Ana Canhedo e Marcio Porto
03/03/2016
08:05
São Paulo (SP)

Com jogadores de cinco países diferentes e uma comissão técnica argentina, o time do São Paulo ainda não fala a mesma língua em 2016. Prova disso é que a vitória por 2 a 0 sobre o Mogi Mirim, que era para dar tranquilidade, acabou ficando em segundo plano em meio aos atritos no discurso. Rogério, mesmo após marcar um gol, reclamou da posição em que foi escalado. Recebeu apoio de Ganso. Já Alan Kardec cobrou mais chances e conversa com o técnico, que, por sua vez, discordou. Afinal, o que acontece no CT da Barra Funda?

A resposta passa pela língua. A dos são-paulinos, ultimamente, anda afiada. Na quarta-feira, não foi a primeira vez que atletas vieram aos microfones reclamar de alguma situação. Já houve racha no elenco por conta de divergências internas e o problema persiste, mesmo que seja em outro tipo de situação.

Por exemplo: a insatisfação externada por Rogério e Kardec não é um fato isolado. Há uma corrente de atletas inconformada com algumas situações e escolhas do técnico Edgardo Bauza. Na visão deles, Bauza protege muito e, sem motivo, seus compatriotas Centurión e Calleri. Coincidência ou não, dupla que disputa posição com os jogadores que reclamaram na última quarta.

Centurión fez oito dos dez jogos do ano como titular, na maioria foi mal, mas tem o apoio do técnico. Já Calleri não marca há seis jogos e mesmo assim tem deixado Kardec no banco. Bauza confia na dupla.

Atletas também relatam que Bauza fala pouco com os jogadores e, quando fala, é com um grupo restrito de líderes como Ganso, Michel Bastos e Lugano. O técnico rebate.

– Converso com os jogadores, já conversei com Rogério, com Kardec. Mas converso o necessário – disse, após o jogo contra o Mogi Mirim.

Outro episódio que ainda não foi superado foi a divisão do elenco no pacto de silêncio em protesto contra atraso de salário. A postura de Lugano de falar com a imprensa incomodou os mais experientes, remanescentes da temporada passada. O assunto foi superado na base do “tudo certo, nada resolvido”. O uruguaio ainda não fala a mesma língua de seus companheiros, é só lembrar que tinha reclamado do vazamento de informações e críticas e, na quarta, a insatisfação pública voltou.

A diretoria, por sua vez, minimiza os atritos e tenta amparar Bauza. Acham que o treinador não tem de dar explicação aos jogadores por suas decisões. E esperam que ele coloque o time nos trilhos. Está difícil.

A divisão de línguas no grupo do São Paulo

Calleri
Argentino representa a confiança de seu técnico. Parou de marcar gols, mas segue bancado, como Centurión.

Lugano
Uruguaio chegou para liderar o grupo, mas ainda encontra resistência. Pensa diferente de alguns expoentes do grupo.

Alan Kardec
Atacante está na ala dos insatisfeitos. Externou crítica a Bauza quarta-feira. Sete jogos este ano.e nenhum gol.

Mena
Recém-chegado, chileno tem sido titular e não teve nenhum tipo de reclamação. Passa batido em meio à crise.

Wilder
Colombiano fez apenas dois jogos neste ano. Passou tempo na Colômbia visitando a filha e voltou a ser relacionado agora.