Espanha x Egito tem cânticos racistas contra muçulmanos; Yamal desabafa: 'Vergonha'
Caso repercutiu em imprensas internacionais

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O amistoso entre Espanha e Egito, disputado na última terça-feira (31) no Estádio RCDE, em Barcelona, foi marcado por um episódio de racismo e islamofobia que manchou a despedida da seleção espanhola antes da Copa do Mundo. Cerca de dez minutos após o início da partida, parte da torcida começou a entoar o cântico "Quem não pular é muçulmano". O coro se repetiu minutos depois e voltou a ecoar no segundo tempo, até que o sistema de som do estádio pediu a interrupção.
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O episódio provocou reações imediatas. A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) publicou uma mensagem em suas redes sociais condenando o ocorrido. O sistema de som do estádio exibiu alertas nos telões, lembrando que atos racistas e xenófobos são crime. A polícia regional da Catalunha, os Mossos d'Esquadra, abriu uma investigação sobre os cânticos.
Apesar do canto direcionado aos adversários, Lamine Yamal, atacante do Barcelona e da seleção espanhola, que é muçulmano, também foi atingido. O jogador deixou o campo visivelmente abalado e, após a partida, foi o único atleta a não dar a volta no gramado para saudar os torcedores. Horas depois, ele se manifestou nas redes sociais.
– Sou muçulmano, alhamdulillah (louvado seja Deus). Ontem, no estádio, ouvi o cântico 'quem não pular é muçulmano'. Sei que era direcionado ao time adversário e não tinha nada a ver comigo pessoalmente, mas, como muçulmano, ainda assim é desrespeitoso e intolerável – escreveu Lamine.
– Entendo que nem todos os torcedores são assim, mas para aqueles que cantam essas coisas: usar uma religião como piada em um estádio faz vocês parecerem ignorantes e racistas. O futebol deve ser apreciado e celebrado, não usado para desrespeitar as pessoas por quem são ou no que acreditam – completou.
Cânticos do duelo entre Espanha e Egito são repercutidos na Europa
O governo espanhol também se manifestou sobre o caso. O ministro da Justiça, Félix Bolaños, usou as redes sociais para criticar os cânticos e associou o episódio ao crescimento da extrema direita no país.
– Insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade. A extrema direita não deixará nenhum espaço livre de seu ódio, e aqueles que hoje permanecem em silêncio serão cúmplices – escreveu.

O técnico da Espanha, Luis de la Fuente, também condenou o ocorrido em entrevista coletiva. O treinador afirmou que os responsáveis por atos como esse devem ser identificados e afastados da sociedade.
– Esses indivíduos violentos, que exploram o futebol, devem ser afastados da sociedade. É intolerável – afirmou.
A imprensa internacional repercutiu amplamente o caso. O jornal egípcio WinWin estampou "Cânticos racistas vergonhosos de torcedores espanhóis". O jornal espanhol AS estampou na capa: "Vergonha mundial".
O episódio pode render uma punição à Federação Espanhola. O Código Disciplinar da Fifa prevê sanções para federações cujos torcedores se envolvam em atos discriminatórios. Uma primeira infração pode resultar na realização de uma partida com capacidade reduzida e multa mínima de 20 mil francos suíços.
A Federação Egípcia de Futebol, no entanto, decidiu não apresentar queixa formal à Fifa. Em comunicado oficial, a entidade condenou o ocorrido, mas afirmou que o episódio não afetará as boas relações com a Espanha e a RFEF.
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