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Clubes do FFU na Série B criticam contratos de transmissão e falam em conflito de interesses com Cazé TV

Dezoito clubes divulgam comunicado em que reclamam de depreciação da Série B

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Daniel Lessa
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 06/02/2026
21:37
Liga Forte União se tornou a Forte Futebol União
imagem cameraFutebol Forte União recebe críticas de clubes da Série B

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A pouco mais de um mês do início da Série B 2026, os 18 clubes do Futebol Forte União (FFU) que vão disputar a competição assinaram um manifesto criticando as condições comerciais e os contratos de transmissão do torneio. Segundo o documento, divulgado inicialmente pelo site "Máquina do Esporte", o FFU tem tratado de forma secundária a competição, tendo como prioridade a Série A.

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Isso teria resultado na depreciação das cotas de transmissão e de patrocínio. O FFU tem nove clubes na primeira divisão do Brasileirão: Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense, Internacional, Mirassol e Vasco.

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No comunicado, o grupo cobra maior transparência nas questões financeiras, além de levantar possíveis conflitos de interesse entre o FFU e a agência Live Mode, que negocia os direitos de transmissão e, ao mesmo tempo, é proprietária da Cazé TV, que transmitirá o torneio. 

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O texto é assinado por América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport e Vila Nova (GO).

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Série B do Brasileiro começará no dia 20 de março (Foto: Cris Mattos/ Staff Images Woman/ CBF)

Confira o comunicado na íntegra

"À Liderança do Futebol Forte União (LFU/FFU),

Os clubes signatários, integrantes da Série B do Campeonato Brasileiro e membros do bloco comercial Futebol Forte União (FFU), vêm por meio deste expressar sua insatisfação e profunda preocupação com a atual condução das negociações comerciais, a gestão dos contratos de transmissão e a governança dos recursos financeiros do bloco.

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O cenário atual, às vésperas do início da competição, revela um descompasso alarmante entre as promessas iniciais do projeto de liga e a realidade executada. Diante disso, exigimos esclarecimentos imediatos e retificações sobre os seguintes pontos críticos:

1.           Desvalorização Institucional do Produto Série B. Observamos com preocupação que a estratégia comercial do condomínio tem concentrado esforços e ativos de marketing desproporcionalmente na Série A, negligenciando o potencial de alcance e engajamento da Série B. O produto que oferecemos ao mercado é robusto, possui torcidas nacionais e alta competitividade, mas a atual postura da liderança trata a segunda divisão como um subproduto acessório, falhando em vender a relevância real da competição para o mercado publicitário e de mídia.

2.           Depreciação do Valor das Cotas. Como consequência direta da falta de foco comercial mencionada anteriormente, os valores obtidos para as cotas de transmissão e patrocínios da Série B têm se mostrado aquém do potencial de mercado e da história das agremiações envolvidas. A estratégia de venda adotada não tem conseguido capturar o valor real dos nossos jogos, resultando em receitas estagnadas ou decrescentes em um momento em que a indústria do futebol mundial aponta para o crescimento.

3.           Sinalização Negativa nos Contratos Recentes. Os recentes acordos firmados por clubes como Náutico e São Bernardo servem como um alerta crítico para todo o bloco, evidenciando como os investidores parceiros não estão precificando adequadamente os ativos da Série B. A decisão dessas agremiações de buscar caminhos próprios no mercado é um sintoma inequívoco de que as condições oferecidas pelo bloco se tornaram pouco competitivas e desconectadas da realidade.

4.           Conflito de Interesses e Desgaste Institucional. Preocupa-nos o fato dos Investidores da FFU e a agência nomeada (LiveMode) manterem participações societárias entre si e com um canal próprio de transmissão (CazéTV), o que gera dúvidas quanto à imparcialidade das decisões e à efetiva defesa dos interesses dos clubes. Essa configuração tem provocado desgaste interno relevante e, na avaliação dos signatários, contribuiu para um desgaste significativo na relação com a Rede Globo, principal grupo de comunicação do país, com impactos negativos à imagem e às oportunidades comerciais do bloco.

5.           Opacidade nos Processos de Negociação. Há uma manifesta falta de transparência na condução das tratativas comerciais. Os clubes da Série B frequentemente são informados de acordos e estratégias apenas quando estes já estão em estágios avançados, irreversíveis ou consumados, sem acesso aos detalhes das conversas, aos interessados descartados ou aos critérios que nortearam as escolhas finais. Exigimos que as negociações sejam abertas para que todos os condôminos possam auditar e opinar sobre o destino de seus direitos.

6.           Ausência de Previsibilidade Orçamentária. É administrativamente inviável para qualquer agremiação iniciar a temporada sem a certeza dos valores exatos que receberá da Liga. A atual indefinição sobre os montantes finais compromete o planejamento financeiro, a montagem de elencos e o cumprimento de obrigações trabalhistas e tributárias. A falta de um orçamento base garantido e claro no início do calendário esportivo coloca os clubes em situação de fragilidade institucional.

7.           Inconsistência no Cronograma de Repasses. Além da incerteza sobre o "quanto", enfrentamos a insegurança sobre o "quando". A ausência de um calendário de repasses previamente definido e confiável para o fluxo de caixa gera transtornos operacionais severos. Os repasses têm ocorrido sem a devida previsibilidade de datas, obrigando os clubes a recorrerem a antecipações bancárias onerosas ou a atrasarem pagamentos, o que poderia ser evitado com um cronograma de desembolso transparente e cumprido à risca.

8.           Obscuridade nos Cálculos de Deduções e Custos. Identificamos uma falta de clareza preocupante na memória de cálculo que define os valores líquidos repassados. Descontos a título de earn-in, custos de produção, comissões e outras despesas operacionais são aplicados sem o devido detalhamento ou justificativa analítica prévia. Os clubes necessitam de relatórios discriminados que comprovem a necessidade e a precisão desses débitos, garantindo que não estamos custeando ineficiências da gestão central.

9.           Quebra de Compromissos e Expectativas. A relação de confiança tem sido desgastada pelo não cumprimento de promessas firmadas em mesas de negociação. Citamos, como exemplo, o compromisso recente do investidor em auxiliar nos custos de logística dos clubes – promessa esta que foi posteriormente retirada unilateralmente sob a justificativa de que a CBF assumiria tal encargo. Entendemos que o auxílio da Confederação não exime o investidor de cumprir seu compromisso original, configurando um recuo injustificado, que demonstra seu descaso com as promessas feitas aos Clubes da Série B.

10.        Desequilíbrio na Alocação de Recursos e Risco à Isonomia. Questionamos, ainda, a alocação desproporcional de recursos dentro do bloco, realizada sem critérios claros e publicamente debatidos entre todos os membros. Essa disparidade no repasse de recursos referentes aos contratos de transmissão e de comercialização de placas afeta diretamente a equidade da competição, criando abismos financeiros artificiais dentro da Liga que ferem o princípio da isonomia entre os condôminos e distorcem a competitividade esportiva.

11.        Necessidade Urgente de Revisão do Modelo de Governança e Diálogo. Diante de todo o exposto, julgamos insustentável a manutenção do atual status quo. A centralização excessiva das decisões e o distanciamento da liderança em relação às demandas da Série B exigem uma reformulação imediata. A adesão dos signatários ao projeto da LFU/FFU foi pautada na promessa de fortalecimento mútuo e equidade, premissas que, infelizmente, não se verificam na prática atual. O atual cenário nos obriga a iniciar uma profunda reavaliação interna sobre a viabilidade de defesa dos nossos interesses dentro deste arranjo atual.

O objetivo deste comunicado é trazer clareza a questões que consideramos vitais para a saúde financeira e institucional dos nossos clubes. Esperamos que a liderança do FFU receba estes pontos com a devida atenção e urgência.

Reiteramos nosso compromisso com o fortalecimento do futebol brasileiro e acreditamos que a união dos clubes segue sendo um instrumento valioso nessa direção.

06 de fevereiro de 2026. Atenciosamente,

Clubes da Série B – Liga Forte União

América Futebol Clube (MG)

Associação Atlética Ponte Preta (SP)  

Athletic Club (MG) 

Atlético Clube Goianiense (GO)

Avaí Futebol Clube (SC)

Botafogo Futebol Clube (SP)

Ceará Sporting Club (CE)

Clube de Regatas Brasil (AL)

Criciúma Esporte Clube (SC)

Cuiabá Esporte Clube (MT)

Esporte Clube Juventude (RS)

Fortaleza Esporte Clube (CE)

Goiás Esporte Clube (GO)

Grêmio Novorizontino (SP)

Londrina Esporte Clube (PR)

Operário Ferroviário Esporte Clube (PR)

Sport Club do Recife (PE) 

Vila Nova Futebol Clube (GO)

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