Empresário brasileiro que negociou mais jogadores em 2026 detalha bastidores do mercado
Márcio Bittencourt explica a construção de carreiras e analisa impacto da Copa

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O mercado de transferências no futebol é frequentemente resumido a cifras milionárias e anúncios oficiais, mas a realidade por trás de cada negociação revela um processo complexo, estratégico e, sobretudo, de longo prazo. À frente de uma das empresas mais ativas do setor, o empresário Márcio Bittencourt — cuja agência foi a brasileira que mais movimentou atletas e a décima do mundo na janela do início de 2026, segundo o Transfermarkt — detalha os bastidores de uma profissão marcada por concorrência global, planejamento e tomada de decisão constante.
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Com mais de 150 jogadores sob sua tutela, entre categorias de base e profissionais espalhados por diferentes continentes, Bittencourt iniciou sua trajetória fora das quatro linhas. Ex-integrante do mercado financeiro, teve os primeiros contatos com o futebol ao gerenciar a conta do Clube do Zico. A partir dali, em 1999, decidiu migrar definitivamente para o agenciamento de atletas. Desde então, acompanhou — e participou ativamente — das transformações do mercado.
- No futebol, é muito difícil, porque precisamos prospectar jogadores, mantê-los como clientes e, depois, concretizar negociações. É um processo longo, que não é simples. Não é uma venda de supermercado. Estamos falando de um atleta que disputa espaço com dezenas de outros nomes, de diferentes países, com perfis e valores distintos - afirmou.

Mais do que intermediar transferências, o empresário ressalta que o trabalho passa pela construção de carreira. Segundo ele, é fundamental afastar a lógica de "produto" quando se trata de atletas.
- A gente desvincula essa ideia. Estamos lidando com a profissão de um jogador. Um exemplo recente é o do Rayan que conseguiu se consolidar como profissional e se transferir para o futebol inglês. Esse tipo de decisão envolve muitas variáveis. É um processo longo, não é fácil.
Ele também destaca uma mudança estrutural no futebol brasileiro, com clubes mais capitalizados e negociações mais complexas:
- Antes, era mais rápido vender jogadores de grandes clubes. Hoje, os valores são mais altos, os clubes estão mais fortes financeiramente e as negociações podem levar meses ou até anos.
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Nesse cenário, mercados considerados "periféricos" ganharam protagonismo nas estratégias de carreira. Países como Japão, Coreia do Sul, China, México e ligas como a MLS, além do mundo árabe, se tornaram destinos recorrentes.
- Então, esse mercado periférico hoje é muito relevante. A gente não tem dúvida de que somos uma empresa brasileira que, talvez até no cenário mundial, está entre as que mais representam atletas na Ásia.
Como exemplo, ele cita a trajetória de Juninho, que saiu da segunda divisão de Portugal, passou pelo Qarabag, se destacou na Liga Europa — inclusive contra o Bayer Leverkusen —, atuou no futebol brasileiro e seguiu para o exterior.
- Eu tenho um atleta que represento, o Juninho, que jogava a Segunda Divisão de Portugal. A gente negociou a ida dele para o Qarabag, do Azerbaijão, e, para muita gente, aquilo parecia o fim da carreira. Mas foi o contrário. Ele fez uma Liga Europa excelente, chegou às quartas de final contra o Bayer Leverkusen, que acabou sendo o campeão, e se destacou nos dois jogos, marcando gols e chamando a atenção de vários clubes. Na sequência, estávamos negociando a transferência dele para o Sevilla, quando surgiu uma proposta do Flamengo. Conseguimos fechar o negócio, e ele teve uma temporada muito vitoriosa no Brasil, conquistando títulos importantes. Depois disso, acabou sendo vendido novamente e hoje está no Pumas. Ou seja, há cerca de três anos, ele estava na Segunda Liga de Portugal, e conseguimos construir um caminho sólido a partir dali. Claro que tudo passa pelo desempenho dentro de campo, mas também houve um trabalho estratégico fora dele. Para mim, o caso do Juninho exemplifica muito bem a relação entre jogador e agente.

A experiência acumulada também levou Bittencourt a ser convidado para a terceira edição do Simpósio Internacional de Agentes e Negócios no Futebol, que será realizado em Miami durante a Copa do Mundo de 2026. Para ele, o evento representa uma oportunidade de troca em meio ao maior palco do esporte.
- Vou falar sobre agenciamento e carreira. É um convite importante, ainda mais acontecendo durante a Copa, quando muitos profissionais do futebol estarão reunidos - disse.
Apesar da coincidência com o Mundial, o empresário não prevê alterações significativas no comportamento do mercado.
- A janela segue normal. Clubes japoneses, coreanos ou brasileiros não param por causa da Copa. O que pode acontecer é o surgimento de jogadores que se destacam durante a competição e abrem novas portas. Mas, no geral, o mercado continua funcionando de acordo com as necessidades dos clubes -concluiu.
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