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Roque Júnior reflete sobre racismo e futebol: 'Não é só na Europa'

Ex-zagueiro diz que Brasil também é país racista e analisa avanços contra o preconceito racial

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Pedro Werneck
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 23/03/2026
08:00
Jogadores do Flamengo fazem gesto antirracista em ação antes de duelo com o Remo no Maracanã (Foto: GIlvan de Souza / Flamengo)
imagem cameraJogadores do Flamengo fazem gesto antirracista em ação antes de duelo com o Remo no Maracanã (Foto: GIlvan de Souza / Flamengo)

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O ex-zagueiro Roque Júnior pôde experienciar a vida de jogador em diferentes países: atuou na Itália, Inglaterra, Alemanha e Catar. Hoje, vê o tema do racismo no futebol ser amplamente debatido no Brasil a partir do cenário europeu, ecoado especialmente pela luta de Vinícius Júnior contra o preconceito. No entanto, o campeão mundial destaca que considera fundamental olharmos também e ainda mais para o que acontece dentro do nosso país.

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— É importante falar não só da Europa. Nós vivemos em um país que majoritariamente não é branco, às vezes a gente fala muito de fora e não olha para casa. Eu sofri, sim. Demorou muito tempo para a Fifa criar esse protocolo, que não tinha na minha época. Vale a gente olhar para fora, mas também fazer uma reflexão do nosso país. É um país racista, sim. Eu sou negro e vivo isso desde pequeno. Venho de uma família que sofreu e sofre até hoje — afirmou ao Lance!.

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O ex-defensor observa avanços na luta contra o racismo dentro do futebol, com a criação do protocolo antirracismo, e fora, com a criminalização da injúria racial. No entanto, ainda aponta um caminho muito longo a ser percorrido. Por mais que dê grande valor ao posicionamento de atletas como Vinícius, Roque Júnior lembra que o preconceito é um problema da sociedade que se reflete no esporte, não o contrário.

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— As coisas mudam muito lentamente. Houve uma mudança muito importante de caracterizar o racismo como crime, mas ele está na nossa sociedade. O futebol é apenas um reflexo da sociedade. Acho importante o posicionamento do Vini Jr, ele falar, porque isso também reflete na sociedade. Mas a gente tem que partir mais da sociedade para o futebol, não o contrário. Ele é uma pessoa que consegue, por estar no Real Madrid, ser um grande jogador, fazer com que as pessoas tenham um olhar maior para um problema histórico, que precisamos acabar, mas não é fácil. Essas ações da Fifa, a caracterização como crime no país e as pessoas falando são parte do caminho, mas ainda está longe de acabar. É necessário continuar lutando de todas as formas — acrescentou.

Momento em que Vini Jr acusa Prestianni de ter dito uma injúria racial após tapar a boca com a camisa em Benfica x Real Madrid
Momento em que Vini Jr acusa Prestianni, do Befica, de injúria racial; árbitro paralisou o jogo após a denúncia (Foto: Patricia De Melo Moreira / AFP)

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Protocolo antirracismo da Fifa

O protocolo antirracismo da Fifa foi instituído em 2024, capacitando árbitros a paralisar ou encerrar partidas em casos de discriminação. O processo inclui o gesto de braços cruzados em "X", aviso sonoro no estádio, suspensão temporária da partida e, se a situação persistir, encerramento definitivo, com W.O. para o time que teve torcida ou jogador responsáveis pelo ato. Em paralelo, a entidade máxima do futebol também criou um painel antirracista e programas educativos para combater o preconceito.

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