Arena do futuro: por que o futebol não é protagonista dos novos estádios
Executivos debatem a transição das arenas para o mercado de entretenimento e a busca por rentabilidade além das quatro linhas

O cenário do esporte brasileiro aponta para uma mudança estrutural, com o futebol passando a ser a âncora do negócio e não mais o protagonista. Durante o evento São Paulo Innovation Week, realizado nesta semana entre os dias 13 e 15 de maio, o painel "Arena do Futuro" abordou como os estádios se transformaram em unidades de negócio. O debate focou em gestão de custos, busca por eficiência operacional e temas contemporâneos, como o uso de novas tecnologias e a conciliação estratégica entre o calendário de jogos e grandes espetáculos musicais.
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O futebol como âncora do ecossistema de entretenimento
Marcelo Frazão, vice-presidente de entretenimento da WTorre, empresa responsável pela administração do Nubank Parque, estádio do Palmeiras, entende que o futebol, isoladamente, não sustenta a operação das arenas modernas. Para o executivo, o esporte é o grande gerador de fluxo e consumo, mas a rentabilidade real que equilibra as contas ao fim do ano depende da capacidade de multieventos que as arenas são capazes de gerar.
— O futebol não é o negócio de uma arena, ele é a âncora do negócio. Ele te possibilita gerar consumo dentro da arena, mas apenas o futebol não consegue sustentar o business como um todo — destacou Marcelo Frazão.
Nesse modelo, as arenas são projetadas para ser centros de entretenimento, preparadas para shows e outras modalidades esportivas. O foco está no entretenimento ao vivo, que se consolidou como um artigo de luxo em uma sociedade cada vez mais digital.
— Arena multiuso é preparar a estrutura para receber eventos. Pensada no entretenimento ao vivo, que virou algo de luxo. — complementou o executivo da WTorre.
Os estádios pós Copa do Mundo de 2014: durabilidade e novos hábitos de consumo
A evolução da infraestrutura esportiva nos novos estádios também foi tema de análise. Leonardo Barbossa, diretor de operações do Atlético Mineiro SAF com atuação na Arena MRV, destacou que o Brasil vive uma segunda onda de estádios no período pós Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Segundo Barbossa, estas novas arenas já nascem com o conceito de multiuso integrado, focando em uma durabilidade que acompanhe as constantes mudanças de consumo do mercado.
— Estamos vivendo a segunda onda dos estádios. Temos os estádios pensados para a Copa do Mundo de 2014 e as novas arenas já preparadas para o multiuso. Estes novos estádios são construídos para que não seja algo perene e sem prazo de validade — enfatizou Leonardo Barbossa.

Experiência do consumidor e a rentabilidade
Para maximizar a receita, o setor entende que é preciso tratar o torcedor efetivamente como um consumidor. De acordo com os painelistas, quando a gestão foca exclusivamente no jogo, há uma perda de oportunidade financeira significativa. A estratégia atual consiste em utilizar tecnologia para gerar utilidade, fidelizando o público para além dos dias de partida.
— Ter uma obsessão pela melhoria para o consumidor e um foco na rentabilidade. Quando se foca muito no futebol, deixa-se de ganhar dinheiro para além do futebol. Uma atividade voltada para o consumidor, entendendo a maneira que se trata a rentabilidade dentro desse ecossistema, focada na experiência do torcedor. Uma versão mais modernizada e focada em business — apontou Marcelo Frazão.
Além disso, Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa especializada em infraestrutura esportiva, acredita que o modelo de negócio ainda não atingiu seu ápice. Para ele, o próximo passo de rentabilização envolve a capacidade das arenas também absorverem outros ramos esportivos.
— O modelo de negócio ainda não alcançou o ápice. Vai ser o ápice quando as arenas conseguirem rentabilizar um pouco mais usando outros esportes. Para a indústria, cabe proporcionar tecnologias que gerem mais utilidades, além da dualidade do show e do futebol. Criar eventos de diferentes ramos é algo que se precisa olhar, utilizando como exemplo as Olimpíadas, que trabalham com diferentes esportes ao mesmo tempo, com soluções de rápida adaptação e instalação — afirmou Sergio Schildt.
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