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Vasco x Botafogo: clássico expõe crise e contraste nas SAFs de Textor e Pedrinho

Enquanto Botafogo vive crise societária, Cruz-Maltino tenta se reorganizar

Leonardo Bessa Simões
Rio de Janeiro (RJ)
Pedro Cobalea
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 04/04/2026
09:00
Atualizado em 04/04/2026
22:04
Pedrinho, presdidente do Vasco, e John Textor, dono da SAF do Botafogo (Foto: Divulgação)
imagem cameraPedrinho, presdidente do Vasco, e John Textor, dono da SAF do Botafogo (Foto: Divulgação)

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Na mesma semana em que John Textor voltou a citar o Vasco da Gama ao abordar o tema da SAF, o destino colocou frente a frente dois velhos rivais em um momento decisivo da temporada. Botafogo e Vasco se enfrentam neste sábado (4), em São Januário, às 21h (de Brasília), pela 10ª rodada do Brasileirão — em um duelo que carrega não apenas a rivalidade histórica, mas também contextos bem distintos dentro e fora de campo.

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A troca de farpas, no entanto, não é recente. Ainda em julho de 2024, Textor já havia direcionado críticas ao clube cruz-maltino ao comentar a decisão da diretoria de recorrer à Justiça para retomar o controle da SAF, movimento que, segundo ele, poderia abrir precedentes negativos no futebol brasileiro. A resposta veio de imediato, na voz de Pedrinho.

- Com muito respeito ao Textor, ele mexeu em um campo que ele não tem conhecimento. Falou que a 777 não descumpriu nada, descumpriu diversas coisas - afirmou.

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Diante da repercussão, o dirigente norte-americano recuou. Em tom mais conciliador, reconheceu que não dominava os detalhes do caso envolvendo a 777 e, publicamente, elogiou a postura de Pedrinho na condução da crise.

- O presidente Pedrinho está 100% correto. Não conheço os fatos do desastre da 777 e tenho a certeza de que é uma grande luta lidar com a natureza imprevisível do drama em evolução da 777. Os meus comentários foram certamente teóricos e eu estava apenas tentando falar sobre o impacto que esta situação tem nas percepções globais. Aplaudo seus esforços para proteger seu clube e desejo ao Vasco apenas os melhores resultados (a menos que nos enfrentemos, é claro!) - escreveu, em sua conta no Instagram.

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John Textor e João Paulo Magalhães (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
John Textor e João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo (Foto: Vítor Silva/Botafogo)

Meses depois, porém, o clima voltou a esquentar. Em setembro de 2024, durante uma coletiva no Estádio Nilton Santos, Textor retomou o assunto ao comentar uma reunião na CBF sobre fair play financeiro. Sem ter sido convidado, o empresário demonstrou surpresa ao saber da presença de Pedrinho e voltou a mencionar o antigo acordo do Vasco com a 777.

- Eu recentemente conheci o Pedrinho, do Vasco. Eu tenho conhecimento do contrato de SAF que o Vasco fez com a 777, que tinha um valor de investimento muito mais alto do que o do Botafogo. Foi uma surpresa minha saber que o Pedrinho estava nessa reunião, que eu não fui convidado, discutindo temas como limite de investimento. Porém, se a 777 tivesse ainda hoje no Vasco, eles estariam investindo assim como o Botafogo - afirmou.

A resposta cruz-maltina veio em tom firme e institucional, questionando o interesse recorrente de Textor nos assuntos internos do clube.

- John Textor, na sua insistência de falar o que não sabe, mentiu ao afirmar que eu estava presente na reunião da Comissão Nacional de Clubes. O Vasco foi representado pelo nosso CEO, Carlos Amodeo. Causou-me estranheza maior a afirmação de que tem "conhecimento do contrato da SAF que o Vasco fez com a 777", uma vez que o contrato citado é regido por cláusulas de confidencialidade e o acesso aos termos é restrito. Recentemente, ao se desculpar em público, afirmou que "não conhecia os fatos do desastre da 777", mas, agora, ao "conhecer" o contrato da VascoSAF, John Textor mostra que não entendeu uma única linha e que não sabe nada sobre o Vasco. Por que John Textor se preocupa tanto com a VascoSAF? Por que tenta desqualificar o Vasco em uma relação societária que não lhe interessa? As pessoas precisam entender, de uma vez por todas, que o Vasco de hoje tem representatividade, e não se calará jamais diante de qualquer insinuação infundada, e ninguém mais vai faltar com o respeito com a instituição que me ensinou o que é ser ético e não mentir - em nota oficial.

Pedrinho Coletiva Vasco
Pedrinho em coletiva do Vasco (Foto: Divulgação/Vasco)

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Agora, o cenário ganha novos contornos. De um lado, Textor convive com questionamentos e vê o Botafogo lidar com instabilidade fora de campo. Do outro, o Vasco avança em negociações para a entrada de um novo investidor e tenta consolidar sua reconstrução.

Em São Januário, portanto, o clássico ultrapassa os limites das quatro linhas: mais do que três pontos, o confronto coloca frente a frente dois projetos de SAF que, embora recentes, já seguem caminhos bem diferentes.

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