Bruno Cassucci
04/08/2016
17:59
Enviado especial a Brasília (DF) 

No mesmo lugar em que se despediu da Copa do Mundo de 2014 o Brasil iniciou a busca pelo ouro olímpico. Mais do que começar bem a corrida pela medalha, a Seleção tinha o objetivo de apagar a má impressão deixada no último grande evento que participou em casa e resgatar o orgulho do torcedor. Não conseguiu. Assim como na disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda, há dois anos, a equipe saiu do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, vaiada após o empate em 0 a 0 com a África do Sul, nesta quinta-feira. Veja a repercussão da partida.

Se na Copa o sentimento era de indignação, agora a frustração é que toma conta. Esperava-se uma Seleção bem diferente da que nos acostumamos a ver no Mundial e depois dele. Pelos treinamentos e entrevistas de Rogério Micale e também pela impressão deixada no amistoso diante do Japão, no último sábado, a expectativa era de uma equipe envolvente, com toques rápidos, marcação no campo de ataque e um trio ofensivo infernizando a vida dos defensores. Nada disso aconteceu.

Parecendo nervosa com a estreia, a jovem equipe brasileira abusou dos cruzamentos no primeiro tempo e dos erros de finalização no segundo. Decepcionou.

Capitão do time e um dos mais experientes, Neymar esteve tão afoito quanto os demais. Na etapa final, foi fominha em muitas oportunidades e não conseguiu definir sozinho. É verdade que o camisa 10 criou chances para si e os demais, mas esteve longe de render o que pode.

Aos 14 minutos do segundo tempo, as coisas pareciam que ficariam mais fáceis, quando Mvala foi expulso. Antes mesmo disso Micale já havia chamado Luan para entrar no lugar de Felipe Anderson e pôr em prática o esquema com quatro atacantes, testado várias vezes nas duas últimas semanas. Nem assim deu certo.

O Brasil teve mais a bola, pressionou durante toda a etapa final, mas não conseguiu vazar o goleiro Khune. As decisões tomadas foram quase sempre erradas e também faltou pontaria. A chance mais clara foi Gabriel Jesus, que chutou na trave, aos 23 minutos, mesmo com o gol escancarado - o palmeirense estava impedido.

A história (da Copa e da estreia na Olimpíada) já está escrita, mas pode ter seu enredo alterado. Ainda em Brasília, a equipe canarinho tentará melhorar a impressão deixada contra a África do Sul e se recuperar na competição no próximo domingo, quando encara o Iraque.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 0 X 0 ÁFRICA DO SUL

Local:
Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF)
Data: 4 de agosto de 2016, às 16h, quinta-feira
Árbitro: Antonio Mateu Lahoz (ESP)
Assistentes: Pau Cebrian Devis e Roberto Dias Perez (ambos da ESP)
Cartões amarelos: Thiago Maia e Marquinhos (BRA) / Mvala e Mathoho (RSA)
Cartão vermelho: Mvala (RSA)
Público/renda:

BRASIL: Weverton, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos (William 39'2ºT); Thiago Maia, Renato Augusto (Rafinha 21'2ºT) e Felipe Anderson (Luan 15'2ºT); Gabriel Jesus, Neymar e Gabigol. Técnico: Rogério Micale

ÁFRICA DO SUL: Khune, Mobara, Mathoho, Coetzee e Modiba; Mvala, Mekoa e Motupa; Masuku (Morris 12'2ºT), Mothiba e Dolly. Técnico: Owen da Gama