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CEO da N Sports defende livre concorrência entre emissoras e aposta na 'creators economy'

Executivo falou com exclusividade ao Lance! sobre os desafios da atual disputa no mercado de transmissões esportivas no Brasil

Dia 14/02/2026
07:00
Edinho Potsch é co-CEO da N Sports
imagem cameraEdinho Potsch é co-CEO da N Sports. (Foto: Divulgação)

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Há oito anos no mercado de transmissões esportivas, a N Sports fará, nesta temporada, sua estreia como codetentora da Copa do Mundo 2026, em um negócio fechado ao lado do SBT. O projeto levará transmissões do torneio de seleções para a TV aberta e fechada. O movimento mostra como o cenário dos direitos de transmissão esportiva no Brasil está mudando. O co-CEO da empresa, Edinho Potsch, que assumiu a partir da aquisição feita pela holding Ola Sports, em 2025, defende esse caminho.

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Em entrevista exclusiva ao Lance!, o executivo exaltou a importância da livre concorrência entre as emissoras brasileiras na briga pelos direitos de transmissão, que tem se tornado mais heterogênea a cada ano e apresentado novos players de exibição para o público. Em paralelo ao trabalho feito pela N Sports para agregar competições ao cardápio, Potsch direciona parte dos esforços da companhia para a "creators economy", vertente que aposta na participação de influenciadores digitais na produção e execução dos conteúdos da marca.

Para o co-CEO, ser detentor do direito de transmissão não garante qualidade na entrega e nem hegemonia na produção de conteúdo. Por isso, a N Sports passou a investir naquilo que fica por trás da exibição dos conteúdos ao vivo, como a criação de produtos veiculados pré e pós-partidas, além das redes sociais, guiadas por influenciadores parceiros.

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- Hoje, o mercado publicitário e nós, consumidores, temos procurado muito mais participar de uma conversa com um criador de conteúdo do que simplesmente a gente ter aquele acesso onde não existe conversa por uma tela. E a gente entende também que, trazendo esse ecossistema para dentro de casa, a gente se consolida realmente como uma empresa multiplataforma. E quando a gente fala de multiplataforma, vem de uma outra premissa nossa: o direito de transmissão não é o fim - destaca Potsch, que define a N Sports como uma produtora de conteúdo esportivo multiplataforma.

A visão do negócio mudou de vez a partir da compra da N Sports, anunciada em junho do ano passado. A aquisição uniu o canal esportivo a outras marcas do setor e que já tinham relação com a N, como a NWB, que comandava o canal de YouTube Desimpedidos, com mais de 10 milhões de inscritos. O grupo comprador tem Galvão Bueno como um dos sócios-investidores. Edinho Potsch destaca que a aquisição feita pela Ola no ano passado tinha como foco expandir o público-alvo do grupo no ramo esportivo e se manter como multiplataforma.

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- Quando a gente fez esse movimento de aquisição, é o entendimento de que precisamos ter canais e linguagens muito bem definidas para cada um desses públicos. Foi uma oportunidade que surgiu no segundo semestre, de absorver e realizar a compra da NWB, que vimos com muito bons olhos. Porque a N Sports já estava em uma nova fase, onde estava construindo a sua audiência, onde tem janelas de transmissões super importantes como Pay TV, Fast TV e também dentro do digital. Mas a gente entendia que era necessário trazer também esse benefício que é toda a audiência e a história que foi construída através da NWB - explica o executivo.

Potsch vê a Copa do Mundo como o principal produto para pôr em prática a premissa que a marca vem pregando desde a aquisição e expansão. Atualmente, a N Sports tem parceria com mais de 150 criadores de conteúdo, que se unem às produções originais do canal, mas também realizam entregas em collabs via redes sociais ou com participações na grade de programação, que é a definição da "creators economy", ou "economia dos criadores de conteúdo", em livre tradução. A escolha por esse modelo torna o evento ao vivo o meio do caminho entre a emissora e o consumidor, não o "prato principal".

- O que importa não é simplesmente a transmissão que vai estar na tela e o jogo que você vai assistir, mas é como eu consigo trabalhar com esse direito. Ele se torna o meio onde eu consigo expandir a conversa sobre aquilo que está sendo transmitido com diversos perfis de tom de voz. Seja com criadores, seja com canais, como o Desimpedidos. Buscamos entender como eu consigo gerar mais conversa sobre aquele conteúdo que a gente está produzindo para outros canais digitais, utilizando principalmente da creators economy. Em vários momentos ele [influenciador] não tem uma estrutura para produzir um conteúdo de qualidade, e para a gente ter mais engajamento e retorno, precisamos ter esses conteúdos de qualidade. Então a gente oferece toda a nossa estrutura para que ele esteja mais perto e tenha mais relevância, porque naturalmente isso também vai trazer mais resultado para a empresa como um todo - completou.

CEO da N Sports defende livre concorrência entre emissoras e aposta na 'creators economy'
Edinho Potsch tem Galvão como um dos sócios do projeto da Ola Sports e N Sports. (Foto: Divulgação)

Mercado amplia concorrência nas transmissões

O mercado esportivo é historicamente dominado por marcas fortes na televisão aberta. Globo, Band, Record e SBT revezaram entre si os direitos de exibição das grandes competições esportivas, fato que mudou na última década, principalmente após o período da pandemia, seja por novas empresas do mercado, como a Cazé TV, ou por novas marcas dos próprios veículos, a exemplo da criação da GE TV, da Rede Globo.

A Copa do Mundo deste ano não terá a emissora global como principal detentora. A rede de Casimiro Miguel será a única a exibir os 104 jogos do torneio, todos através do YouTube de forma gratuita, enquanto o SBT também gerou concorrência à Globo e passará partidas na TV aberta. Ou seja, há ampla concorrência em todos os meios de transmissão, sejam digitais ou por antena.

O executivo da N Sports pondera que o aumento na quantidade de detentores implica num investimento mais alto das emissoras para bater a concorrência. Entretanto, para Edinho, há uma maior qualificação no trabalho desenvolvido pelos players e um benefício ao público consumidor.

- Eu vejo de forma positiva essa concorrência, apesar de onerar bastante o mercado e o custo desses direitos. Mas a gente não tem que pensar só em nós próprios. Eu acho que quem a gente tem que pensar é na audiência, no público brasileiro, que é o que a gente quer: que eles tenham mais acesso aos esportes. [...] De toda forma, isso também se torna desafiador porque você precisa em todos os momentos ir atrás de uma inovação, de como se distinguir e fazer melhor do que o seu concorrente. E a gente vive em um país e em um mundo onde deve existir a livre concorrência, ela é super importante para essa frente, mas é muito desafiador - disse.

A estratégia montada em 2025 com a aquisição também buscou posicionar a N Sports como uma alternativa aos maiores nomes do mercado para coproduzir projetos, sejam os que envolvem as coberturas de eventos ao vivo ou não. Foi dessa forma que a marca se associou ao SBT para transmitir a Copa do Mundo e, ao mesmo tempo, mantém negócio com a Record. Neste acordo, a emissora digital assumiu a operação das transmissões do Brasileirão na TV aberta (dos clubes da FFU).

Ao mesmo tempo, foi amarrada uma parceria com o casting do Desimpedidos para comandar parte da exibição das partidas pela Record e programas de debate para repercutir o Campeonato Brasileiro, como o "Joga nas 11", exibido às segundas-feiras e sextas-feiras, às 14h, e atrações como o programa "Quarto do Chico", apresentado pelo narrador Chico Pedrotti, que recebe convidados para reagir aos melhores momentos dos jogos do Brasileirão. Diante disso, Edinho vê o atual cenário como propício para posicionar a empresa como uma parceira viável para as "concorrentes"

- O nosso intuito não é simplesmente atuar como concorrente. A gente não enxerga dessa forma. Porque da mesma maneira onde às vezes uma Record, uma Globo, uma Cazé TV tem o foco muito na transmissão do jogo, o acesso seja via plataforma digital, TV aberta, TV fechada, independente da janela de transmissão… eu questiono: o que é que a gente quer? Como que eu posso colaborar com o mercado, já que o meu know-how é a produção de conteúdo dentro do esporte? - completou.

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