Logo do Lance! branca com exclamação amarela

Gestão Esportiva na Prática: O ciclo infinito dos protagonistas do futebol

Salvadores da pátria, heróis, vilões e de volta ao começo

PorFelipe Ximenes
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
14/05/2025 06:30
Atualizado em 14/05/2025 14:33

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Guilhotina do futebol brasileiro segue afiada em 2025 (Foto: Ale Cabral/AGIF)
Guilhotina do futebol brasileiro segue afiada em 2025 (Foto: Ale Cabral/AGIF)

A guilhotina do futebol brasileiro segue afiada e sem a menor demonstração que mudará em 2025. Em oito rodadas da Série A, sete demissões de treinadores: Mano Menezes – Fluminense (1ª rodada); Pedro Caixinha – Santos (3ª rodada); Gustavo Quinteros – Grêmio (4ª rodada); Ramón Díaz – Corinthians (4ª rodada); Fábio Carille – Vasco (6ª rodada); Pepa – Sport (7ª rodada); e Fábio Matias – Juventude (8ª rodada).

➡️Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte

Poucos ecossistemas cobram tanto sangue quanto o nosso futebol. Volatilidade, hostilidade e alta pressão fermentam um caldo que precisa, invariavelmente, de protagonistas. Eles chegam como salvadores, viram heróis na vitória e, na primeira sequência de tropeços, transformam-se em vilões dignos de decapitação pública. Depois de algum tempo, às vezes meses, às vezes semanas, são levados à posição de mártires e o ciclo recomeça, como um rito silencioso que mantém o espetáculo aceso.

continua após a publicidade

Durante décadas, o giro da guilhotina mirava quase sempre na cabeça dos treinadores. Hoje, a lâmina é mais democrática: corta também diretores executivos — que mal assinam o crachá — e jogadores, descartados antes mesmo de terem tempo de virar um campeonato em má fase. A idolatria dura um stories; a crucificação, um trending topic.

Quando as SAFs invadiram o mercado brasileiro (já são mais de uma centena delas, espalhadas pelo país), muitos apostaram que a lógica empresarial traria previsibilidade, blindaria projetos e deixaria a guilhotina emocional esquecida em algum lugar embaixo das arquibancadas. Ledo engano. A cartola trocou o linho pelo dry-fit, mas o velho instinto sobreviveu: ainda se empilha expectativa em cima de um nome e se joga o mesmo nome aos leões na virada seguinte. Mudou o cenário; permaneceu o script.

continua após a publicidade

O futebol precisa desses ciclos

A verdade é que lutar contra essa lógica é uma perda de tempo e de energia estratégica. O futebol, em sua essência cultural brasileira, precisa desses ciclos para se manter vivo, pulsante, relevante. O desafio para nós, gestores, é entender essa dinâmica, preparar-se para ela e não perder o foco no que realmente importa: construir clubes mais fortes, mais organizados, mais resilientes à montanha-russa emocional que é típica do nosso futebol.

Para os gestores esportivos, entender e aproveitar essa dinâmica é uma ferramenta estratégica fundamental. Em um mercado onde a narrativa se cria tanto dentro quanto fora de campo, saber gerir a imagem dos protagonistas do clube é imprescindível para manter a competitividade e fortalecer a marca.

continua após a publicidade

Quem domina essa gangorra prospera. Ajusta contrato, protege imagem, controla vazamentos, antecipa crises. Sabe que um herói bem gerido vende camisa, mas um vilão mal cuidado afunda patrocínio. Navegar entre o aplauso e a vaia, entre a manchete de euforia e a de escárnio, é a arte que separa os profissionais que vivem do futebol daqueles que apenas sobrevivem a ele.

Em resumo: não lute contra o enredo — escreva-o melhor.

1.🏟️ No futebol brasileiro, heróis e vilões mudam de rosto. Entenda como navegar nesse ciclo.

2.Gestores que sobrevivem no futebol são os que entendem a montanha-russa emocional.

3.🧠 Não tente mudar a cultura do futebol. Aprenda a liderar dentro dela.

4.🔥 O ciclo implacável do futebol: salvadores, heróis, vilões... e de volta ao começo.

5.🏆 Por que mesmo as SAFs não conseguiram quebrar a cultura emocional do futebol?

6.📈 Gestão no futebol: é possível ser racional em um ambiente de paixão?

7.🛡️ O segredo da liderança no futebol: não é resistir à emoção, é saber administrá-la.

8.🎯 Salvador hoje, vilão amanhã: o jogo invisível que todo gestor de futebol precisa entender.

Futebol - Chuteira
Saber gerir a imagem dos protagonistas do clube é imprescindível (Foto: Divulgação)

Gestão Esportiva na Prática: veja mais publicações

Felipe Ximenes escreve sua coluna no Lance! todas as quartas-feiras. Confira mais postagens deste colunista:

➡️Os Três Pilares da Gestão em 2025
➡️O futebol brasileiro mudou. Só falta avisar todo mundo
➡️O desafio da aposta legal e o preço da imaturidade no futebol

continua após a publicidade
Sugerida para você!

Mais LANCE!