'Inimigos históricos' sediarão Eurocopa sub-21 em conjunto
Países travaram guerras, e relações se mantêm hostis

A Uefa anunciou na última terça-feira (4) que Albânia e Sérvia serão co-anfitriãs da próxima Eurocopa sub-21, em 2027. Os países dos Bálcãs são inimigos históricos, mas deixaram as diferenças de lado e apresentaram candidatura conjunta para sediar a competição.
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O torneio contará com 16 seleções e será disputado em quatro estádios na Albânia (Tirana, Shkoder, Elbasan e Rrogozhine), que receberá a final, e quatro estádios na Sérvia (Novi Sad, Loznica, Leskovac e Zajecar), local da abertura da competição.
Relações entre Albânia e Sérvia
As relações entre Albânia e Sérvia são marcadas por séculos de rivalidade territorial e tensões políticas. Durante o domínio otomano (séculos XV a XIX), líderes dos dois lados chegaram a cooperar contra os turcos, mas com objetivos divergentes. Nas Guerras dos Bálcãs (1912–1913), a Sérvia tentou estabelecer um corredor para o Mar Adriático, gerando tensões com a Albânia, que acabara de declarar independência. As rivalidades persistiram durante as duas Guerras Mundiais, agravando-se no período pós-Segunda Guerra, quando a Albânia rompeu com a Iugoslávia de Tito.
Nos anos 1990, durante as Guerras Iugoslavas, a Albânia apoiou a independência do Kosovo, região de maioria albanesa sob domínio sérvio. As acusações de "limpeza étnica" levaram à intervenção da Otan em 1999. Com a independência do Kosovo declarada em 2008 e reconhecida pela Albânia, as relações entre Tirana e Belgrado se deterioraram, com a retirada do embaixador sérvio. Kosovo permanece o principal ponto de discórdia entre os países.
Apesar das tensões, Albânia e Sérvia mantêm embaixadas e participam de organizações internacionais. A integração europeia tem incentivado diálogos técnicos, mas o alinhamento da Sérvia com a Rússia e questões de Estado de direito dificultam avanços diplomáticos. Projetos conjuntos de infraestrutura apoiados pela União Europeia, como a renovação de ferrovias, evidenciam um esforço de cooperação econômica.
A pressão para a integração na União Europeia pode forçar concessões mútuas, especialmente em relação ao status do Kosovo. O nacionalismo sérvio e a polarização em torno do tema permanecem obstáculos, enquanto a Albânia tenta alinhar-se às políticas da UE. Embora avanços diplomáticos e econômicos sejam visíveis, a reconciliação total depende da resolução do impasse sobre Kosovo e da manutenção de esforços multilaterais na região. Por sua vez, a organização conjunta da Eurocopa sub-21 parece um passo em direção à paz entre as duas nações.


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