Portuguesa x Corinthians: a arbitragem argentina que marcou o Paulistão de 1998
"Semifinal polêmica ficou marcada por lances controversos que decidiram o destino da Lusa e do Timão

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Portuguesa e Corinthians se enfrentam neste domingo (22), às 20h30, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. O duelo reencontra as equipes e revive lembranças da semifinal de 1998, marcada por polêmicas, expulsões e pênaltis que levaram o Timão à decisão.
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O Corinthians, liderado por Gamarra, Rincón, Vampeta e Marcelinho Carioca, enfrentou a Portuguesa, que tinha em campo César, Augusto, Evair e Aílton. Como teve melhor campanha na fase de grupos, o Timão jogava por dois resultados iguais
— A Portuguesa tinha um time muito coeso, treinado pelo Candinho, time que punha a bola no chão, que tinha padrão de jogo, que tinha esquema tático e que tinha jogadores de muita qualidade. Diferentemente do que está acontecendo hoje. Então era um time que já vinha de experiência de decidir um título com o Grêmio dentro do Olímpico, alguns remanescentes daquela equipe vice-campeã brasileira figuravam nesse montado pelo Candinho para o Campeonato Paulista — comenta Antônio Quintal, jornalista e torcedor da Portuguesa, em entrevista ao Lance!.
Após o empate de 1 a 1 na partida de ida, a volta, disputada no Morumbi, teve a Portuguesa abrindo o placar com Aílton. No segundo tempo, o árbitro argentino Javier Castrilli marcou pênalti de Evair em Cris, provocando revolta nos jogadores da Lusa. Marcelinho Carioca converteu e igualou o jogo, mas Da Silva colocou a Portuguesa novamente à frente.
Aos 44 minutos, outro pênalti polêmico foi marcado para o Corinthians, e quatro jogadores, sendo três da Portuguesa, foram expulsos. Na cobrança, Rincón marcou o gol que levou o Timão à final e causou grande repercussão no futebol brasileiro.
— Naquela tarde de 26 de abril de 98, nós vimos um dos maiores absurdos, um dos maiores crimes que um árbitro de futebol pode cometer contra uma agremiação que luta com unhas e dentes para fazer uma final, para chegar à final. O que, para a Portuguesa, já seria uma consagração. O Castrilli assinalou dois pênaltis que hoje nenhum VAR chamaria para que ele reparasse no vídeo. Porque realmente eles não aconteceram. O Zagueiro colocou a bola com a barriga, fez até aquela flexão, e ele apontou o pênalti. Porque era o único recurso, era a única coisa que restava para o Corinthians poder obter a classificação — relata Quintal.
— Então, foi um 2 a 2 bem surrupiado. Estranhava muito que exatamente naquele jogo um árbitro argentino. Por que um árbitro argentino? Se no jogo anterior quem apitou foi o Sidrack Marinho dos Santos. Ficou 1 a 1 no primeiro jogo. E ele apitou — completa.
Outro convidado do Lance! para relembrar o caso é o ex-zagueiro César, personagem central da história, que recorda o episódio que marcou sua carreira.
— Todo ano parece que virou aniversário. Esse jogo, esse lance. Todo ano é quando não é no dia, é a coincidência da Portuguesa e Corinthians. Passa um filme na cabeça. Relembra tudo, todo o nosso trabalho que fizemos no primeiro jogo. Depois fomos para o segundo jogo, tínhamos equipe para ganhar e o Castrilli foi decidido a mudar a história do jogo para já ter uma final entre São Paulo e Corinthians. Já no primeiro pênalti do Evair — disse.
— Então, é chato, é triste, é doloroso, mas faz parte da vida. Na hora, muitas coisas se passaram na minha cabeça, a vontade era até de partir para a ignorância [...] Nós perdemos o foco total, mas não houve nada que manchasse, ainda mais o trabalho sujo que ele tinha feito — seguiu.

O outro lado da moeda
O assunto, como era de se esperar, repercutiu em todo o país e estampou as capas de diversos jornais. Para o jornalista Celso Unzelte, os erros da arbitragem não ocorreram diretamente contra a Portuguesa, mas afetaram ambos os lados.
— Eu acho que a imprensa que cobria, não sei se o Corinthians, mas a imprensa em geral na época, reagiu muito mal, assim, ficou quase todo mundo do lado da Portuguesa e acho até que a história nem foi assim. Se você vê a história daquele jogo, Castrilli também dá pênalti para Portuguesa que poderia ter sido visto como impedido. Castrilli era um juiz folclórico. Era chamado de xerife na Argentina, não era nada pessoal contra a Portuguesa, como na época se falava. Ele errou, errou dos dois lados, eu acho que errou mais contra a Portuguesa mesmo, não foi pênalti, mas também não era uma coisa do tamanho que se falou na época. E eu acho que aquilo contribuiu para o Corinthians ser enxergado pelos rivais como o apito amigo — disse.
Para o jornalista, o episódio marcou negativamente a história do Corinthians, que, em outros momentos, foi acusado de ser favorecido pela arbitragem.
— Então, do ponto de vista do folclore, eu acho que aquilo entrou para a história do Corinthians, como outros lances duvidosos também, como em 1938, quando o Corinthians empatou um gol contra o São Paulo, um gol de mão do Carlito, ou o pênalti no Tinga no campeonato de 2005. São coisas que os adversários preferem chamar de apito amigo e os corintianos preferem chamar de folclore, porque também acontece contra e a favor — comentou.
— E o futebol é assim mesmo. Eu acho que, entre os corintianos, é mais como um episódio polêmico, não é tão natural. Aliás, aquela campanha era muito boa. O Corinthians iria para a final com o São Paulo e, se não tivesse perdido o segundo jogo, teria sido campeão invicto. Acabou perdendo o segundo jogo por 3 a 1 depois de ganhar o primeiro — completou.
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