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Sem Memphis e sem gols: os números de Yuri Alberto no Corinthians

Desempenho despenca sem o parceiro, mas atacante tem apoio da Fiel e do ídolo Casagrande

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Rafaela Cardoso
São Paulo (SP)
Dia 06/05/2026
06:00
Yuri Alberto está há sete jogos sem marcar e tenta acabar a seca hoje contra o Santa Fé, pela Libertadores (Foto: Phd Press/Thenews2/Folhapress)
imagem cameraYuri Alberto está há sete jogos sem marcar e tenta acabar a seca hoje contra o Santa Fé, pela Libertadores (Foto: Phd Press/Thenews2/Folhapress)

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Há sete jogos sem marcar, o centroavante Yuri Alberto tem sentido a falta do seu grande parceiro no ataque do Corinthians: o holandês Memphis Depay. Desde que o camisa 10 ficou afastado dos gramados, por um agravamento da lesão na coxa direita, em 22 de março, Yuri fez apenas um gol: o segundo da vitória sobre o Platense, na Argentina, pela Libertadores, no último dia 9, na estreia do técnico Fernando Diniz. Mas o jejum pode acabar hoje (6), em Bogotá, diante do Independiente Santa Fe, na terceira rodada da fase de grupos . O jogo começa às 21h30 e terá transmissão da TV Globo.

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Os números mostram que Yuri rende muito mais ao lado de Memphis. A dupla já jogou 60 vezes, marcando 32 gols e dando seis assistências. Sem ele, foram 34 partidas, apenas seis gols e duas assistências. Um entrosamento que tem faltado nos últimos jogos, na avaliação de Walter Casagrande Júnior, ex-centroavante e ídolo do clube, que conversou com a reportagem do Lance!.

- Eu também vejo que fica muito mais confortável para o Yuri Alberto quando tem um outro atacante mais próximo dele, não aberto pelas pontas. Quando joga o Memphis, que fica mais perto, o Yuri só arranca e finaliza. Nos últimos jogos, as bolas que o Yuri recebeu foram longe ou na entrada da área, então ele precisa carregar a bola até a área para finalizar e ele se perde nesse momento - analisou.

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Memphis Yuri Alberto Corinthians
Com Memphis, foram 32 gols em 60 jogos. Sem ele, só 6 em 34 (Foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians)

Para Casagrande, o jogador que pode se tornar o garçom de Yuri e acabar com a seca de gols é o argentino Rodrigo Garro, que ganhou protagonismo desde que Diniz assumiu. Mas o ideal é que jogue mais próximo do atacante.

- Os gols que o Yuri mais faz são nas enfiadas de bola só para finalizar. O Garro faz muito bem isso, mas tem outro estilo, é mais armador e pensador. Quando o Garro enfia uma bola, está mais distante, mas quando está perto da área, consegue fazer as enfiadas de bola que nem o Memphis faz, fazendo com que o Yuri fique mais decisivo - explicou.

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*Os números acima foram fornecidos pelo Sofascore

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Casagrande: "Ele se entrega 100%"

Yuri já viveu momentos de altos e baixos desde sua chegada ao Corinthians, em 2022, mesclando períodos de artilheiro com fases de jejuns de gols. Mas os atuais sete jogos de seca se tornaram o maior intervalo sem balançar as redes desde setembro do ano passado, quando o camisa 9 ficou nove partidas sem marcar. Ele encerrou a sequência negativa em jogo contra o Flamengo, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão. O maior jejum, no entanto, foi entre 11 de maio e 10 de junho de 2023, quando ficou 10 jogos sem fazer gol.

Em sua quinta temporada no Timão, Yuri soma 81 gols em 227 jogos. Em 2024, teve seu melhor ano, marcando 31 vezes em 57 partidas. Apesar do jejum atual, ele não tem recebido duras cobranças da torcida corintiana, que reconhece a sua importância no atual elenco alvinegro. Em 2026, foram 21 jogos, sendo 17 como titular, cinco gols e duas assistências.

Casagrande enumerou as principais virtudes do atacante, de 25 anos: o esforço tático, a movimentação e a capacidade de pressionar os zagueiros.

- A primeira qualidade é ser muito voluntarioso. O Yuri se entrega 100%, um cara que vai para o jogo sempre, seja dentro ou fora de casa. Ele não se esconde, não desiste de jogada nenhuma e deixa a vida dos zagueiros desconfortável. Marca pressão, vai para cima, corre de um lado, corre do outro e isso cria uma identificação muito forte com a torcida do Corinthians. O clube historicamente valoriza jogadores que demonstram raça, garra e espírito de luta. Claro que a torcida do Corinthians gosta da união técnica e raça, mas a raça sempre foi um fator importante para a torcida do Corinthians gostar de um jogador, e o Yuri Alberto tem isso - destacou Casagrande.

Yuri Alberto comemorando gol do Corinthians (Foto: Reprodução/CazéTV)
Yuri comemora gol com a torcida: raça em campo e identificação com a Fiel (Foto: Reprodução/CazéTV)

Mesmo com virose, Yuri Alberto foi herói na Supercopa

Mesmo com a fase negativa que o jogador viveu em 2023/2024, o nome de Yuri Alberto é sempre o nome mais gritado pela torcida no anúncio da escalação do time na Neo Química Arena. A redenção aconteceu com os títulos recentes do Paulistão, Copa do Brasil e Supercopa do Brasil. Na comemoração do último título, inclusive, a Polícia Militar chegou a proibir o elenco de ir rumo à torcida, mas o camisa 9 driblou o policiamento e se jogou no meio dos torcedores.

Aquela cena, após marcar o gol do título na vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo, em fevereiro, em Brasília, foi o retrato dessa relação de entrega total ao clube. Yuri entrou em campo com uma virose, lutou o tempo inteiro e foi premiado com o gol nos acréscimos, que decidiu o jogo. Na comemoração, chorou e extravasou toda a emoção:

- Passei a sexta e o sábado todo vomitando. Não sei como o professor conseguiu me deixar até o final. Desde o começo do jogo estava exausto, eu estava morto, mas Deus me honra sempre. Poder ser tricampeão com a camisa do Corinthians, isso ninguém vai tirar de mim. Podem falar o que quiser de mim: só que eu suo, eu trabalho, eu luto para caramba por essa camisa para dar o meu melhor para vocês, porque vocês merecem demais.

Raça demonstrada também quando marcou um gol pela última vez. Ele disputou a partida contra o Platense depois de uma cirurgia para retirada do dente siso. Tanta dedicação valeu elogios do técnico Fernando Diniz.

- O Yuri é um dos jogadores com quem eu tinha muita vontade de trabalhar, porque representa muito do que eu penso sobre futebol e sobre a vida. Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, eu já imaginava o que encontraria no dia em que trabalhássemos juntos e é exatamente isso. Ele é uma pessoa diferente. Mesmo quando não faz gols, o time continua vencendo, que é o mais importante. E isso acontece muito porque ele está em campo. É um exemplo de tudo aquilo que eu quero - afirmou Diniz.

O técnico faz coro com a torcida e apoia o camisa 9 mesmo na fase de jejum. Mas, para Casagrande, a falta de gols pode abalar Yuri. O ídolo do Timão vê algumas características que o atacante precisa aprimorar.

- Pontos negativos que vejo nele é que ele tem problemas de fundamentos, como domínio de bola, quando precisa fazer uma tabela... Quando o Yuri entra em fases em que não marca gols, ele fica inseguro e finaliza mal, escolhe mal a jogada. Ele é um centroavante que depende muito do gol, é um cara de finalização, então a marca dele aparece muito quando ele finaliza, faz gols... Quando ele está em fase de gols, ele marca muitos, mas também quando está em fases sem gols, fica meses assim. Ele tem essa ambiguidade de momento - alertou Casagrande.

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