Consciência Negra: Marcão é resistência na área técnica do Fluminense

Ídolo como jogador, treinador mantém escrita como técnico

Rio de Janeiro (RJ)
20/11/2024 08:15
Atualizado em 20/11/2024 08:49
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Marcão comemora com a torcida tricolor no Maracanã (Foto: Jorge Rodrigues/AGIF)

Libertadores, Recopa, Carioca, Taça Rio, Taça Guanabara e Primeira Liga. Nos últimos dez anos, o Fluminense conquistou títulos com um nome incontestável pela torcida na beira do campo: Marcão. Ídolo como jogador, o auxiliar do clube, um dos poucos representantes negros de comissão técnica no futebol brasileiro, conversou com o Lance! sobre seu papel de resistência no Tricolor.

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Marco Aurélio de Oliveira foi jogador do Fluminense entre 1999 e 2006. Volante raiz, o camisa 5 atuou em 397 partidas pelo Tricolor, com 22 gols marcados. Oito anos depois de sair do clube, Marcão retornou como auxiliar técnico, função que exerce até hoje.

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No cargo, Marcão sempre destacou a importância da luta antirracista no futebol. Para ele, descolar o esporte da sociedade é fechar os olhos para uma realidade dura, o que ajuda a explicar a pouca presença de treinadores negros na elite do futebol brasileiro:

- Hoje estagnamos neste sentido. Quando somos atletas, não vemos restrições, mas quando falamos em cargos diretivos, presidência e técnicos, o cenário muda totalmente. Tudo continua muito abaixo pelo que lutamos e merecemos.

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- Você vendo de fora, imagina que tal clube, mesmo com algumas campanhas a favor da luta, dificilmente colocaria um técnico negro na posição de 01. Talvez seja não-intencional, é estrutural, mas você olha e sabe que nunca terá um técnico negro no cargo naquele clube X ou Y, ou em outro cargo de grande liderança. Torço e luto para que as condições mudem não só no futebol, mas na sociedade - complementou o técnico.

Ex-treinador do Fluminense e atualmente no Internacional, Roger Machado é o único técnico negro na Série A do Brasileirão neste momento, realidade dos últimos anos na elite do futebol brasileiro. Em 2019, ao lado do amigo Marcão, participou de uma campanha de combate ao racismo, em parceria com o Observatório da Discriminação Racial do Futebol. Jair Ventura, filho do ex-jogador Jairzinho, é outro treinador negro com passagens pela primeira divisão do Brasil recentemente.

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Brasileiro A 2019, Fluminense x Bahia
Roger Machado, pelo Bahia, e Marcão, do Fluminense (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)

O Fluminense, por sua vez, é a segunda casa de Marcão. O auxiliar técnico comenta que o Tricolor vai na contramão deste cenário:

- Sou a prova viva de que tudo que o Fluminense se propõe a fazer em relação à causa, o clube exerce em todos os sentidos da palavra. Muitos não têm noção de quão linda é nossa mensagem aqui dentro, que até amigos que torcem para outros times nos parabenizam por estarmos engajados e comprometidos com a luta. Um orgulho estar e ser Fluminense.

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Auxiliar permanente do Time de Guerreiros, Marcão já foi o técnico principal do Fluminense como interino em cinco oportunidades. Ao todo, são 68 jogos comandados por ele, com 29 vitórias, 18 empates e 21 derrotas, além de campanhas de destaque no Brasileirão e um carinho único com a torcida tricolor.

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