CBF quer reestruturar categorias de base no Brasil
Grupo de trabalho fará diagnóstico; intenção é mudar de calendário a leis

A CBF anunciou a criação de um grupo de trabalho (GT) para debater e reestruturar as categorias de base no Brasil. Segundo a entidade, a intenção é aprimorar a formação de atletas no País, além de propor "sugestões legislativas e institucionais voltadas à proteção da formação dos atletas, à sustentabilidade dos clubes formadores e à integridade do processo formativo".
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O GT será presidido por Felipe Diego Barbosa Silva, presidente em exercício da Federação de Futebol do Rio Grande do Norte (FNF), e terá relatoria de Helder Melillo, que é diretor Executivo da CBF. O GT será formado ainda por representantes de federações estaduais e de clubes, especialistas em formação esportiva e educação, e consultores técnicos independentes.
Na portaria que autorizou a criação do GT, o presidente da CBF, Samir Xaud, estabeleceu três objetivos específicos para o grupo: realizar um diagnóstico das competições, estruturas, modelos de formação e condições atuais da categorias de base, tanto do masculino quanto do feminino; reorganizar o calendário, as faixas etárias e os regulamentos das competições de base, com foco na integração entre o desenvolvimento esportivo e a formação educacional; e definir critérios mínimos de infraestrutura e qualificação técnica.
— Queremos construir um ambiente mais seguro, mais organizado e mais eficiente, capaz de preparar nossas crianças e adolescentes para uma trajetória sólida no esporte e, acima de tudo, para uma vida melhor. O Brasil sempre foi reconhecido por revelar talentos. Agora, queremos ser reconhecidos também pela qualidade do nosso processo de formação. Este é mais um passo importante na modernização do futebol brasileiro, um compromisso dessa gestão da CBF — declarou o presidente da CBF, Samir Xaud.
Formação na base vem recebendo críticas
Nos últimos anos, o modelo de formação de atletas e a prática cada vez mais disseminada de negociar jogadores jovens têm provocado críticas no Brasil. Logo que assumiu o Flamengo, o diretor de futebol do clube, José Boto, apontou que o País passou a copiar a Europa também em aspectos da formação, o que na sua visão era um erro.
— [O Brasil lançou] o Romário, o Ronaldinho, o Zico, e parece que quer fazer jogadores como na Europa. Isso é um erro. Eu acho que há de voltar um pouco atrás, àquilo que foram as raízes e os fundamentos do futebol brasileiro. Dar essa liberdade aos jovens atletas de errarem, de experimentarem, de não estarem agarrados a sistemas táticos e coisas assim. Depois, a partir de uma certa altura, eles vão ter tempo para isso — declarou o português, no início do ano passado.
Capitão do Tetra e ex-técnico da Seleção, Dunga apresentou opinião semelhante em entrevista o Lance!:
— Acho que o Brasil tem que dar um passo atrás e voltar os jogadores até 20 anos nos juniores. Porque é mais 10 horas de treinamento. É muito matemático: o jogador sobe para o profissional e fica na reserva, não joga 90 minutos. No outro dia ele treina menos. Na véspera do jogo, treina menos. São tudo horas a menos de treinamento que ele precisa. O jogador já com uma certa idade não precisa disso. Mas o mais jovem precisa — declarou Dunga na ocasião.

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