde a inauguração do Maracanã, em 1950, a Geral ocupava uma faixa de concreto colada ao campo, atrás do alambrado. Não havia cadeiras. O torcedor assistia em pé, espremido, quase no mesmo plano dos jogadores. Era o setor mais barato do estádio, o que garantia grande presença de trabalhadores, estudantes e torcedores de baixa renda. Ao mesmo tempo, atraía também quem buscava viver o jogo de forma visceral, independentemente de classe social.

O que era a Geral e como surgiu a "Coreia"

A Geral foi pensada como espaço popular dentro de um estádio monumental, concebido para ser "o maior do mundo" e receber multidões. Com ingressos acessíveis, o setor cumpria a promessa de que o Maracanã seria um estádio democrático.

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O apelido "Coreia" surgiu nos anos 1950, em referência à Guerra da Coreia (1950–1953). A comparação remetia à ideia de zona de conflito: um espaço permanentemente em ebulição, com gritos, provocações e tensão constante. Ali, o jogo parecia guerra simbólica. A expressão pegou de tal forma que virou parte do vocabulário do torcedor carioca.

Com o tempo, o termo extrapolou o Rio de Janeiro. Outros estádios passaram a chamar seus setores populares em pé de "Coreia", numa clara homenagem ao modelo do Maracanã.

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Por que era o setor mais democrático do Maracanã

A Coreia representava acesso. O preço do ingresso permitia que torcedores de diferentes origens ocupassem o mesmo espaço. Ali, o critério principal não era renda, mas disposição para viver o jogo intensamente.

O Maracanã, durante décadas, funcionou como verdadeiro "templo do povo". A Geral materializava esse ideal. Havia mistura real de classes, raças e bairros. Muitos torcedores que compravam ingressos de setores mais caros desciam para a Coreia por escolha, em busca de proximidade com o campo e da vibração coletiva.

A cultura do setor era própria. Radinho de pilha no ouvido, comentários em tempo real, correria coletiva acompanhando o ataque — quando a bola ia para a direita, todos corriam para a direita; quando o lance virava, a massa se deslocava junto. O corpo participava do jogo.

Ali também se construíram códigos específicos: humor ácido, criatividade nas provocações, interação direta com jogadores e árbitros. O alambrado servia de fronteira simbólica entre arquibancada e campo, mas a sensação era de participação ativa.

Cultura de torcer e identidade coletiva

A Coreia não era apenas lugar de assistir; era espaço de pertencimento. Muitos torcedores se reconheciam como "geraldinos", criando identidade própria dentro do estádio. Havia fidelidade ao setor, rituais e memórias compartilhadas.

Essa proximidade com o gramado produzia cenas icônicas: pressão sobre bandeirinhas, comemorações quase dentro do campo, vaias que ecoavam como muralha sonora. O setor também funcionava como laboratório de cantos e expressões que depois se espalhavam pelas arquibancadas superiores.

Para muitos, a Coreia representava o futebol sem filtros: cru, intenso, popular.

Reformas e o fim da Geral do Maracanã

A partir dos anos 2000, o Maracanã passou por sucessivas reformas. A preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e, depois, para a Copa do Mundo de 2014, acelerou mudanças estruturais profundas.

A Geral foi eliminada. O espaço em pé deu lugar a cadeiras numeradas, seguindo padrões internacionais de conforto e segurança. Em 24 de abril de 2005, o estádio recebeu sua última partida com a antiga configuração da Geral.

Pesquisas acadêmicas apontam que essas transformações alteraram o perfil do público. Com ingressos mais caros e redução de setores populares, o acesso tornou-se mais restrito. Muitos torcedores tradicionais deixaram de frequentar o estádio, fenômeno frequentemente associado à gentrificação dos espaços esportivos.

A Coreia desapareceu fisicamente, mas permaneceu como memória.

A Coreia como símbolo

Hoje, falar em "Coreia" no Maracanã é evocar uma época. É lembrar do torcedor colado no alambrado, do cheiro de concreto quente, do som contínuo de gritos e rádios de pilha.

O setor sintetizava a ideia de estádio democrático. A divisão principal não era econômica, mas emocional: estava ali quem queria viver o jogo no limite. A Coreia representava a fusão entre arquibancada e campo, entre espetáculo e participação.

Seu legado ultrapassa a arquitetura. Influenciou a cultura de torcer no Brasil e ajudou a consolidar o Maracanã como espaço popular por excelência. Mesmo sem existir fisicamente, permanece no imaginário coletivo como símbolo de um futebol mais acessível, mais próximo e mais intenso.

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