Sara

Sarah Menezes começou 2016 com o ouro no Grand Prix de Havana (Foto: Gabriela Sabau)

Guilherme Cardoso
06/02/2016
06:05
São Paulo (SP)

Talvez, a melhor maneira para explicar a atual fase da judoca Sarah Menezes seja usando a já conhecida música dos estádios de futebol: “A campeã voltou, a campeã voltou, a campeã voltou...”. Afinal, após passar por uma fase inconstante e até de relaxamento nos dois últimos anos, como ela mesmo assume, a brasileira iniciou 2016 brilhando. E neste sábado, no Grand Slam de Paris (FRA), quer faturar sua segunda medalha de ouro e ficar ainda mais perto dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Campeã olímpica em Londres-2012 na categoria até 48kg, Sarah perdeu rendimento em 2014 e 2015. Foram três pódios em cada temporada, seu pior desempenho na carreira. A queda ligou um sinal de alerta na judoca e na Confederação Brasileira de Judô (CBJ), ainda mais após a eliminação logo na primeira luta no Mundial de Astana (CAZ) – ela tinha ficado fora dos Jogos Pan-Americanos de Toronto (CAN) para se preparar melhor para o torneio.

– Pode ter sido um relaxamento natural de atleta. As conquistas aparecem mais e, depois, tem aquele balanço de queda. Agora, está na hora de focar de novo – afirmou ao site do LANCE!.

Vendo a vaga na Rio-2016 ameaçada por Nathália Brígida, a medalhista de ouro em Londres decidiu mudar. E uma das atitudes mais drásticas foi a troca de Teresina, no Piauí, pelo Rio de Janeiro. Na cidade olímpica, está mais perto dos técnicos da Seleção Brasileira, além de deixar as distrações da terra natal para trás.

– A ideia partiu do professor Ney Wilson (gestor de alto rendimento da CBJ), da confederação e do Comitê Olímpico do Brasil. Depois, isso veio de mim e do meu treinador Expedito Falcão após termos algumas conversas – explicou a lutadora.

O resultado surgiu logo na primeira competição do ano, quando Sarah ficou com a primeira colocação no Grand Prix de Havana (CUB). Agora, em Paris, o objetivo é mostrar que o resultado anterior não foi um acaso. A brasileira é até apontada como uma das favoritas a levar uma medalha pela própria Federação Internacional de Judô.

Que a boa fase siga até a Olimpíada. E que a música seja muito repetida. Afinal: “A campeã voltou.

SOBE E DESCE

Brilhou
Sarah Menezes se tornou a primeira judoca brasileira a conquistar uma medalha de ouro em uma Olimpíada, em Londres-2012. No ano seguinte, ela se manteve em alta, com sete pódios nas competições, incluindo o bronze no Mundial do Rio de Janeiro.
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Relaxou
Já nas duas últimas temporadas, a judoca foi ao pódio somente seis vezes (três em cada ano). Se não bastasse, nos Mundiais de 2014 e 2015, a brasileira acabou derrotada logo em sua estreia.

CONFIRA UM BATE-BOLA COM SARAH MENEZES:

Qual sua análise sobre seu desempenho no Grand Prix de Havana, em sua estreia no ano?
Sarah Menezes:
Tive um bom resultado em Havana. Eu espero sempre lutar bem em todas as competições que disputo, e normalmente quando consigo lutar bem, eu tenho ótimo resultado.

Dá para dizer que você relaxou após conquistar o ouro olímpico? Você se arrepende de algo?
SM: Dá para dizer que sim. Logicamente, também há os méritos das demais atletas. Não me arrependo. Tive momentos positivos e negativos ao longo dos anos que podem ter influenciado o meu desempenho.

Ano passado, você ficou fora dos Jogos Pan-Americanos para se preparar para o Mundial, mas perdeu logo na primeira luta. Qual a avaliação que faz do torneio?
SM: Eu não fiz nada de errado no torneio. Simplesmente, fui inferior à minha adversária naquele momento no primeiro combate da competição.

Pessoas na Seleção dizem que você começou essa temporada muito mais focada e aguerrida. O que tem feito de diferente?
SM: Meu pensamento nesse momento é não relaxar mais, focar em tudo e
não deixar escapar mais nada.

A disputa com a Nathália Brígida pela vaga olímpica na categoria até 48kg ainda está aberta. Em algum momento, chegou a temer ficar fora dos Jogos Olímpicos?
SM: Em nenhum momento (pensei ficar fora). Simplesmente, não pensei nesta possibilidade. Tudo tem sua hora.

Você é a atual campeã olímpica na sua categoria. Qual expectativa para a Olimpíada do Rio?
SM: As expectativas são as melhores possíveis para os Jogos Olímpicos. Estou sempre pensando positivo.