William Correia
16/06/2018
06:00
São Paulo (SP)

Já faz tempo que os gols de Cristiano Ronaldo têm como repercussão algum recorde que ele bateu, mas os três que ele marcou no 3 a 3 diante da Espanha, nessa sexta-feira, expuseram ainda mais como o português está na história. Foi o seu 51º hat-trick (como chama o fato de balançar as redes três vezes em um mesmo jogo) na carreira. E também o 51º de toda a história da Copa do Mundo.

Para relevar a marca, é justo destacar que ter alguém fazendo três gols em uma mesma partida não é tão raro em Mundiais. Nas 21 edições do principal torneio do futebol (incluindo a de agora, na Rússia), somente uma não teve hat-trick, em 2006, na Alemanha - curiosamente, quando CR7 estreou na competição.


No Brasil, há quatro anos, dois jogadores fizeram hat-trick. O primeiro deles justamente contra Cristiano Ronaldo: Thomas Muller, na vitória por 4 a 0 da Alemanha, na primeira rodada da fase de grupos, em Salvador. O último tinha sido do suíço Shaqiri, no triunfo por 3 a 0 sobre Honduras, na última rodada da primeira fase, em Manaus.

O feito de Cristiano Ronaldo em Sochi, porém, tem peculiaridades marcantes na história dos Mundiais. Aos 33 anos, ele se tornou o jogador mais velho a fazer um hat-trick em Copas, superando o holandês Rensenbrink, que tinha 30 anos quando fez todos os gols da vitória por 3 a 0 sobre o Irã, em 1978. Além disso, foi a primeira vez que a Espanha levou três de um mesmo atleta em uma partida do torneio.

O astro, contudo, não é o português com mais gols em um mesmo jogo de Mundial. O feito segue com Eusébio, que balançou as redes quatro vezes na vitória por 5 a 3 sobre a Coreia do Norte, pelas quartas de final do torneio em 1966. O outro luso com hat-trick em Copas é Pauleta, que fez três nos 4 a 0 impostos sobre a Polônia, na primeira fase de 2002.

De qualquer forma, Cristiano Ronaldo, ao converter o pênalti em seu primeiro gol diante da Espanha, já entrou em uma seleta lista de jogadores com gols em quatro Copas do Mundo diferentes, igualando-se a Pelé (1958, 1962, 1966 e 1970) e aos alemães Seeler (1958, 1962, 1966 e 1970) e Klose (2002, 2006, 2010 e 2014). O gajo tinha balançado as redes uma vez em cada uma de suas participações anteriores, em 2006, 2010 e 2014.

Agora, CR7 pode entrar em outro grupo se repetir o feito na Rússia: ter dois hat-tricks em Copas. Na lista, estão o húngaro Sandor Kocsis (três gols no 9 a 0 sobre a Coreia do Sul e quatro no 8 a 3 sobre a Alemanha, ambos em 1954), o francês Just Fontaine (três no 7 a 3 sobre o Paraguai e quatro no 6 a 3 diante da Alemanha, ambos em 1958), o alemão Gerd Muller (três no 5 a 2 sobre a Bulgária e no 3 a 1 sobre o Peru, ambos em 1970) e o argentino Gabriel Batistuta, único com hat-trick em Mundiais diferentes (três no 4 a 0 sobre a Grécia, em 1994, e no 5 a 0 sobre a Jamaica, em 1998).