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O que é o traço falcêmico, condição genética que tirou Allan de Corinthians x Santa Fe?

Dr. Paulo Zattar Ribeiro, médico geneticista, explica os cuidados necessários

Guilherme Lesnok
São Paulo (SP)
Dia 05/05/2026
19:33
Allan está fora do confronto (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
imagem cameraAllan está fora do confronto (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

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O Corinthians enfrenta o Santa Fe, em Bogotá, na Colômbia, nesta quarta-feira (6), às 21h30 (horário de Brasília), no estádio El Campín, pela Libertadores. Para o compromisso, o Timão terá o desfalque do volante Allan.

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O jogador não viajou e está fora da partida. Por conta da altitude de 2.600 metros acima do nível do mar e de uma condição genética chamada traço falcêmico, o departamento médico optou por não relacioná-lo.

O Lance! conversou com o Dr. Paulo Zattar Ribeiro, médico geneticista especializado no diagnóstico e acompanhamento de doenças hereditárias e condições com predisposição genética, para explicar o que é o traço falcêmico.

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— O traço falcêmico é uma condição genética caracterizada pela presença de uma única cópia do gene da hemoglobina S (genótipo AS), enquanto a doença falciforme ocorre quando há duas cópias alteradas ou combinações patológicas da hemoglobina S. Por isso, o traço falcêmico não é considerado uma doença, mas sim uma condição hereditária geralmente assintomática. A maior parte das pessoas com traço falcêmico leva vida normal, incluindo prática esportiva de alto rendimento. Entretanto, em situações extremas, como exercício físico muito intenso, desidratação, hipertermia e ambientes de baixa oxigenação, pode ocorrer falcização transitória das hemácias, aumentando o risco de complicações agudas — disse o doutor.

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É importante contextualizar que jogos ou treinos em locais de grande altitude, como ocorrerá com o Corinthians nesta quarta-feira (6), impõem um desafio extra ao organismo, sobretudo pela menor disponibilidade de oxigênio. 

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— Ambientes de altitude elevada, especialmente acima de 2.500 metros, apresentam menor pressão parcial de oxigênio. Em indivíduos com traço falcêmico, essa redução da oxigenação pode favorecer a polimerização da hemoglobina S e alterar temporariamente a deformabilidade das hemácias durante esforço intenso. Na prática esportiva, isso pode aumentar o risco de eventos relacionados à hipóxia muscular, fadiga precoce, rabdomiólise por esforço e colapso associado ao exercício. É importante destacar que a maioria dos atletas com traço falcêmico compete normalmente, mas situações de intensidade extrema, sem aclimatação adequada e associadas à desidratação, elevam significativamente o risco fisiológico — comentou.

Nessas condições, atletas com traço falcêmico podem ficar mais suscetíveis a intercorrências durante o esforço, sobretudo quando fatores como calor, desidratação e sobrecarga física se somam, o que exige monitoramento atento e adoção de medidas preventivas ao longo da atividade. 

— Os principais riscos fisiológicos decorrem da combinação entre hipóxia, acidose metabólica, aumento da temperatura corporal e desidratação durante exercícios de alta intensidade. Esses fatores podem induzir falcização transitória das hemácias mesmo em portadores do traço falcêmico, levando a obstrução microvascular muscular. Clinicamente, isso pode resultar em dor muscular intensa, fraqueza súbita, intolerância ao exercício, rabdomiólise e, em casos raros, morte súbita associada ao esforço. Estudos em atletas universitários norte-americanos mostraram aumento importante do risco de morte relacionada ao exercício em portadores de traço falcêmico submetidos a treinamentos extremamente intensos, especialmente em condições ambientais adversas. Por isso, estratégias preventivas como hidratação rigorosa, aclimatação progressiva à altitude, intervalos adequados de recuperação e interrupção imediata do exercício diante de sintomas são fundamentais — seguiu.

Allan, volante do Corinthians (Foto: Heuler Andrey/DiaEsportivo/Folhapress)
Allan, volante do Corinthians (Foto: Heuler Andrey/DiaEsportivo/Folhapress)

A decisão do afastamento passa por uma análise individual, levando em conta histórico clínico, resposta ao esforço e condições específicas da partida. Em cenários de maior risco, como sintomas prévios, dificuldade de adaptação à altitude ou ausência de monitoramento adequado, a preservação da saúde tende a prevalecer, com medidas mais conservadoras sendo adotadas de forma pontual.

— O afastamento preventivo não deve ser automático apenas pela presença do traço falcêmico. As diretrizes atuais defendem avaliação individualizada e medidas preventivas, evitando discriminação genética. Entretanto, o afastamento temporário pode ser considerado como medida mais segura em cenários específicos, como atletas com sintomas prévios relacionados ao esforço em altitude, episódios anteriores de rabdomiólise, síncope induzida por exercício, dificuldade de aclimatação, presença de desidratação importante, doenças intercorrentes ou quando não há possibilidade de monitoramento adequado durante atividade de alta intensidade. Também pode ser prudente em partidas realizadas em altitudes extremas, especialmente quando o atleta não teve tempo suficiente de adaptação fisiológica ao ambiente hipóxico. O foco atual da medicina esportiva é individualizar risco, monitorar sintomas e implementar protocolos de segurança, e não excluir indiscriminadamente atletas com traço falcêmico da prática esportiva — completou.

Allan pelo Corinthians

O Corinthians anunciou a contratação do volante Allan em fevereiro. O atleta chegou por empréstimo junto ao Flamengo, com opção de compra pré-fixada em 2 milhões de euros (cerca de R$ 12 milhões). 

Até o momento, foram 16 jogos disputados com a camisa do Corinthians.

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