Vai dar liga? Desejo dos clubes de organizar o Brasileirão pouco avança
Em vez da bola, foco é no financeiro e em problemas com questões administrativas

O desejo dos principais clubes do País de se tornarem responsáveis por organizar o Brasileirão é antigo, mas pouca coisa indica que se tornará realidade tão cedo. A intenção inicial era de que isso acontecesse a partir deste ano, o que não ficou nem próximo de acontecer. Em março, dirigentes projetaram uma liga organizando o Brasileirão em 2027, mas desde então o que se viu foram brigas entre clubes, mudança no comando da CBF e, mais recentemente, decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) interferindo diretamente na Libra e na LFU, os dois blocos que reúnem a elite do futebol nacional. Nesse contexto todo, nenhuma discussão prática sobre organizar o campeonato teve qualquer avanço.
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Ao Lance!, a Libra declarou que "reafirma seu compromisso total com a criação de uma Liga única e profissional para o futebol brasileiro e informa que os trabalhos neste sentido estão em estágio avançado", mas ao mesmo tempo afirmou que "não há uma data pré-determinada para implementação" (veja nota na íntegra ao fim deste texto). Procuradas, LFU e CBF não se manifestaram.
A promessa de que os clubes seriam os responsáveis por organizar o Brasileirão ganhou força no início de 2022, quando os dirigentes condicionaram o apoio na eleição de Ednaldo Rodrigues à presidência da CBF à garantia de que a entidade não iria se opor a esse desejo dos clubes.
Mas o que se viu desde então foi uma discussão centrada na venda de direitos comerciais e de transmissão. Primeiro, houve um racha entre dois grandes blocos de clubes, que formaram a Libra e a LFU. Agora, há desavenças internas; clubes da Série B que integram os blocos foram pedir socorro financeiro à CBF, e uma ação judicial do Flamengo que questiona divisão de verbas da Libra fez dois integrantes do grupo, Atlético-MG e Vitória, anunciarem mudança para a LFU.
Esse movimento, contudo, está momentaneamente barrado pelo Cade, que apura possível prática de atos de concentração econômica não notificados previamente ao órgão. Não há prazo para conclusão, mas é possível que isso se arraste até o segundo semestre do próximo ano.

Nas ligas, debates sobre Brasileirão ficam em segundo plano; discussão é financeira
O debate efetivo sobre organizar o campeonato tem ficado em segundo plano, ou mesmo em plano nenhum. Em entrevista ao "Uol" no mês passado, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, foi direto:
— Nesses dez meses que eu tenho tido contato com o pessoal da Libra, não houve uma única reunião onde se discutisse algum assunto na pauta sobre o futebol brasileiro — afirmou.
A declaração indica que quase nada avançou em relação ao que os clubes vislumbraram no primeiro semestre. Em março, dirigentes se reuniram na sede da CBF, escolheram representantes da Comissão Nacional de Clubes e saíram do encontro procurando demonstrar confiança:
— Tenho certeza absoluta que, organizados a partir de agora, com certeza em 2027 a gente poderia organizar esse campeonato — declarou Bap, na ocasião.
— Eu acredito que com a eleição da Comissão Nacional dos Clubes a gente possa fazer uma pauta para olhar para 2026, para 2027, para 2028, como até um embrião da unificação das ligas — considerou à época Júlio Casares, do São Paulo.
Meses depois, Libra e LFU elaboraram um memorando de entendimento com vistas à unificar as ligas. Aí veio a ação judicial do Flamengo, a insatisfação dos clubes da Série B e a apuração do Cade.
Além disso, a CBF, que há três anos e meio prometia carta branca aos clubes, agora tem entendimento um pouco diferente sobre as ligas organizarem o Brasileirão.
— A CBF é representante máxima do futebol brasileiro perante Conmebol, Fifa. Nós acreditamos na construção de uma liga saindo de dentro da CBF, com a CBF sendo parceira dos clubes, dialogando, colocando o que tem que ser de clube e o que tem que ser de CBF — declarou o presidente Samir Xaud, em entrevista recente ao "SporTV".
O dirigente também previu um prazo maior para que a liga saia do papel.
— Acredito que antes do término da nossa gestão tenhamos uma coisa mais concreta —, disse ele, cujo mandato termina em 2029. O prazo, aliás, coincide com os contratos que estão em vigor tanto da Libra quanto da LFU.
Confira a nota da Libra
A LIBRA reafirma seu compromisso total com a criação de uma Liga única e profissional para o futebol brasileiro e informa que os trabalhos neste sentido estão em estágio avançado.
Não há uma data pré-determinada para implementação, mas estamos cada dia mais próximos deste objetivo. As discussões envolvem clubes e entidades líderes do futebol brasileiro, com avanço significativo na definição de premissas comuns.
As projeções divulgadas refletem o interesse coletivo na aceleração do processo, cuja implementação depende do cumprimento de etapas necessárias.
Continuamos trabalhando para entregar ao futebol brasileiro uma Liga moderna, profissional e sustentável no tempo mais curto possível.

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