Léo Saueia
02/06/2016
09:00
São Paulo (SP)

Uma derrota diante do Corinthians, candidato ao título, em Itaquera não pode ser considerada uma catástrofe nem pelo mais ufanista dos santistas. Após um revés em casa para o Internacional e sem seus três principais jogadores por tempo indeterminado, o verbo que define o objetivo do Santos no Brasileirão deixa de ser 'sonhar' e passa a ser 'somar'. Na atual conjuntura, é preciso conquistar o maior número de pontos possíveis.

Foi o que o técnico Dorival Júnior tentou fazer na noite desta quarta-feira: pontuar. O treinador mudou completamente a maneira de jogar de um time conhecido pelo DNA ofensivo e apostou em uma formação sem nenhum atacante sequer. Ousadia compreensível pelas peças de reposição que tem para o trio formado por Lucas Lima, Gabigol e Ricardo Oliveira e principalmente pela postura da equipe diante do Inter dentro da própria Vila Belmiro.

Ainda não há crise dentro do time bicampeão paulista. Mas a partir de domingo pode existir. A partida contra o Botafogo passa a ser o divisor de águas para o Santos neste Brasileirão. O torcedor deve ter, sim, paciência com esta equipe e, principalmente, com Dorival. Foi ele quem tirou o Peixe do Z4 no ano passado e fez o time brigar de igual para igual com qualquer outra equipe do futebol brasileiro. A cobrança deve ser na diretoria, que há anos faz contratações abaixo do esperado e que não causam o efeito esperado. 

O futebol envolvente apresentado no segundo semestre de 2015 não deve ser o padrão seguido para esta equipe. Testes serão necessários, seja com três ou com nenhum atacante, com quatro volantes ou um falso 9. Uma reformulação não traz resultados do dia para a noite, e o técnico Dorival Júnior deve contar com respaldo principalmente da diretoria, que já poderia prever os desfalques pela Seleção e não foi atrás de reposição à altura.

Diante do Botafogo, é preciso vencer para respirar na tabela e reencontrar o sabor da vitória, distante há três rodadas. É preciso vencer para dar um respiro a um treinador que sabe o que faz, mas não é capaz de fazer milagres. Muito leite de pedra já foi tirado por Dorival, mas há uma hora em que a fonte se esgota junto aos recursos.

O Santos precisa mais do que nunca do apoio de sua torcida para se recuperar na competição. Dorival precisa mais do que nunca ser blindado pela diretoria e contar com respaldo para desenvolver um novo trabalho que se inicia. O Santos precisa começar a montar uma equipe para a temporada, e não apenas um time...