Lucas Pastore e Luis Fernando Coutinho
16/08/2016
19:41
Rio de Janeiro (RJ)

Foram necessárias três participações em Jogos Olímpicos para Robson Conceição alcançar o sonho dourado. A caminhada foi longa, dura, mas gloriosa. Aos 27 anos, depois de chegar na Rio-2016 como maior favorito a medalha para o Brasil no boxe, o baiano confirmou a expectativa, a superou e conquistou a medalha de ouro inédita para o país de forma espetacular. Nesta terça-feira, pela final da categoria até 60kg, ele venceu o francês Sofiane Oumiha na decisão unânime dos juízes e alcançou o feito histórico.

A torcida que lotou a arena recebeu o pugilista sob o canto de "o campeão chegou", tamanha a confiança. O brasileiro não sentiu o peso nas costas. Pelo contrário. Trouxe a torcida como aliada, pressionou e jogou o peso para cima do francês, um jovem de 21 anos. Assim ele abriu vantagem nos rounds iniciais. Agressivo, mas consciente, o pugilista tupiniquim mostrou uma esquiva impecável e lutou com estratégia, respondendo todos os ataques sofridos e adicionando uma combinação de contragolpe nos ataques. Com dois rounds vencidos com folga, ele apenas administrou a última etapa com muita movimentação e boxeando de forma segura.

- Esse momento representa a minha vida inteira, minha infância humilde, as dificuldades que tive sem apoio, sem patrocínio. A torcida cantando junto, chamando "é campeão", isso foi uma experiência e adrenalina incríveis. Não tem nem explicação para falar desse sentimento. Minha família está aqui comigo, minha filha está aqui comigo, ela completa dois anos agora no dia 19 e eu prometi a medalha e pude cumprir - comemorou, logo após a luta. 

Treinado pelo renomado Luiz Dórea, na academia Champion, em Salvador (BA), o lutador revelou ter sido "espancado" nos treinos preparatórios para o Rio-2016. Crescido na favela, mais do que as pancadas que levou nos treinos, aquelas que a vida lhe acertou serviram para que seu lema "sou brasileiro e não desisto nunca" fizessem sentido na Rio-2016. Em suas duas primeiras participações em Olimpíada (Pequim-2008 e Londres-2012), ele foi eliminado ainda na primeira fase. As frustrações se tornaram lições valiosas. O escuro da decepção ganhou uma cor dourada. Enfim. E o que foi ensinamento hoje é aula para que a próxima geração aprenda.

- Nós brasileiros não desistimos nunca, só precisamos de mais apoio no boxe. Falaria para eles (atletas da nova geração) que nunca desistam. Se (parasse) pela derrota, hoje não estaria aqui. No meu início no boxe fiz umas dez lutas e perdi todas. Se eu desistisse, não seria campeão olímpico - garantiu.

Baiano, de jeito pacato, Robson teve humildade durante toda a competição. Se a cada uma das três lutas que o levaram até a final seu favoritismo era confirmado e exaltado, o lutador sempre recusou o clima de "já ganhou" e afirmou seguir em frente "na humildade". Assim, na humildade e sem desistir, Robson Conceição mostrou que sempre vale a pena tentar de novo. Ele não desistiu. Sorte do Brasil.

A LUTA
1º round
O brasileiro logo avançou contra o francês e começou o duelo apostando em combinações na distância. Dominando o cetro do ringue, ele conectou bons golpes de direita, que logo incendiaram o público. O francês respondia, mas muitos golpes entravam no vazio. Robson teve boa esquiva e trabalhou bem sua envergadura, apostando muitas vezes em contragolpes. Ao fim da primeira etapa, três juízes deram vitória para o brasileiro.

2º round
A segunda etapa se iniciou com o francês cercando mais, fazendo Robson se movimentar. O brasileiro combinava seus ataques com uma esquiva eficiente. Sofiane durante todo o tempo ameaçou com dois golpes em sequência. Jogando com uma guarda fechada e consciente, Robson chegou a derrubar o rival no segundo assalto, mas nada muito sério. Apenas nos segundos finais o francês acertou bons golpes. Três juízes viram triunfo tupiniquim também no segundo assalto.

3º round
No último round, para correr atrás do prejuízo, Sofiane começou pressionando e melhorou na disputa. Mais cauteloso, Robson parecia administrar a luta, sem o mesmo ímpeto, se esquivando e mostrando leve cansaço. Empurrado pela torcida, o brasileiro golpeou mais lento, mas mostrou garra. Trabalhando com a mão da frente para manter a distância, ele passou o fim do round se movimentando e boxeando de forma segura até o gongo final.