Raphael Rezende fala da saída do Botafogo e avalia demissão de Anselmi
Ex-scout foi um dos demitidos em processo de redução do quadro de funcionários por corte de gastos

Um dos demitidos no processo de corte de gastos no quadro de funcionários da SAF do Botafogo, o scout Raphael Rezende falou pela primeira vez após deixar o clube. Em entrevista ao Lance!, ele, que ficou cerca de quatro anos no Glorioso, comentou sobre a saída e analisou o cenário atual da equipe, agora sem o técnico Martín Anselmi.
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Raphael Rezende elogiou o ambiente de trabalho da SAF e toda a hierarquia. Em contrapartida, o ex-funcionário do Botafogo citou a crise institucional com os problemas de John Textor nos bastidores e como isso pode ter influenciado no dia a dia.
— O trabalho tinha um ambiente bom para se conviver. Era um trabalho horizontal, onde todo mundo tinha palavra acima de mim e abaixo de mim. Funcionou muito bem o scout durante todo o período por causa disso. Mas o momento de crise gera, obviamente, né, alguns desacertos. E eu acho que até esse acúmulo desses desacertos pode ter levado à escolha do meu nome para saída porque já era um momento de saídas, de reformulação do clube. É natural, eu não entrei dentro da SAF. Eu não fui contratado pela SAF. Eu fiquei no momento de venda do clube — disse, ao Lance!.
— Acho que são ciclos que se encerram naturalmente assim. Talvez fosse mais difícil para mim tomar a decisão de sair, então acho que é um ciclo natural que se encerrou muito bem assim, por mais que o momento recente não tenha sido tão bom. Mas só aprendizado, cara. Foram, sei lá, 40 anos em quatro — completou o ex-scout do Botafogo.
Botafogo em campo
Mesmo após a vitória fora de casa sobre o Red Bull Bragantino, o Botafogo optou por demitir o técnico Martín Anselmi alegando que "não viu evolução, o progresso e os resultados que esperamos de um clube campeão". Sobre a troca no comando, Raphael Rezende deu sua visão e apontou que o contexto da SAF atrapalhou a condução por parte do argentino.
— John é muito influente esse aspecto, tanto da escolha dos treinadores como nesse momento de saída. E ele está muito mais presente agora pelas questões administrativas. Ele tem estado mais no Brasil, mais próximo do que é o trabalho. E acho que se personifica muito a tomada da decisão da saída do Anselmi pela questão do John. Eu não estava mais lá, não sei exatamente o que foram esses últimos momentos, os últimos dias. Mas acho que o que cabe debater é a escolha na origem — iniciou.

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— Você tem que tentar equilibrar. Construir um elenco que dê o material humano que faça sentido para que o treinador coloque em prática suas ideia. Só que aí o clube estava em transfer ban, já tinha feito movimentos que não necessariamente encaixariam… Vou dar um exemplo específico que é a questão do Villalba, um ponta agudo. Faltava alguém mais físico no elenco do ano passado. E aí você traz, só que o Anselmi não usa necessariamente um ponta com aquela característica. Aí já muda o desenho. Então, sem falar do jogador, que acho ótimo, e sem falar do Anselmi especificamente, que acho que tem muito conteúdo). Mas talvez tenha sido uma escolha de um nome que sofreria com a conjuntura, o contexto do clube nesse momento. E foi isso que aconteceu.
Sem técnico, o Botafogo tem atualmente Rodrigo Bellão, comandante do sub-20, como interino. O clube ainda faz reuniões em busca do nome ideal para o cargo, pensando em recuperação na temporada em meio à crise.
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