Filipe Luís, do Flamengo, questiona gramado artificial e outras práticas do futebol brasileiro: 'Ninguém respeita'
Técnico reforça críticas rubro-negras em ofício enviado à CBF

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Um dia após o Flamengo enviar à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um pedido para proibição de gramados artificiais, Filipe Luís reforçou as críticas rubro-negras e questionou outras práticas do futebol brasileiro. Em entrevista coletiva no Catar, onde clube joga a Copa Intercontinental, nesta terça-feira (9), o técnico ressaltou situações que considera desrespeitosas nos jogos nacionais.
— Sobre os gramados, primeiro, temos que começar pelo básico. Por que ninguém respeita e canta o hino nacional antes dos jogos? Os torcedores dão risada, cantam outra música por cima. Ninguém respeita um minuto de silêncio. Que campeonato da Europa tem seis clubes que vão jogar no campo sintético? Isso desvaloriza nosso produto, faz com que menos espectadores ao redor do mundo queiram assistir. Para a saúde dos jogadores, o ideal é quem joguem em gramados naturais de boa qualidade — disparou.
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O comandante rubro-negro também ressaltou a qualidade dos campos da final da Libertadores, no Monumental de Lima, no Peru, e dos estádios catari. Filipe Luís usou esses exemplos para justificar que os clubes brasileiros têm condições de fazer o mesmo, e com grama natural.
— Não entrei no estádio ainda (Ahmad bin Ali), mas tenho certeza que é lindo e estará em perfeitas condições, é um estádio de Copa do Mundo. Na final da Libertadores, no Peru, em Lima, um lugar que quase não chove, talvez tenha sido o melhor gramado que jogamos no ano. Se é possível fazer isso lá e no Catar, também é no Brasil. Precisamos de investimento, padronização e cobrança para, a longo prazo, conseguir esse nível de gramado e estádios — concluiu.

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Flamengo e Cruz Azul se enfrentam pelo chamado "Clássico das Américas" da Copa Intercontinental nesta quarta-feira (10). Se vencer os mexicanos, o Rubro-Negro enfrentará o Pyramids, do Egito, no próximo sábado (13). Em caso de classificação, a final será contra o PSG, campeão da Champions League, no dia 17. Todas as partidas serão disputadas no estádio Ahmad bin Ali, às 14h (de Brasília).
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Documento enviado pelo Flamengo à CBF
"1. O Flamengo entende que os gramados artificiais não oferecem condições adequadas para um futebol de alto rendimento. Nas principais ligas europeias, esse tipo de superfície é proibido, e também não é utilizado nas principais ligas sul-americanas (Argentina, Uruguai e Colômbia). Não há nenhum país que já tenha conquistado uma Copa do Mundo que aceite gramados de plástico, só o Brasil. Em levantamento realizado pelo Clube, não foi identificado nenhum jogo de primeira divisão nessas ligas, na temporada 2025, disputado em gramado artificial.
2. A preocupação com os gramados artificiais não é exclusiva do Flamengo. Os jogadores, principais protagonistas do esporte, vêm se manifestando publicamente contra o uso desse tipo de superfície em competições de alto nível e, em alguns casos, chegam a se recusar a atuar nesses campos. Esse cenário acende um alerta para o risco de que atletas de ponta, brasileiros ou estrangeiros, deixem de considerar atuar no futebol brasileiro justamente pelas condições do piso de jogo.
3. Adicionalmente, existem vários estudos listados no material entregue pelo Flamengo que demonstram claro indicativo que esse tipo de superfície é prejudicial à saúde, aumentando o número de lesões e causando demais problemas pelo contato com o plástico.
4. Considerando que as principais justificativas para o uso de gramados sintéticos são a redução de custos e a realização de shows e eventos, e buscando evitar prejuízos imediatos aos clubes que hoje utilizam esse tipo de superfície, o Flamengo propõe a adoção de um período de transição. A sugestão é que os gramados artificiais sejam substituídos na Série A até o final de 2027 e, na Série B, até o final de 2028, garantindo tempo adequado de adaptação sem comprometer a qualidade esportiva.
5. Mesmo durante o período de transição, a qualidade dos gramados de plástico precisa ser aprimorada. O Flamengo sugere a adoção de um padrão mínimo de qualidade para superfícies sintéticas, contemplando critérios como tipo e material da fibra, altura da grama, densidade de pontos, camada de amortecimento, tipo de preenchimento e coloração.
6. Da mesma forma o Flamengo entende que não adianta apenas proibir gramados de plástico, mas também determinar um padrão de qualidade mínimo para gramados naturais, seguindo normas rígidas utilizadas pela Fifa e pela Uefa, adaptadas às especificidades do futebol brasileiro.
7. O Flamengo apresentou ao grupo de trabalho um documento robusto que propõe padrões técnicos mínimos para a verificação da qualidade dos gramados, quaisquer que sejam o seu tipo, incluindo testes de rolagem da bola, absorção de impacto, rigidez da superfície, entre outros. Atualmente, não há um protocolo de avaliação para que estádios com gramados naturais ou de plástico recebam partidas organizadas pela CBF com a garantia de que, independentemente do estádio, o futebol brasileiro seja jogado de forma igualitária, dentro dos padrões internacionais mais rigorosos, o que reforça a necessidade de regulamentação.
8. Em complemento, o Flamengo propõe a adoção de padrões mínimos de infraestrutura válidos tanto para gramados naturais quanto para gramados sintéticos — incluindo sistemas de irrigação e drenagem, equipamentos adequados de manutenção, especificação da base estrutural, tipo de grama ou fibra, controle de pragas e doenças e nivelamento. O objetivo é garantir que, a partir de 2026, qualquer campo de jogo ofereça comportamento uniforme na interação bola-superfície e jogador-superfície."
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