Hércules lembra origem humilde e desafios no início da carreira: 'Não tinha o que comer'
Volante falou com exclusividade ao Lance!

- Matéria
- Mais Notícias
Destaque no Fluminense e consolidado no futebol brasileiro, Hércules não teve início fácil de carreira. Em exclusiva ao Lance!, o volante contou sua origem humilde e a luta para mudar a realidade da família, depois de perder o pai em acidente, com três anos de idade.
Essa é a segunda reportagem de uma série de matérias sobre a entrevista com o volante Hércules. A primeira matéria foi ao ar nesta segunda-feira, (30). Leia aqui: ➡️Hércules revela proposta de outro clube e relembra ausência contra o Vasco: 'Fiquei p***'
— Eu morava em Petrolina, Pernambuco, onde, com três anos de idade, perdi meu pai em um acidente. Minha irmã tinha acabado de nascer, ele estava trabalhando e, no caminho, sofreu um acidente e faleceu. Foi bem pesado, porque era ele quem dava o conforto para toda a nossa família. A família da minha mãe e do meu pai é toda do Piauí, só que a gente foi para Pernambuco, onde tinha mais trabalho. Quando meu pai faleceu, ficou muito complicada a situação. Eu queria ajudar minha família de qualquer forma. Eu agradeço a Deus pelo dom que ele me deu — disse Hércules.
Por conta da situação financeira, a carreira de Hércules foi o grande investimento da família para mudar de realidade. No percurso, a vontade de desistir foi constante, mas o jogador não deixou de pontuar o apoio incondicional que recebeu da mãe e do padrasto.
— Jogando na rua, com meus amigos, apareceu a primeira escolinha, que foi na minha cidade, no Piauí. Eu fui me destacando, só que a escolinha acabou. Aí ficou mais complicado para mim, porque o treinador que dava os treinos foi embora. E aí ele começou a me levar para Picos, que é a cidade do Renê. Mas mesmo assim era meio complicado, porque, se eu me lembro bem, era oito reais a passagem de ida e volta, e minha família não tinha essa condição toda. Minha família fazia muito esforço para eu ir. Tinha dia que eu não tinha o que comer. Só tinha o dinheiro da passagem, mas ia para o treino e voltava. Tinha hora que a gente pensava em parar. Só que eu olhava para a situação da minha família e falava: "não posso parar, eu tenho que dar um conforto melhor para a minha mãe, para os meus irmãos" — disse Hércules, que seguiu:
— Era a grande chance de mudar tudo. As coisas foram evoluindo assim, eu consegui uma chance para ir para São Paulo, onde fiquei no São Bernardo, passei oito meses lá. Foi muito complicado. A primeira semana é muito boa, né (risos). Mas o tempo foi passando e as coisas foram ficando meio complicadas. Minha família ficava perguntando como estavam as coisas e eu tinha que falar que estava bom, mas não estava nada bom — emendou.
Personagem central da história da carreira de Hércules, a mãe do volante foi descrita como a famosa "mãe coruja". Quando estava em São Paulo, o camisa 35 escolheu esconder os problemas que estava passando sozinho para não afetar a mãe.
— Minha mãe era muito preocupada, ela me ligava… Mas as coisas acontecendo. Eu disputei a primeira Copinha, e aí o Fortaleza ficou interessado em mim e queria me contratar para o Sub-23. Deus me abençoou de uma forma lá que eu não sei nem dizer como aconteceu. O contrato era de um ano com opção de compra. Eu falei: "tenho que fazer o ano para ficar aqui, não posso voltar". E aí o Marcelo Paz liga para o meu empresário e fala que ia me comprar, acho que no quarto jogo, logo no início do ano — explicou.
Foi no Leão que Hércules teve a grande virada na carreira e se consolidou no futebol nacional. Para o volante, mais importante que isso foi poder começar a ajudar a família financeiramente, cumprindo o seu maior objetivo desde o início.
— Minha família falava: "Vai dar certo, confia. Eles vão te comprar e tu vai ficar no Fortaleza e vai subir para o profissional". Não dá para esquecer a primeira vez que eu ajudei minha família. Quando eu assinei meu contrato no Fortaleza foi bom demais. Minha mãe e meu padrasto trabalhavam em um bar lá na minha cidade. Eu liguei e falei que eles não precisavam mais trabalhar. "Mãe, a senhora não precisa mais trabalhar no bar. Agora eu vou ajudar em tudo o que precisar, vou dar o conforto que a senhora merece" — disse Hércules, que não deixou de contar a importância do padrasto:
— Minha mãe conheceu meu padrasto, que me ajudou bastante também e eu o considero como pai. Muitas vezes eu pensava em desistir: "Não vou para esse lugar, vai dar errado, vou só sofrer lá'. Meu pai (padrasto), que era mais casca flava: "Você vai, não vai ficar. Aqui não tem futuro, você sabe jogar, você vai que vai dar certo, confia". Eu agradeço muito a ele, agradeço a Deus por ter botado um cara muito legal na nossa família — encerrou.
➡️ Tudo sobre o Tricolor carioca agora no WhatsApp. Siga o nosso canal Lance! Fluminense

Relembre a última partida do Fluminense
O Fluminense venceu o Atlético-MG por 1 a 0 neste sábado (21), no Maracanã, em partida válida pelo Brasileirão. O gol da partida foi marcado pelo atacante Rodrigo Castillo, que fez sua estreia como titular na equipe tricolor. No último lance, Fábio fez uma defesa milagrosa e impediu o empate.
Com o resultado, o Tricolor ficou na quarta posição do Campeonato Brasileiro, com 16 pontos. O Galo estacionou nos oito pontos, na décima primeira colocação da competição.
O que vem por aí?
O Fluminense recebe o Corinthians no Maracanã, no dia 1º de abril, às 21h30 (de Brasília).
➡️ Aposte nos jogos do Campeonato Brasileiro!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















